Éder Azevedo |
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Sem manutenção há vários meses, ‘pinguela da Sambra’ desemboca em área que virou ‘floresta’ |
Uma cena que retrata o abandono: a passagem conhecida como “pinguela da Sanbra”, que divide a região das vilas Independência e Santa Clara, em Bauru, está com o mato tão alto que chegou a perder a utilidade, ou seja, há cerca de cinco meses, não serve mais como atalho para os moradores da área. Portanto, a população têm de andar alguns quilômetros a mais para chegar ao outro lado.
No caso dos moradores da Santa Clara, quem mais sofre são as crianças que estudam na Escola Estadual Professor Henrique Bertolucci, localizada na região da Independência. Quando utilizavam a pinguela, caminhavam cerca de 300 metros. Sem o atalho, andam quase dois quilômetros pelo viaduto da Duque de Caxias ou pela Comendador José da Silva Martha.
Na pinguela, a situação já chegou ao limite. Além do mato que cobre uma pessoa em pé, há diversos buracos com água parada. Seguindo sentido Santa Clara-Independência, um verdadeiro precipício beira o fim do trajeto. Tudo por conta da erosão, formada em decorrência do excesso de água das chuvas e do depósito de lixo.
“Desde setembro do ano passado, a passagem não está sendo utilizada pelos moradores”, conta o pintor Francisco Castelli, 49 anos, que vive na quadra 1 da rua Tamandaré, na região da Vila Independência. Diariamente, Castelli atravessava a passagem para buscar a filha, que trabalha como doméstica do outro lado. Agora, o pintor tem de andar muito mais.
Os moradores da Vila Santa Clara também sofrem com o bloqueio do atalho. Esse é o caso da aposentada Nancy Tiritan Alves de Carvalho, 77 anos, que vive no bairro desde que nasceu. “Quando eu era mais jovem, passava pelo atalho todos os fins de semana, porque ia a um clube de campo daqui. Era muito bem conservado”, relembra.
Outro lado
Em relação aos buracos que permeiam a passagem, o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, ficou de enviar uma equipe ao local nesta semana para avaliar a situação. “Por enquanto, estamos dando prioridade aos buracos nas ruas, mas vamos analisar o caso da passagem”, afirma.
Quanto à capinação e roçagem do terreno, ela é de responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), que cuidam de terrenos públicos.
Para facilitar o processo, as áreas públicas da cidade foram divididas entre a prefeitura e a Emdurb. No caso da “pinguela da Sanbra”, quem deve fazer a manutenção é a prefeitura. Em nota, porém, a assessoria de imprensa da administração pública informa que a manutenção do local é de responsabilidade da América Latina Logística (ALL).
A concessionária, segundo a prefeitura, sempre realiza a capinação por questões de segurança dos usuários. Mesmo assim, a Sear agendou a limpeza do local para esta semana e explica ainda que não fez a manutenção anteriormente “por conta da realização de outros serviços previamente programados”.
Passarela
Já a manutenção da passagem propriamente dita passou a ser de responsabilidade da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra). Chico Maia, titular da pasta, conta que a decisão foi tomada em dezembro passado. Portanto, a Sagra assumiu a manutenção de todas as pinguelas, sejam elas urbanas ou rurais.
“Decidimos assumir o serviço para que os problemas sejam resolvidos de forma mais rápida”, pontua o secretário. Ele pretende trocar todos os equipamentos de madeira por materiais mais resistentes, como o concreto. Tudo isso, entretanto, depende de recursos oriundos de emendas parlamentares.
No momento, funcionários da pasta estão levantando as demandas nesse sentido, como os locais onde ainda existem pinguelas e aqueles que são prioritários. Quanto ao início das obras, Mais disse que não tem como estabelecer prazos antes da aprovação do orçamento federal, que deverá ocorrer em meados de março.
Há 20 anos
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, a “pinguela da Sanbra” foi feita com madeira e metal, há mais de 20 anos, por uma empresa contratada pela prefeitura. Essas passagens, segundo Brito, servem para não dar muito trabalho à administração pública, mas necessitam, mesmo assim, de manutenção periódica.
“Sempre que possível, a prefeitura tem de fazer uma visita às pinguelas para ver se está tudo em ordem. Muitas pessoas furtam a madeira colocada nas passagens, por exemplo”, argumenta o coordenador do órgão. No caso da “pinguela da Sambra”, Brito orienta que os moradores não a utilizem até que o trajeto seja capinado e os buracos, extintos.
Irregular
Quanto à área ser de responsabilidade da ALL, a assessoria da concessionária informa que a passagem de nível citada é irregular, ou seja, não foi autorizada pela empresa e nem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Diante disso, a ALL orienta a população a utilizar apenas passagens oficiais, que proporcionam mais segurança durante a travessia.
Nas proximidades, segundo a assessoria da concessionária, a passagem de nível mais próxima fica a aproximadamente 800 metros do local citado, na avenida Comendador José da Silva Martha. Além disso, a ALL afirma que realiza diversas campanhas de segurança e serviços de limpeza na faixa de domínio da ferrovia.
Vereador cobra melhorias no atalho
Na última quarta-feira (18), o vereador Roberval Sakai (PP) denunciou os problemas da “pinguela da Sanbra”. Ele, inclusive, foi até o local junto à equipe de reportagem da TV Câmara e teve uma surpresa. “Quando eu tinha 9 ou 10 anos, passava por aquele atalho, que hoje abriga uma das maiores erosões da cidade”, afirma Sakai.
Além dos buracos e do mato alto, o mau cheiro decorrente do esgoto toma conta da região. “Crianças ainda usam a passagem, o que representa um risco. Elas podem cair e se machucar. Fora as doenças que podem adquirir por causa do contato direto com o esgoto”, argumenta o parlamentar.
Há dois anos, o vereador revela que fez uma denúncia semelhante. Na época, o problema foi resolvido, mas agora voltou a acontecer. Sakai cobrou a Secretaria Municipal de Obras para que fossem feitos os reparos da grande erosão formada na região da Vila Independência e pediu para que a Semma realizasse a limpeza do atalho imediatamente.
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