João Rosan |
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Monti: “A preocupação estará concentrada nos serviços de saúde” |
O que já era alarmante, agora ganha contornos ainda mais graves. Na tarde de quinta-feira (12), a prefeitura de Bauru confirmou as três primeiras mortes por dengue neste ano. Todas as vítimas possuíam idade avançada, fato que acende um alerta para esse público. Em epidemia desde fevereiro, a cidade confirmou, nesta quinta, 147 casos de dengue em um só dia. Até o momento, o município possui 827 ocorrências, sendo 794 autóctones e 33 importadas. Em 2014, foram registrados 432 casos. Desse número, 380 eram autóctones, 52 importados e nenhuma morte.
O primeiro óbito foi de um homem de 80 anos, que morava no Jardim Santana. Ele começou a ter os sintomas no dia 28 de fevereiro e morreu em 6 de março. O segundo caso foi de uma mulher de 73 anos, que vivia no Jardim Carolina, desenvolveu os sintomas a partir de 27 de fevereiro e faleceu no dia 7 de março. O último óbito foi de um homem de 74 anos, morador do Octávio Rasi. Ele começou a sentir os sintomas no dia 2 de março e morreu após oito dias.
As três pessoas que morreram por dengue tinham algo em comum: a idade avançada. De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde e médico infectologista, Fernando Monti, os idosos são mais vulneráveis à dengue, porque têm o sistema imunológico mais debilitado. “Além disso, os idosos são mais suscetíveis à desidratação provocada pela doença, o que explica o fato de eles terem evoluções mais críticas em relação aos mais jovens”, justifica.
Desde 2013, a cidade não tinha mortes por dengue (veja no quadro abaixo).
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Monti acrescenta ainda que a quantidade de casos e a evolução para ocorrências mais graves são fenômenos independentes, mas afirma que quanto mais registros da doença, maior a probabilidade de haver complicações. Diante disso, a preocupação da pasta estará concentrada nos serviços assistenciais de saúde na cidade, sejam eles públicos ou particulares.
“Vamos fazer um levantamento dos casos para saber se, no atendimento, houve alguma vulnerabilidade, como uma medida terapêutica que poderia ser tomada e não foi. Temos de prevenir a rede de saúde no sentido de, mesmo tendo dengue, tentar evitar que a doença evolua para forma mais grave até chegar ao óbito”, aponta.
Das três vítimas fatais, duas foram tratadas na rede privada e uma na pública.
Liraa
Na quinta (12), o Ministério da Saúde divulgou o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa) em 1.844 municípios brasileiros, mas Bauru não está entre eles. Daniel Godoy Tarcinalli, diretor da Vigilância Ambiental, explica que deu prioridade para o combate à dengue propriamente dito. “É inviável parar toda a equipe por 15 dias só para fazer esse levantamento, já que a cidade passa por uma epidemia”, acrescenta.
Outro município que passa pela mesma situação que Bauru é Marília (100 quilômetros de Bauru), já que também não participou do Liraa mais recente. Lá, já foram confirmados 7.240 casos da doença, seis óbitos confirmados e outros nove sob suspeita. Já na região de Bauru, sete municípios estão em situação satisfatória, seis em alerta e dois em risco.
Epidemias e mortes
Bauru passa pela quarta epidemia de dengue da história. Na primeira delas, em 2007, foram confirmados 2.064 casos da doença, mas não houve morte. Em 2011, a cidade registrou 4.360 ocorrências e as seis primeiras mortes da história.
Dois anos depois, outra epidemia. Dessa vez, foram confirmados 7.742 casos de dengue e duas mortes. Na tarde de quinta (12), a prefeitura atestou as três primeiras mortes pela doença deste ano.
Água parada em vários pontos amplia o perigo
João Rosan |
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Na quadra 20 da Nações, buracos nos canteiros acumulam água |
Entre as ruas Vereador Joaquim da Silva Martha e Araújo Leite, no Centro, em Bauru, uma boca de lobo entupida estava acumulando água parada. Questionado sobre o fato de o local ser um criadouro potencial do mosquito transmissor da dengue, o diretor da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Daniel Godoy Tarcinalli, explica que pode acontecer.
“Por mais que a água esteja aparentemente suja, pode haver um pouco de matéria orgânica. Ela facilita o desenvolvimento das larvas do Aedes aegypti”, acrescenta o diretor da Vigilância Ambiental. Para evitar que o pior aconteça, a Secretaria Municipal de Obras informa, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, que fará a limpeza da boca de lobo ainda nesta semana.
Já nas proximidades da quadra 20 da avenida Nações Unidas, na região da Vila Universitária, alguns trechos do canteiro estão esburacados e acumulam a água das chuvas.
No entanto, Tarcinalli argumenta que o líquido é drenado pelo solo muito rápido, fato que dificulta o desenvolvimento do mosquito transmissor da dengue por lá. “O Aedes prefere aquelas residências que têm criadouros e muitas pessoas por perto”, finaliza.


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