Fotos: Divulgação |
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Lista com 16 itens em falta; sem papel toalha, pacientes usam papel higiênico para secar as mãos |
As Unidades de Pronto Atendimento (UPA) têm como objetivo primordial resolver grande parte das urgências e emergências e foram criadas para diminuir as filas nos prontos-socorros. Porém, a UPA do Bela Vista, em Bauru, não tem cumprido bem tal função. Além da falta de médicos aos fins de semana já publicada no Jornal da Cidade, agora até medicamentos e materiais hospitalares essenciais para qualquer unidade hospitalar estão em falta.
A reportagem obteve imagens de uma lista do almoxarifado que informa os itens que a unidade não possui. Nela, consta a falta de três tipos de medicamentos sólidos, como ácido acetilsalicílico (AAS), dois tipos de medicamentos psicotrópicos, como colírio anestésico. Já os injetáveis são nove tipos, entre eles dipirona e soro fisiológico. E o mais inacreditável: faltam agulhas descartáveis, cateter intravenoso, papel toalha, papel higiênico e até caixas para o descarte de agulhas.
De acordo com um funcionário que pediu para ter a identidade preservada, os medicamentos e materiais estão em falta desde janeiro deste ano. “Quem sofre é a população. Dipirona é um dos medicamentos mais usados. Tentamos substituir para paracetamol, mas quem é alérgico não pode tomar. Até AAS (aspirina) está em falta e é usado para quem sofre infarto. Está complicado”, desabafou.
Quem entra na sala de triagem para ser atendido se depara com a falta de uma caixa própria para descarte de agulhas, lâminas e outros materiais perfurantes e cortantes. A caixa é uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para improvisar, enfermeiros colocaram as agulhas em garrafas de álcool ou detergentes.
“Como precisamos descartar as agulhas usadas para ver a glicemia, tivemos que pegar duas garrafas de plástico de álcool. Mas quem é da área sabe que isso é proibido pela Anvisa e, se a Vigilância Sanitária vier, poderemos ser notificados. Teve dia que nem galão plástico tinha e trouxe de casa”, contou outra funcionária, que também pediu para não ser identificada.
Ainda na sala de triagem, o paciente também não encontra papel toalha para limpar as mãos. “Além da UPA do Bela Vista, outras UPAs também estão com materiais em falta. Eu pergunto até quando nós veremos nossos dinheiros indo para o ralo?”, indagou.
‘Falta entregar’
O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), Luiz Antônio Sabbag, confirmou a falta de medicamentos e materiais, mas explicou que todos já foram comprados. “Existe essa falta, mas não porque não temos dinheiro, pois todos foram comprados. O que ocorreu foi que as empresas não entregaram os lotes por algum motivo e iremos apurar o que pode ter acontecido”.
Sabbag afirmou que, quanto ao dipirona, foi comprado um lote com urgência. “Estamos comprando com verba de adiantamento o dipirona, porque as empresas não entregam o lote imenso e ele é muito utilizado”.
Já em relação às agulhas descartáveis sendo colocadas em garrafas, Sabbag afirmou que foi uma maneira encontrada pelos funcionários para o descarte. “O problema seria se fossem jogadas no lixo comum, mas não estão sendo. Foi uma maneira de encontrar um lugar seguro”, argumentou.
Agora, as empresas que não entregaram os itens serão notificadas. “Havia sido prometido por parte delas entregar todos esses itens na semana passada e não foram entregues. Essa semana vamos apertar para que entreguem o mais rápido possível e estamos tomando as atitudes necessárias. Certamente iremos notificá-las”, disse o diretor.
No fim da tarde de quarta-feira (11), a pasta afirmou que parte do material finalmente chegou.
No fim da tarde...
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informa que, quanto à falta de alguns materiais e medicamentos na rede municipal de Saúde, o fato ocorreu devido às férias coletivas em empresas fornecedoras e, em seguida, pela greve dos caminhoneiros, cujas entregas começaram a ser normalizadas no mês de fevereiro.
Ainda na quarta (11), a Secretaria afirma ter recebido parte do material aguardado e, após a conferência, até o fim da tarde, o setor responsável deveria abastecer as unidades, incluindo a UPA Bela Vista. As compras foram realizadas entre o final de 2014 e início de 2015, através de processo de licitação.

