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O excesso mortal

Erik Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

A morte do jovem de 23 anos em uma festa universitária no último sábado, além da internação de outros três jovens em estado grave, em decorrência de coma alcoólico, chocou a todos. Nós, jovens, sabemos como funcionam essas festas, qual é o "espírito da coisa". Não se trata de criticar de forma hipócrita: sim, também sou jovem e frequentador de festas universitárias. Mas é fato que, embora sejam eventos bacanas de integração e desligamento da rotina massacrante de trabalho e estudo, elas não são exatamente ambientes dos mais saudáveis. Não só por culpa das organizações, que focam na transgressão e nos excessos, mas também por culpa dos próprios frequentadores, que se esquecem dos riscos do álcool e de outras substâncias e que transformam o que seria lazer em uma agressão a si próprio.

As pessoas bebem porque querem, mas as organizações dos eventos têm sua parcela de culpa pelo induzimento, instigação e/ou apologia ao consumo exagerado de álcool. Quão saudável é uma competição de quem bebe mais? O erro não está em haver festas - universitárias ou não, como podem bradar os moralistas, mas sim em não haver uma preocupação da sociedade e do Poder Público em orientar, educar, fiscalizar e prevenir excessos como os da festa de sábado.


A juventude é notadamente a fase dos excessos e brigar contra isso é brigar contra a natureza humana. Reconhecer a existência da situação e trabalhar com ela, sem fechar-lhe os olhos, é o primeiro passo. Também há a questão da legalidade: sabemos que a maioria dessas festas estão à margem da lei, sem alvarás e sem fiscalização, além de medidas acessórias de segurança e compensação social. Será que a prefeitura desconhece a realização dos eventos? É função essencial do Poder Público zelar pela incolumidade dos cidadãos. Também é necessário que nós, jovens, sejamos educados de forma correta. Dizer que álcool e drogas são ruins e "errados" não é uma tática eficaz. Jovem é questionador e transgressor por natureza. A melhor forma de educar contra os excessos é mostrar o lado ruim e as graves consequências deles, porque o lado bom, embora negado por quem pretende educar, é conhecido pelos jovens.

O que se espera dos organizadores de festas universitárias, depois dessa tragédia, é a discussão sincera do problema para se estabelecer medidas de conscientização dos participantes quanto aos riscos do álcool e das drogas ilícitas, medidas para se evitar os presumíveis excessos (com cota máxima de consumo no "open bar"?), além de uma revisão do foco dos eventos, que hoje é majoritariamente o consumo de álcool. É necessário que se instaure um debate social franco e sério. Se eximir da responsabilidade, transferindo a culpa apenas para os frequentadores que se excedem no consumo de bebidas alcoólicas, não é exatamente a postura mais proativa e adequada. Quanto às autoridades, qual será o posicionamento delas em relação às próximas festas universitárias? Haverá fiscalização? E dos jovens se espera mais respeito aos seus próprios limites.


O álcool, apesar do bem-estar que causa e de estar presente nas sociedades humanas desde quase sempre, gera dependência, prejudica a saúde, prejudica a convivência social e familiar e, como vimos sábado, pode matar. Uma morte é algo muito grave. Assim como a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), esperemos que essa, embora terrível, também sirva para mudar paradigmas e poupar outros futuros de serem interrompidos abruptamente por causa de prazeres passageiros.

O autor é estudante da 7ª série de Direito da Faculdade Anhanguera de Bauru.

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