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Março é o segundo mês mais chuvoso dos últimos 13 anos

Cinthia Milanez e Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 4 min

Ricardo Ursulino/Divulgação

Foram necessários reparos em vários pontos da Nações Unidas

Embora o mês de março não seja o mais chuvoso da região, Bauru registrou, do dia 1 até as 17h de ontem, 178,6 milímetros de precipitação. Nas estatísticas dos últimos 13 anos, as chuvas dos primeiros nove dias deste mês só perdem para 2013.

De acordo com José Carlos Figueiredo, meteorologista do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), no ranking dos meses mais chuvosos da região, baseado na média histórica dos últimos 30 anos, março aparece em quinto lugar, atrás de janeiro, dezembro, fevereiro e, por fim, novembro.

Figueiredo explica que a ocorrência de chuvas intensas nesses três últimos dias são provocadas por sistemas, que são fenômenos naturais responsáveis pelas estações chuvosas. “Em 2014, que foi um ano com poucas chuvas na região de Bauru, esses sistemas não estavam posicionados corretamente. Ainda não há uma justificativa para essa questão”.

Previsão

Além disso, as áreas de instabilidade, associadas à região de baixa pressão em superfície e difluência em altitude, favorecem a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas sobre diversas áreas do Estado no começo desta semana.

Portanto, as condições do tempo permanecerão instáveis até hoje e as temperaturas continuarão amenas. Já amanhã a tendência é de que o sol retorne entre nuvens, mas ainda haverá chance de chuvas isoladas.


Chuva causa estragos em 120 pontos

Nos últimos três dias, Bauru registrou um acumulado de 175,8 milímetros de chuvas. Foi o suficiente para causar uma impressionante marca de estragos em cerca de 120 pontos na cidade. Um deles foi na creche Doutor Leocádio Corrêa, na região da Vila Universitária, onde a calçada foi totalmente arrancada. Para “correr atrás do prejuízo”, 170 servidores das secretarias municipais de Obras e Administrações Regionais fazem parte de uma força-tarefa que deve perdurar por três dias.

De acordo com Sidnei Rodrigues, titular da Secretaria de Obras, a pasta conta ainda com o apoio do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que chegaram a ceder alguns equipamentos. Os reparos começaram ontem e, caso a chuva continue mais fraca, deverão ser concluídos amanhã. 

Rodrigues acrescenta ainda que, pelo menos, 120 pontos espalhados por diversos bairros da cidade precisam de reparos. Ontem, equipes da pasta e da Emdurb removeram areia para desobstruir alguns locais das avenidas Waldemar Ferreira, Daniel Pacífico, Castelo Branco, Pinheiro Machado e Nações Unidas, além da rua Bernardino de Campos.

No último fim de semana, equipes das divisões de Terraplenagem, Pavimentação e Drenagem concentraram esforços na avenida Nações Unidas e entre a avenida Rodrigues Alves e a rua Inconfidência, onde o asfalto foi parcialmente destruído. Os servidores retiraram placas de asfalto soltas nas quadras 9 e 10 da Nações e utilizaram material alternativo, uma fresa de asfalto, nos reparos, já que o solo molhado não permitiu a pavimentação.

O secretário afirma também que foram registrados pontos de alagamento nas avenidas Alfredo Maia, Daniel Pacífico e Afonso José Aiello, além da rua Benevenuto Tiritan. Houve princípios de erosão em ruas de terra de bairros como Chácaras Cornélias, Jardim Solange, Santa Edwirges e Jaraguá. Além disso, foram detectados buracos em ruas pavimentadas em diversas partes da cidade e rompimentos de galerias.

“Se a chuva permanecer mais fraca no decorrer dos próximos dias, há outros serviços previstos, como a recuperação de galerias pluviais na avenida Afonso José Aiello, cuja tubulação foi rompida pela força da água; a restauração do asfalto entre as quadras 15 e 27 da avenida Nações Unidas; e o reparo das calçadas no entorno do Parque Vitória Régia”, ratifica Sidnei Rodrigues.

Sem calçada

Ontem, quem passou pela quadra 7 da rua São Gonçalo, na região da Vila Universitária, não pode deixar de se surpreender com a cena da calçada que fica em frente à creche Doutor Leocádio Corrêa. Por conta das chuvas, o passeio público foi totalmente arrancado e os canos ficaram à mostra. Partes de concreto da calçada ficaram espalhadas pelo quarteirão e podiam ser encontradas a cerca de 150 metros de lá. Até um orelhão, que ficava ali perto, foi levado.

A creche atende cerca de 150 crianças de 1 a 6 anos de idade. A Defesa Civil informou que, se não arrumar a calçada o quanto antes, a estrutura da frente do imóvel ficará comprometida. Todas as crianças foram transferidas para o prédio da frente, que também pertence à creche. “O outro prédio agora está superlotado”, desabafa a presidente da instituição, Conceição Colombina.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o DAE ficou de fazer a avaliação do local e retirar a água o mais rápido possível. “Orientamos para que não utilizem o prédio, porque a água pode comprometer a parede”.

A assessoria de imprensa do DAE afirma que equipes cederam, ainda ontem, uma máquina para tirar a água do local.

Já o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, foi pessoalmente até o endereço e se comprometeu em enviar uma equipe até lá ainda hoje. “Esperamos que as condições do tempo estejam favoráveis ou, até mesmo, que haja chuva fraca para que possamos recuperar os estragos”, finaliza.

Pico de energia

No último sábado, por volta das 15h, houve um pico de energia na Estação de Tratamento de Água (ETA) do DAE provocado por descargas elétricas. Cerca de uma hora depois, o problema foi resolvido por uma equipe de eletrodinâmica da Divisão de Produção da autarquia, junto à CPFL Paulista. De acordo com a assessoria de imprensa do DAE, o incidente não interferiu no abastecimento da cidade.

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