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Embriaguez ao volante aumenta em operação da Polícia Rodoviária

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Segundo o tenente Eleutério, a combinação entre álcool e volante reflete problema cultural

Na semana em que o abuso de bebidas alcoólicas foi o centro dos debates em Bauru por conta da morte do estudante universitário Humberto Moura Fonseca, 23 anos, dados da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária deixam evidente que a “cultura do álcool” permanece como um difícil desafio a ser combatido. A despeito do enrijecimento da legislação e dos riscos à vida, flagrantes da associação entre álcool e direção só crescem nas rodovias da região de Bauru.


De um ano para outro, os casos de embriaguez ao volante flagrados durante a Operação Verão mais que dobraram na área abrangida por 35 municípios. Na ofensiva que perdurou por 74 dias (de 12 de dezembro do ano passado a 23 de fevereiro de 2015), 384 condutores foram flagrados alcoolizados, um índice de 5,2 a cada dia.


Já na operação 2013/2014, realizada durante 49 dias, foram 98 motoristas, média de dois por dia. Destes, 12 respondem por crime, já que o teste do etilômetro comprovou a presença de mais de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelidos dos pulmões.


Na operação encerrada no mês passado, foram 24 motoristas presos, que tiveram autorização para responder em liberdade por crime de embriaguez ao volante após pagamento de fiança. Os que não atingiram este patamar tiveram de pagar fiança de R$ 1.915,40, além de ter sete pontos anotados na carteira de habilitação e o direito de dirigir suspenso por um ano.


O tenente Gabriel Eleutério Garcia, oficial responsável pelo Setor de Bauru da 1.ª Companhia, destaca que todos os motoristas que insistem em dirigir alcoolizados conhecem os riscos, inclusive de serem multados, presos e até de morrerem ou provocarem a morte de outras pessoas. Mas, por um hábito cultural extremamente arraigado, convencê-los a mudar de conduta é uma dura batalha ainda não vencida.


“A maioria dos acidentes que provocam mortes está relacionada à ingestão de álcool. Mas, por mais que os veículos de comunicação alertem, por mais que a polícia fiscalize, os flagrantes continuam”.


Perfil


Conforme o tenente, o perfil de condutores que dirigem embriagados é formado, principalmente, por homens entre 40 e 50 anos. Mas jovens entre 18 e 30 anos também preocupam, já que correspondem a cerca de 30% dos flagrados.


“Trata-se de um problema cultural e de segurança pública, mas também de saúde, já que não é raro abordarmos um mesmo condutor duas, três vezes alcoolizado”, completa, destacando que, embora a Lei Seca tenha sido enrijecida em alguns aspectos, em 2012, a punição prevista pela legislação ainda é branda.


“No fim das contas, os que respondem por crime de embriaguez serão condenados ao pagamento de cestas básicas e o delegado é obrigado a arbitrar fiança quando há o flagrante. Existe uma sensação de impunidade, que também dificulta a mudança de cenário”, pondera o tenente.

João Rosan

Sandra Leal Calais: bebida alcoólica ainda é tida como benigna

Em entrevista ao Jornal da Cidade para reportagem sobre a morte do estudante Humberto, que sucumbiu após ingerir cerca de 25 doses de vodca em uma competição de resistência alcoólica, a doutora em psicologia Sandra Leal Calais, supervisora do Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da Unesp de Bauru, destacou que a associação entre bebidas e diversão é aprendida culturalmente de uma geração para outra.


“O álcool funciona como instrumento de inclusão, de aceitação social. E até por se tratar de uma substância lícita, atribui-se a ele um caráter benigno. Mas o álcool se relaciona com a violência e com a morte de diversas maneiras”, acrescenta.


Acidentes e mortes


Um dos dados positivos da Operação Verão foi a queda no número de acidentes e mortes nas rodovias da região. Os acidentes caíram de 8,1 para 6,6 ocorrências ao dia. Em números absolutos, o volume de vítimas fatais caiu de 16 para 15, mesmo com o fato de a operação de 2014/2015 ter perdurado por 25 dias a mais. “Não há uma estatística oficial, mas a gente sabe que cada condutor embriagado retirado da rodovia representa um acidente a menos que poderia ocorrer. Embora as pessoas insistam em dirigir embriagadas, é um trabalho que continuaremos a fazer sistematicamente”, garante o tenente Gabriel Eleutério Garcia.


Megaoperação perto de universidades


A partir de hoje, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo inicia uma megaoperação em diversas cidades, incluindo Bauru, para coibir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade em estabelecimentos comerciais localizados nas imediações de instituições de ensino superior. A iniciativa envolve agentes das vigilâncias sanitárias estadual e municipal e o Procon-SP, que realizarão as fiscalizações à paisana.


Eles irão percorrer bares, casas noturnas, supermercados e lojas de conveniência, entre outros, para verificar o cumprimento da “Lei Antiálcool para menores”, válida desde 2011. As inspeções ocorrerão a qualquer momento do dia ou da noite. Os estabelecimentos infratores ficam sujeitos a multas de mais de R$ 100 mil e, no caso de reincidência, podem ser interditados por 15 a 30 dias e até mesmo perderem a inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS.

 

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