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PM mata três e livra família de roubo em Lençóis Paulista

Thiago Vendrami e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Thiago Vendrami

Polícia fechou rua para o trabalho de perícia e remoção dos corpos

Três homens foram mortos em confronto com a Polícia Militar (PM) após assalto a uma residência de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). O grupo rendeu cinco pessoas da mesma família, incluindo uma criança, e resistiu à abordagem dos policiais.


Conforme divulgou na terça-feira (24) o JCNET, Isaac de Jesus da Silva, 18 anos, Marlon Alexandre dos Santos Talarico, 24 anos, e Willian Rafael dos Santos, 19 anos, estavam armados com revólveres calibres 32 e 38 e uma pistola 765, e morreram no confronto. Segundo a polícia, os três possuem diversas passagens criminosas.


Um dos ladrões chegou a efetuar disparos contra a equipe e um quarto suspeito foi detido para investigação. A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo disse ter enviado ofício ao Ministério Público (MP), solicitando para investigar da conduta dos policiais.


Levantamento feito pelo órgão aponta, inclusive, um crescimento de 74% de denúncias de morte cometidas por policial (civis e militares) em todo o Estado no ano passado, em relação a 2013.


Tanto a PM quanto a Polícia Civil instauraram inquérito para apurar o caso e os cinco militares envolvidos nos disparos serão avaliados ainda nesta quarta-feira, segundo informou o comandante do 4º BPM-I tenente-coronel Flávio Jun Kitazume. Para ele, os PMs agiram em legítima defesa. “Tudo será devidamente apurado”, disse.


Assalto


O assalto foi registrado por volta das 20h30 de segunda-feira (23). Segundo a reportagem apurou no local, quatro homens armados com revólveres chegaram à residência, localizada na rua Felipe Camarão, Jardim Ubirama, e renderam as vítimas na calçada, quando elas carregavam um caminhão com produtos de hortifrúti.


Entre os familiares estavam dois homens, um deles com 50 anos (a idade do outro não foi informada),  uma mulher de 50 anos, uma criança de nove anos e um adolescente, que completou 16 anos no dia do assalto.


As vítimas foram levadas para dentro do imóvel e os assaltantes perguntavam  por um suposto malote com R$ 10 mil, enquanto faziam ameaças e pegavam objetos e dinheiro. O JC apurou junto à polícia que a criança teria conseguido se afastar do bando e acionar a polícia.


Equipes da Força Tática da PM de Bauru se dirigiram ao local para prestar apoio. O quarteirão foi cercado e os bandidos fugiram pelos telhados das casas vizinhas.


Cerca de três horas depois, um dos assaltantes foi encontrado na laje de um imóvel que fica na rua Castro Alves. Encurralado, ele teria ameaçado atirar contra os policiais, que revidaram com disparos. O rapaz morreu no local. Já os outros dois envolvidos foram localizados no telhado de um imóvel vizinho e também teriam entrado em confronto com a polícia, que atirou contra eles. A PM não descarta o envolvimento de uma quinta pessoa, que teria fugido de carro.


Medo e heroísmo


Durante a fuga, um dos assaltantes caiu no quintal da casa de um aposentado e apontou a arma para os moradores. “Tivemos muito medo, ele estava muito agressivo, tentou abrir o portão e não conseguiu, apontou arma para nós por uma janela de vidro e subiu de novo no telhado”,  relatou o aposentado, que mora com a esposa e uma criança de 12 anos. Já a família rendida denominou a ação da PM como “heroica”. “Os policiais foram heróis. Merecem medalha por isso. Eles arriscaram a própria vida o tempo todo”, disse uma das vítimas à reportagem. R$ 4 mil levados pelos ladrões foram recuperados.


Assaltantes ameaçaram matar criança de 9 anos

Fotos: Reprodução/Facebook

Isaac, Marlon e Willian foram mortos após confronto com a Polícia Militar; os três tinham antecedentes criminais

Durante o roubo, os assaltantes teriam ameaçado matar até mesmo a criança de nove anos que estava entre os reféns. “Os ladrões eram muito agressivos”, disse o delegado Renzo Santi Barbin. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso. “Em princípio, não foi constatada nenhuma irregularidade na conduta dos policiais, que agiram em legítima defesa”, acrescentou.


Comandante do 4ºBPM-I,  o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume reforça que os PMs só revidaram após os bandidos atirarem contra eles. “O que comprova isso é que os disparos atingiram diversas partes do corpo dos ladrões, ou seja, não teve concentração de tiros na região da cabeça ou tórax, o que daria uma conotação de que houve execução ou algo similar”, pontuou.


“Os cinco policiais serão submetidos à avaliação pelo comando da região sobre a conduta operacional na ocorrência, além de serem avaliados psicologicamente, para constatar se sofreram algum tipo de abalo”, finalizou Kitazume.


Ouvidoria pede investigação


A Ouvidoria de Polícia do Estado de São Paulo informou ontem que encaminhou ofício ao Ministério Público para apurar a conduta dos policiais militares. “A investigação será para que fique clara, inclusive, a lisura dos policiais que atenderam a ocorrência. Para que a população não ache que foi uma execução. Essa é uma preocupação nossa”, explicou o ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves.


Segundo ele, houve um aumento nas mortes por confronto com policiais na área do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter- 4), que abrange 89 municípios da região de Bauru.


Em 2014, foram seis homicídios provocados pela PM, contra quatro em 2013 – um da Polícia Civil e três da militar. “É preocupante porque a expectativa é que diminua esse índice. No entanto, a PM alega que os bandidos estão mais ousados e agressivos”, detalhou.


Em janeiro deste ano, um homem e um adolescente morreram após resistirem a uma abordagem e entrarem em confronto com a Polícia Militar, na Vila Santista, em Bauru. Portanto, em 2015, já foram seis homicídios em razão de trocas de tiros entre bandidos e policiais.

Veja logo abaixo algumas fotos.

Foto: Thiago Vendrami

Foram apreendidos revólveres calibres 32 e 38 e uma pistola 765

Thiago Vendrami

Segundo a PM, o trio teria sido alvejado ao reagir à ordem de prisão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thiago Vendrami 

Segundo uma integrante da família rendida, os bandidos cobravam um malote com R$ 10 mil, que não existia

 

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