Uma missa especial aberta ao público, celebrada pelo bispo diocesano dom Caetano Ferrari, logo às 8h de hoje, marca a passagem dos 75 anos de existência da Vila Vicentina - Abrigo para Velhos, de Bauru.
Exatamente nesta data, em 1 de março de 1940, sob a presidência de Francisco Antunes, a entidade foi constituída. Contou com a ajuda de beneméritos da sociedade bauruense, como Diógenes Cardia, Antônio Galvão de Castro e Benedita Cardoso Madureira, que doaram um terreno de 3 alqueires para que tivesse sua sede. Membros da entidade católica São Vicente de Paulo (instituição católica fundada em 1833 em Paris, inspirada na vida terrena de São Vicente de Paulo), os vicentinos se esforçaram para conseguir arrecadar fundos para a construção da Vila.
O que se esperava na época - lembrando os preceitos vicentinos (de defender os direitos humanos dos excluídos, zelar pelo restabelecimento do respeito contra discriminações e violência -, era prestar assistência integral ao idoso a partir de 60 anos. E a missão foi atingida.
Ideal cristão e respeito
O ideal continua até hoje. Além de ter lares dentro da vila para pessoas sem família de ambos os sexos, ou pessoas impossibilitadas de convívio com os familiares, há também o chamado “Centro Dia”, quando o idoso não perde o contato com sua casa e familiares, mas só retorna para o local à noite. Esse serviço é prestado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
O atual presidente José Roberto Pires Machado lembra que “a decisão do asilamento envolve não só a família, mas principalmente o próprio idoso, pois mudar de casa, afastá-lo dos vínculos afetivos pode ser prejudicial. A moradia não é apenas um espaço físico, mas sim sua identidade e privacidade. Assim, caso o idoso não concorde com a internação, sua vontade é respeitada”. Mas para aqueles que optam por isso, e há muitos que o fazem espontaneamente, toda a assistência é dada.
Serviços prestados
Para prestar assistência integral, a entidade tem 52 funcionários qualificados. Há uma área nutricional que avalia o estado de cada morador e elabora cardápios específicos para uma velhice saudável, sob a supervisão de área médica e de enfermagem e, até mesmo, quando o diagnóstico exige área fisioterápica. A entidade conta ainda com atendimento psicológico e ações sociais.
É sempre bom frisar que a entidade não tem fins lucrativos e que a partir da Lei Orgânica da Assistência Social, através do benefício de prestação continuada, os idosos passam a adquirir como renda um salário mínimo, mas muitos não recebem nenhum recurso financeiro e, mesmo assim, são atendidos integralmente pela entidade.