O assassinato do opositor ao governo russo Boris Nemtsov, 55 anos, na noite de sexta-feira, baleado quatro vezes nas costas em pleno centro de Moscou, foi planejado detalhadamente, afirmaram ontem os investigadores do caso.
“Não há dúvidas de que o crime foi meticulosamente elaborado, assim como o local escolhido para o assassinato (a Grande Ponte de Pedra, ao lado do Kremlin, sede do governo russo)”, indicou o comunicado do comitê de investigação.
Tudo leva a crer que “a arma utilizada é uma pistola Makarov”, armamento usado pelas forças policiais e pelo Exército do país, acrescentaram os investigadores. Mas esse tipo de arma é usado em larga escala no país, ressalvaram as autoridades.
A ação de aliados do presidente Vladimir Putin é a principal suspeita, embora o Kremlin negue participação e prometa uma investigação rigorosa.
No local, foram encontradas seis cápsulas de munição de calibre 9 mm, procedentes de diferentes fabricantes, o que torna mais difícil a determinação de sua origem.
“Boris Nemtsov ia com sua companheira ao seu apartamento, perto do local do crime. É evidente que os organizadores e os autores deste crime estavam cientes de seu trajeto”, conclui o comitê encarregado da investigação. No sábado foi encontrado o carro branco usado pelo assassino (ou assassinos).
As hipóteses em investigação vão desde uma tentativa de desestabilizar o Estado russo até ações de extremistas islâmicos, passando pela atuação do político em relação ao conflito na Ucrânia.
Nemtsov vinha trabalhando em um documento para tentar provar a participação russa no conflito entre o Exército da Ucrânia e separatistas no leste do país.
Moscou nega qualquer interferência nos confrontos, apesar de a Otan e a Ucrânia terem denunciado diversas vezes a entrada de tropas e armas russas no país vizinho.
Por outro lado, Nemtsov já tinha recebido ameaças relacionadas com a sua posição sobre o ataque ao semanário francês “Charlie Hebdo”, ocorrido no começo de janeiro em Paris, disse o porta-voz do comitê de investigação, Vladimir Markin.
De acordo com lideranças políticas da Rússia, o crime pode ser uma provocação a fim de criar instabilidades no ambiente político do país.
Nemtsov foi vice-primeiro-ministro durante a gestão de Boris Yelstin (1991-99). Antes, ficou conhecido pelas reformas econômicas em Nijni-Novgorod, no oeste do país.
Após se desentender com Putin, que sucedeu Yeltsin, passou para a oposição e fundou organizações e partidos.