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Há quarenta anos morria José dos Santos, o 'Zé da Moto"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Álbum de Família

“Zé da Moto” morreu em acidente na SP-300 no dia 8 de março

A perda de um ícone dos anos 70, José dos Santos Filho, o “Zé da Moto”, em um acidente em que bateu sua moto de frente com um caminhão, na rodovia Marechal Rondon, completa exatos 40 anos neste domingo (8). Estudante do 4º ano de engenharia civil da Fundação Educacional de Bauru (FEB), sócio da empresa Santos Monteiro na época, com seu irmão Antonio Vitorino dos Santos (o Tuto), e seus dois cunhados, Aparecido José Sotero e Durval Giroldo, “Zé da Moto” representou uma geração marcante, ousada e contestadora.


“Zé da Moto” estava à frente de seu tempo. “Ainda quando menino, já começou a se destacar, ao jogar pião, fazia o mesmo subir na fieira; quando jogava búrica (bolinha de gude), ele ganhava de todos seus amigos; no estilingue ele e seu amigo ‘Nenê Porquinho’ eram os melhores da turma; quando soltava papagaio também era o melhor, inclusive certa vez empinou um papagaio de 4 metros e meio que fez ajudado pelas irmãs Lourdes e Leonor”, recorda o irmão Tuto.


Ainda quando menino aprendeu a dirigir o caminhão de seu pai. E fazia suas peripécias.” Aos 18 anos, quando foi tirar sua habilitação para motocicleta, no momento do exame, fez todo o percurso estabelecido pelos avaliadores, de maneira perfeita, e ao final, parou sua lambreta em frente aos avaliadores, e sem pôr o pé no chão, equilibrando-se, perguntou se os avaliadores queriam que ele fizesse mais alguma coisa?” emociona-se ao contar a história o irmão.

 

Roubou a noiva e nudez


Amante da alta velocidade, frequentemente ia com seu irmão Tuto a Interlagos para assistir aos treinos e corridas.  “Zé da Moto” vivia intensamento sua juventude, amava o mar, e sempre que podia ia para o litoral pilotando sua moto, em turma de motoqueiros. “Uma vez foi para a Bahia em sua moto, levando com ele uma moça que já era noiva na cidade de um outro rapaz, permanecendo na Bahia por aproximadamente 15 dias, com ela lá”, conta Tuto. “Se o fato iria causar comoção ainda hoje, imagina há 40 anos”.


Nem é preciso dizer que ele foi um dos pioneiros do Festival de Águas Claras, em Iacanga,  onde  esteve durante toda a semana e lá ficou completamente nu, conforme relataram as reportagens da época.


Quando morreu pilotando sua possante Honda 500 Four, a notícia do acidente interrompeu um baile de formatura de Direito da ITE. Uma praça próxima à Casa do Garoto, na rua Conego Aníbal de Francia, região do Parque Vista Alegre leva até hoje seu nome.


Coração imenso


“Mas o que importa não é apenas o fato de que foi um cara que marcou uma época e geração. Era uma pessoa de um imenso coração, pois inúmeras vezes voltava para sua casa, sempre em sua moto, apenas de cueca, e ao ser indagado por sua mãe sobre o que havia acontecido, o mesmo informava que havia doado suas roupas e sapatos para andarilhos de rua. Inclusive ele deu total apoio ao então já iniciado namoro de Tuto com Maria Inês e permanecemos casados até hoje”, relata com saudade, homenageando o irmão com boas recordações.

 

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