Polícia

Homem é condenado a 26 anos por assassinar a própria mãe

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.

Paulo Haase, 53 anos, foi detido dias depois do crime, mas negou

26 anos e oito meses de prisão e uma família inteira dividida por um crime. Paulo César Gomes Haase, 53 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Bauru, ontem, por espancar e assassinar a própria mãe, de 76 anos, em fevereiro de 2013. As agressões teriam acontecido na casa em que a aposentada morava, na quadra 2 da Jurandyr Bueno, no Parque União.


O conselho de sentença reconheceu a materialidade do homicídio doloso e decidiu pela majoração da pena do crime, que teria sido cometido por motivo fútil e com outras qualificadoras, como com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima (aumentou em até dois anos a pena), que era mãe do acusado (aumentou até quatro anos a pena) e possuía mais de 60 anos (aumentou a pena em um terço).


Pesou contra Paulo ainda, o fato de ele possuir antecedentes criminais (dois assaltos e dois homicídios – em um deles absolvido) e ser considerado uma pessoa de personalidade agressiva, fato que aumentou a pena em até um sexto.


A sentença, proferida pelo juiz da 1.ª Vara Criminal, Benedito Antônio Okuno, também não concede ao réu o direito de recorrer em liberdade.


Crime

 Aceituno Jr./Arquivo

Carmen Haase, 76 anos, morreu cinco dias após ser internada

Paulo foi preso na época, após ser acusado pela própria filha e por um sobrinho, que teriam conversado com a avó ainda no Pronto-Socorro Central (PSC).


Desde fevereiro de 2013, o réu cumpre pena em regime fechado e, recentemente, foi transferido para um presídio em Balbinos.


A viúva Carmen Gomes Haase foi agredida entre os dias 7 e 9 de fevereiro, dia em que ela foi visitada por uma neta de 31 anos (filha de Paulo). A mulher percebeu as lesões e certa confusão mental na vítima e acionou o Samu.


No PSC, os médicos diagnosticaram que a idosa tinha sido brutalmente espancada. Cinco dias depois, ela acabou morrendo.


Na época, a Polícia Civil realizou investigações na casa à procura de elementos que comprovassem a autoria do crime, mas nada foi encontrado. Um detalhe chamou a atenção: a residência não foi arrombada. Paulo Haase morava a três quadras da vítima.


Acusação e defesa


A defesa do réu, representada pela advogada Carla Bastazini, apresentou ao júri uma gravação em que a enfermeira do Samu, que socorreu a idosa, falava sobre a confusão mental da vítima e sobre a negativa dela em conceder o nome do autor das agressões.


“Não há testemunha ocular. Em nenhum momento, a vítima disse que foi o filho. A acusação partiu da neta que, inclusive, nunca prestou nenhum auxílio à avó doente”, pontuou a advogada, que tentava a absolvição ou a desqualificação do crime. “E se foi ele, a própria vítima não quis denunciá-lo, então peço que a pena seja atenuada, ao menos”.


O Ministério Público, representado pelo promotor Alex Ravanini Gomes, por sua vez, apresentou quatro testemunhas, dois netos (incluindo a neta de 33 anos), um irmão do réu e uma vizinha da casa. O promotor não fez o uso da réplica, durante o julgamento.


O irmão falou do histórico de violência de Paulo, que seria usuário de drogas e já teria cometido outros crimes. Tese que a defesa tentava derrubar, alegando que, apesar de possuir antecedentes criminais, o réu nunca foi alvo em boletim de ocorrências, por agressão, registrados por sua mãe.


Já os netos narraram ter ouvido o depoimento da avó que, antes morrer, teria confessado ter sido espancada por Paulo. Na ocasião, a idosa teria dito que temia que ele matasse a neta também, se ela soubesse.


Ela disse, inclusive, ter gravado em um celular a declaração, mas o depoimento não foi apresentado ao júri porque, segundo o promotor, “a gravação teria ficado ruim”. “O depoimento das próprias testemunhas bastaram para o veredicto”, reforça o promotor.


O julgamento teve início por volta das 9h30 e terminou às 18h22. A defesa do réu informou que recorrerá da decisão.

Espancamento


Conforme o JC divulgou na época, a neta suspeitava, inicialmente, que a avó seria vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas o espancamento foi confirmado dias depois pelos médicos.


Carmen acabou transferida para um hospital particular em Boborema. Ao saber que seu pai teria cometido o crime, a mulher, na época com 31 anos, registrou o BO por lesão corporal. Outro filho da idosa teria comparecido à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e confirmado a acusação.


Fotografias feitas pela família mostravam os extensos hematomas pelo corpo de Carmen.


Na saída da delegacia, na data de sua prisão, o eletricista Paulo César Gomes Haase negava todas as acusações em entrevista rápida concedida ao JC. “Eu não a agredi. E vou provar minha inocência”, declarou, de cabeça erguida.

Comentários

Comentários