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Alunos do quarto ano de ciências contábeis alegam que tiveram aulas no corredor da faculdade |
Um início de 2015 conturbado. Estudantes do quarto ano do curso de ciências contábeis da Uniesp de Bauru reclamam da falta de estrutura da faculdade. A lista de problemas seria grande: aulas suspensas devido à reforma, aulas ocorrendo nos corredores e até curso extinto. A direção nega os fatos.
Uma das universitárias, que preferiu ter a identidade preservada, contou que a sala que havia sido disponibilizada não comportava toda a turma. “Como houve a junção de duas faculdades, o prédio está pequeno para atender a demanda. Encontramos as salas sujas nesses dias e nos recusamos a entrar na que foi oferecida para nós, pois cabia apenas dez pessoas e somos uma turma de 17. Não havia outra disponível e tivemos que assistir as aulas no final do corredor na última segunda-feira”, contou.
Segundo ela, o quarto ano de ciências contábeis também ficou sem aula por uma semana por conta das reformas que não tinham terminado e outras turmas precisaram assistir às aulas no pátio. “Sem contar que não temos ainda uma biblioteca”, disse a estudante.
A reportagem entrou em contato com a direção da universidade e, segundo o diretor Said Yusuf Abu Lawai, as obras estão apenas na parte do fundo da instituição. Ele alegou que todos estão assistindo normalmente às aulas e o prédio está adequado para atender a todos. “Já em relação às salas de aula, há iluminação adequada, ventilação e condições boas para os estudantes. Posso afirmar que 99% dos alunos aprovaram a reforma”.
Curso extinto
Além da reclamação das obras e estrutura, três universitários que cursam o terceiro módulo de produção publicitária alegam que o curso foi extinto da faculdade. Gabriel Augusto Correa é um deles. Ele é bolsista e fez a rematrícula normalmente. Porém, ao retornar às aulas no dia 23 de fevereiro, não encontrou a grade curricular.
“A turma do terceiro módulo é apenas eu e as outras duas alunas. Chegamos na faculdade e o nosso curso era o único que não tinha grade. Quando achamos o professor, ele nos informou que o curso havia sido extinto”, disse.
A estudante Talita Laris Leite Silva, de 20 anos, contou que foi informada posteriormente que a turma iria ser redirecionada para fazer as disciplinas que faltam em outros cursos que possuem grades semelhantes. “Apesar de ter a possibilidade de fazer essas disciplinas, me sinto prejudicada em fazer em outros cursos”.
Disciplinas
De acordo com o diretor da Uniesp, o curso não foi extinto. O que ocorreu, segundo ele, foi que as disciplinas que faltam serem concluídas serão feitas em outros cursos. “O curso apenas não foi oferecido para os novos alunos. Para os demais, eles irão concluir. Como a faculdade trabalha com regime por crédito, os alunos irão fazer as disciplinas faltantes em outros cursos que possuem as mesmas. Não terá nenhum prejuízo acadêmico”, explicou.
Segundo o diretor, esse redirecionamento é pelo fato de ser inviável abrir turmas de apenas sete alunos com disciplinas que estão em outros cursos. Ele, contudo, frisa que ninguém será prejudicado.
MEC
Em resposta às reclamações, o Ministério da Educação” (MEC) informou que é de responsabilidade das próprias instituições credenciadas ao Sistema Federal de Ensino a formulação e alteração das grades curriculares de seus cursos superiores, assim como a decisão de encerramento, sempre em consonância com o projeto pedagógico. “Porém, tal decisão não pode ser tomada sem a adequada percepção do impacto na vida acadêmica de seus estudantes”.
Ainda segundo o MEC, todas as alterações devem ser feitas com prévia comunicação aos alunos e prevendo meios de adequação curricular que não os prejudique. “Na situação narrada, caso tenha havido precarização da estrutura física, alterações na grade curricular em afronta às Diretrizes Curriculares Nacionais e ao marco regulatório da educação superior ou criação de novo curso de graduação sem a prévia autorização do MEC, poderá ser instaurado processo administrativo para a aplicação de penalidades à Instituição”, finalizou o órgão.
