Eduardo Carmim/Estadão Conteúdo |
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Um grupo de caminhoneiros bloqueou totalmente a pista no sentido Rio de Janeiro da rodovia Presidente Dutra, ontem à tarde |
Atacadistas e supermercados do Interior de São Paulo já enfrentam a falta de alimentos produzidos na região Sul do País. Produtos como batatas, cebolas, frutas, leite e carne suína estão em falta em supermercados e em cerealistas das regiões de Araçatuba, Bauru, São José do Rio Preto e Marília. “A carne suína que importamos do Sul do País deixou de chegar faz uma semana, os estoques acabaram e os supermercados estão sem o produto”, afirmou Carlos Fernando Felipe, vice-presidente da Rede Pas de Supermercados, que engloba 23 estabelecimentos na região Alta Noroeste do Estado.
O próprio estabelecimento de Felipe, o supermercado Rosa Felipe, em Araçatuba (221 km de Bauru), está sem carne suína para comercializar aos seus clientes. Em uma semana, o supermercado deixou de vender cerca de 1 tonelada de carne de porco importada de Santa Catarina e do Paraná.
Em Birigui (206 km de Bauru), as unidades do Bandeirantes Supermercados enfrentaram problemas de abastecimento com batata e cebolas na manhã de ontem.
Algumas redes ouvidas pela reportagem também relataram dificuldade de reposição, como a rede Muffato, do Paraná, que possui filial em Araçatuba. Em Bauru, a Rede Super Bom está colocando produtos similares para os que eram trazidos do Paraná e está usando o estoque de carne suína para atender a clientela.
“Deixamos de receber carne suína produzida no Sul do País. Por enquanto nossos estoques de carne suína ainda estão segurando, mas não sei até quando vão aguentar, possivelmente só até o início da semana que vem”, disse o proprietário do Super Bom, Fernando Cabreira Fernandes.
Nos atacadistas a situação é bem pior. A atacadista Coal, com unidades em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araraquara, Franca e Uberlândia, deixou de receber cerca 90% das 225 toneladas de batatas que traz diariamente da safra de batatas da região Sul do País. “Hoje tivemos de buscar batatas em Ribeirão Preto para atender 23 supermercados de rede de São José do Rio Preto”, disse Rafael da Cunha Benagli.
“Estamos sem batata e cebola e não temos encontrado alternativas para repor esses produtos”, afirmou Nilton César Raniel, de uma grande cerealista de Araçatuba, que está deixando de entregar 50 toneladas de batatas e cebolas desde terça-feira. Uma das carretas da Raniel está retida em Santa Catarina. “O motorista voltou de ônibus”, afirmou.
O desabastecimento elevou os preços da batata, que subiu entre 40% e 50% nos atacadistas e nos supermercados. No atacado, o saco de 50 quilos saltou de R$ 90,00 para R$ 150,00. “Estamos tentando buscar batatas em Minas Gerais, mas a chuva está atrapalhando”, afirmou Nilton Raniel.
Na Companhia de Armazéns Gerais de Araçatuba, Rio Preto e Bauru, os produtos ainda não faltam porque muitos comerciantes estão comprando em outros Estados, especialmente Minas Gerais e no cinturão verde da Grande São Paulo, mas a previsão dos gerentes é de que se os bloqueios continuarem o desabastecimento será inevitável a partir da semana que vem.
Governo endurece
O governo obteve, na Justiça, uma vitória que ajuda a estratégia de reprimir o movimento grevista dos caminhoneiros que ainda paralisa as estradas de ao menos quatro Estados.
A Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu reverter em multas judiciais todas os autos de infração aplicadas aos caminhoneiros pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) por obstrução das rodovias. A AGU já obteve liminares em todos os Estados para a aplicação das multas, que podem chegar a R$ 50 mil por hora, como decidiu uma juíza da Bahia. Na média, essas multas variam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.
O governo também obteve liminares que permitem à PRF e à Força Nacional de Segurança desobstruir qualquer estrada, federal ou estadual. Com isso, o governo acabou com a manobra dos caminhoneiros que faziam a paralisação em um ponto e trocavam o local da interdição assim que era expedida uma liminar de desocupação para aquele ponto, para não terem de pagar as salgadas multas. No início da noite de ontem, o governo contabilizava 56 pontos de estradas paralisadas em quatro Estados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso. No dia anterior, eram 98 pontos em seis Estados.
