Ricardo Ursulino/Divulgação |
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Levantamento de infestação foi realizado em bairros mais problemáticos, como a Vila Cardia |
Levantamento realizado pela Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde acendeu mais um alerta em relação à dengue. Nas áreas em que há maior índice de transmissão da doença, a presença de larvas do Aedes aegypti é o triplo do limite máximo recomendado pelo Ministério da Saúde.
O levantamento foi feito entre 1 de janeiro e 18 de fevereiro em 9.283 imóveis localizados no Núcleo Geisel, Jardim Redentor, Vila Cardia e Parque Jaraguá. Destes, 252 continham criadouros com larvas, correspondendo a um Índice de Infestação Predial (IIP) de 3%, ou seja, de três imóveis a cada 100 visitados.
“O número é muito acima do limite de segurança, que é de 1%. E não se trata de amostragem porque estamos visitando todas as casas. É o retrato fiel do que está acontecendo em Bauru”, aponta o diretor da Divisão de Vigilância Ambiental, Daniel Godoy Tarcinalli.
Embora os bairros que integraram este primeiro estudo do órgão sejam os que apresentam maior incidência de contaminação, o diretor esclarece que há registros de transmissão da doença, neste ano, em praticamente todos os bairros de Bauru. “E isso dificulta bastante o controle”, acrescenta.
O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, lembra, ainda, que epidemias de dengue já foram confirmadas em diversas cidades da região, como Marília, Ubirajara, Garça, Arealva e Pirajuí. “Ou seja, estamos cercados. Fica realmente difícil nos mantermos imunes”, comenta.
Até o momento, Bauru contabiliza 253 casos da doença, sem óbitos. Mas, no Interior, há suspeita de que 28 pessoas tenham perdido a vida por conta da enfermidade.
Conscientização
A expectativa é de que, em breve, o município supere a marca registrada no ano passado inteiro, de 432 casos. Mas, para Tarcinalli, é improvável que o recorde de 2013, que somou 7.441 casos, seja alcançado se nenhum novo sorotipo da dengue passar a circular. “O crescimento mais acelerado de casos em Bauru começou mais tarde do que em outros municípios. E, em breve, as chuvas irão diminuir, o tempo vai ficar menos quente, o que inibe a reprodução do mosquito”.
Ele explica que 118 agentes têm realizado diariamente visitas em residências para a eliminação de focos da dengue. Mas destaca que é preciso apoio da população. “Além das ações de bloqueio, presta orientação aos moradores, que precisam começar a se conscientizar. A maioria dos criadouros estão dentro das casas, e não em terrenos baldios, como muitos tendem a acreditar”, frisa.
Até amanhã, as equipes de combate à dengue devem realizar o trabalho de bloqueio na Vila Cardia, Vila Antártica e núcleos Beija-Flor e Geisel. Os bairros Santa Edwirges e Jardim Redentor receberão nebulização domiciliar.
Ainda de acordo com Tarcinalli, a Divisão de Vigilância Ambiental irá realizar, na próxima semana, mutirão de autuações a terrenos que apresentarem irregularidades, como mato alto e acúmulo de lixo.
Criadouros
Outro dado importante revelado pelo levantamento da Divisão de Vigilância Ambiental foi o número de possíveis criadouros da dengue, que foram eliminados durante as visitas ainda sem a presença das larvas. Das 9.283 casas analisadas, 4.351 continham potenciais criadouros, média de um imóvel para cada dois vistoriados.
Os locais mais frequentes que poderiam servir de depósito de larvas do mosquito foram pratinhos de plantas, baldes, latas e frascos plásticos.
Atenção
O secretário municipal de Saúde alerta que as equipes da Rede Básica de Saúde estão preparadas e orientadas a tratar os casos suspeitos de dengue com especial atenção. E acrescenta ser importante que qualquer pessoa que manifestar febre alta com início súbito e dor, sem sintomas respiratórios, deve procurar imediatamente ajuda médica.
“Nossa principal preocupação é evitar a mortalidade pela doença”, frisa. As dores provocadas pela dengue podem surgir na cabeça, nos olhos, na musculatura, nas juntas e, quando hemorrágica, a enfermidade também pode provocar manchas avermelhadas na pele.
Vítima suspeita de dengue morreu de outra doença
O auxiliar de serviços gerais Wander Grassi Gomide Junior, 26 anos, morreu, na madrugada de ontem, sob a suspeita de dengue. Mas, horas depois, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou que o resultado do exame foi negativo para a doença, descartando por completo esta possibilidade.
Segundo familiares da vítima, o atestado de óbito informou que Wander morreu vítima de “síndrome de púrpura”, que, possivelmente, trata-se de púrpura trombocitopênica idiopática, doença autoimune que destrói as plaquetas. Assim como na dengue hemorrágica, ela apresenta como sintomas manchas roxas ou avermelhadas sob a pele, indicativas de sangramentos.
Conforme o JC apurou, Wander, de fato, foi diagnosticado com baixo número de plaquetas no sangue. Ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Núcleo Geisel no último dia 22 e, na madrugada do dia seguinte, devido à suspeita de dengue hemorrágica, foi transferido para o Hospital Estadual (HE), onde permaneceu internado até quarta-feira (25).
“Mas, ontem (terça-feira), constataram a síndrome de púrpura. Ele era saudável, foi uma doença que pegou a família inteira de surpresa”, comenta o pai, Wander Grassi Gomide, 58 anos.
De acordo com ele, o jovem era morador do Centro, casado e tinha dois filhos pequenos. Trabalhava no depósito de uma empresa multinacional, localizado no Núcleo Geisel, e se preparava para começar a trabalhar em uma rede supermercadista da cidade.