Esportes

Artes Marciais: guerreiros

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

Benjamim Shiro e Andrei Sancassari demonstram as técnicas com a espada durante o seminário em Bauru

Bauru sediou recentemente um seminário de Kendo, a arte marcial japonesa com uso de espada originária das técnicas dos antigos samurais (guerreiros japoneses). Cerca de 30 apaixonados pelo esporte se reuniram no Clube Nipo-Brasileiro para uma confraternização que teve como objetivo a interação entre atletas de outras cidades e, principalmente, a troca de experiência.

Organizador do evento, Felipe Monteiro Kobayashi, 26 anos, se mostrou animado com o encontro, que trouxe esportistas até do município de Maringá, no Paraná. “O legal é reunir os amigos. Fizemos treinos específicos envolvendo a forma mais correta de aplicar os golpes e, claro, um pouco de luta. Foi uma oportunidade de trocar conhecimento e crescer juntos”, enfatizou.

O Kendo, cujo significado é caminho da espada, é uma das artes marciais mais antigas do Japão e tem como origem os treinamentos e batalhas travadas pelos samurais com o manuseio de espadas: Shinai (espada de bambu), Bokuto (espada de madeira) ou Katana (espada longa japonesa).

“Foi a partir disso que se deu origem ao esporte. Em seguida, as regras e os trajes foram criados”, explicou o sensei Roberto Someya, 55 anos, que pratica o Kendo desde os cinco. “O objetivo na luta é atingir o oponente em quatro pontos vitais do corpo: pulso, cabeça, tórax e pescoço. Como no judô, são considerados somente os golpes válidos (ippons)”, acrescentou.

Mestre

Pode-se dizer, sem exagero, que Someya é um mestre no Kendo. Ele já ostenta o 7º Dan (nível, na língua japonesa), que é a denominação de cada um dos graus de maestria atribuídos a alguém dentro do sistema de avaliação no esporte. O sensei, agora, está a um grau do nível máximo: 8º Dan. No entanto, não é nada fácil alcançar essa marca.

Para se ter uma ideia, a avaliação para chegar ao 8.º Dan, que envolve prova prática, teórica e Katas (movimentos básicos da modalidade), é feita somente no Japão. “No dia do exame, são aproximadamente de 700 a 1000 pessoas participantes. Em média, deste total, somente de quatro a sete são aprovadas. É muito rigoroso, mas pretendo treinar por mais uns três anos e tentar a graduação”, planeja.


Competições

Em Bauru, vai completar 11 anos a prática do Kendo. Mesmo com pouco mais de uma década, o esporte na cidade conta, até o momento, com apenas dez praticantes. Para o sensei Reinaldo Noboyuki Mori, o seminário teve a importância de estimular e, principalmente, difundir a prática de Kendo no interior paulista. “Ainda é pouco divulgado”, lamenta, e acrescenta que Bauru nunca foi palco de um campeonato desta arte marcial. “Futuramente, pensamos em organizar disputas oficiais na cidade, com a participação também de atletas da região”, pondera.


Motivações

Benjamim Shiro Yagi, 37 anos, pratica o Kendo desde 2004. “Sempre gostei da cultura japonesa e artes marciais. Fui experimentando várias artes e, no Kendo, acabei me encontrando mais. Tem mais a ver com aquilo que eu espero de artes marciais, tanto a parte física quanto a psicológica, que é a questão da motivação e disciplina”, disse. Para Benjamim, o esporte vai além do simples fato de treinar. “Se você procura buscar informação e participa de eventos, acaba adquirindo um desenvolvimento técnico mais aprimorado, o que nos enriquece como pessoa. É possível aprender muito da cultura e filosofia japonesa também”, destaca o admirador da arte marcial japonesa.

 

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