Tribuna do Leitor

Ordem e Progresso


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Qual ordem, que progresso? O Brasil vive uma crise existencial, mais do que tudo. Uma parcela da população braveja pela necessidade de se manter a estabilidade, a ordem das instituições democráticas, sob pena de passarmos a viver em uma sociedade que... que... ah, que eles não sabem bem, aliás, que ninguém sabe, mas isso não importa. É perigoso. É desconhecido e deve ser combatido. Afinal, imagine só se esses 12 anos de PT fossem interrompidos? Que crime! Que absurdo! A democracia estaria em xeque, vez que uma pequena porção da população (no mínimo, a metade dela - 100 milhões de pessoas) que não concorda com a patifaria institucionalizada, estaria estimulando o caos generalizado. - Ilegítimos! Esses 50% são ilegítimos, malucos, retrógradas. Fascistas.

Pois bem. Quanto a essa outra metade da população, composta por "coxinhas loucos" e gente que "não estudou o suficiente", almejam também ordem, mas uma outra espécie. Quando falamos em ordem, há que se projetar a sua inserção em um determinado contexto para que qualquer discussão não conceitual possa se iniciar. Na perspectiva desta outra metade da população, a ordem, portanto, já é violada há anos, há décadas. Trata-se da ordem moral. Dos valores individuais. Trata-se do caráter. Procuram combater a inversão de valores estabelecida, que caminha de mãos dadas com a máxima socialista de que "os fins justificam os meios".

Ora, é legítimo desviar pilhas de dinheiro (estamos a chegar na casa do trilhão), financiar seus camaradas e até mesmo arraigar vínculos com cafetões empreiteiros valendo-se da propaganda da justiça social? É legítimo o indivíduo se presentear tomando posse de dinheiro público por ter atuado como catalisador da igualdade social?

Enquanto os colocadores de pano valorizam algo passageiro, prepotente, imperfeito, megalomaníaco, impossível; os descontentes querem liberdade, independência, autonomia. Querem poder julgar aqueles que foram colocados na chefia assim como são julgados cotidianamente pela vida, porque é assim que as coisas funcionam. O próprio Vaticano sempre torna a ser atacado em razão dos atos cometidos por indivíduos a ele vinculados, por que então os defensores da igualdade social possuem foro privilegiado na questão? Reconhecimento da sociedade virou garantia prevista por lei e eu não estou sabendo?

Vocês, esquerdistas em geral, deveriam deixar a hipocrisia de lado e começar a pesar a questão da responsabilidade individual, porque é de uma soberba imensurável a ignorância deliberada à complexidade de uma vida humana e as decisões que a acompanham. Perpetuar tal ignorância em pró de algo extremamente maior e tão abstrato tal como é um Estado onipresente, onipotente, chega a ser algo criminoso.

Diego Leonardo do Amaral - estudante de Direito na Instituição Toledo de Ensino

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