O risco de a Grécia deixar a zona do euro nos próximos 12 meses é o mais elevado desde o final de 2012, apesar de a tábua de salvação financeira de Atenas ter sido prorrogada, revelou nesta terça-feira (3) uma pesquisa com investidores sediados principalmente na Alemanha.
O levantamento feito com 980 pessoas físicas e investidores institucionais registrados com a empresa de consultoria SenTix constatou que 37,1% dos entrevistados preveem que a Grécia deixará o bloco monetário, um aumento em relação aos 22,5% de janeiro.
Essas expectativas têm aumentado de forma constante desde o seu menor nível, de 5,7%, atingido em julho, mas permanecem abaixo dos 70,7% no auge da crise da dívida da zona do euro em julho de 2012.
Uma pesquisa da Reuters com economistas em meados de fevereiro apontou para 1 em 4 o risco de a Grécia sair da zona de moeda comum em 2015.
"O novo programa de ajuda para o país não parece ser convincente, por isso, uma “Grexit" (saída da Grécia) agora tende a ser obrigatoriamente um tema constante entre os investidores nos meses que estão por vir", disse Sebastian Wanke, analista sênior da SenTix.
A pesquisa foi realizada entre os dias 26 e 28 de fevereiro.
A Grécia garantiu em 24 de fevereiro uma extensão de quatro meses para o seu programa resgate, depois de tensas negociações com seus parceiros da zona do euro, mas ainda enfrenta agudos problemas de financiamento e poderia ficar sem dinheiro até o final de março.
O ministro da Economia da Espanha disse nesta segunda-feira que os países da zona euro estavam discutindo um terceiro resgate para a Grécia, no valor de 30 bilhões a 50 bilhões de euros, mas altos funcionários da UE negaram que tais conversações estejam ocorrendo.
A pesquisa SenTix --na qual os entrevistados podem escolher até três países que eles acham que vão sair da união monetária nos próximos 12 meses-- indica que a chance de algum país deixar o bloco é de 38%.
O índice de probabilidade de quebra (EBI) chegou pela última vez a esse nível em março 2013, depois de eleições inconclusivas na Itália e uma crise bancária em Chipre que fez com que esse país a se tornasse o quarto membro da zona do euro a ser socorrido com um pacote de ajuda.
O EBI atingiu um pico de 73 por cento em julho de 2012 e tocou seu ponto mais baixo em 7,6%, em julho de 2014.
Peter Schaffrik, chefe de estratégia de taxas europeias no RBC, disse que a prorrogação da ajuda por si só não tinha removido o temor de que a Grécia saia da zona euro, integrada por 19 países.
"Até agora há um acordo em princípio, mas eles têm feito progressos substanciais? Não estou certo disso", disse Schaffrik.