Henrique Costa/Bauru Basket |
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O ala Gui Deodato durante a comemoração do título na quadra do Maracanãzinho: “Chegar a um momento como este é algo único” |
A cada campeonato conquistado, a expectativa da torcida do Paschoalotto/Bauru só aumenta. Afinal, até onde poderia chegar esse Dragão que em pouco tempo começou a ganhar tudo o que vem disputando? Campeonato Paulista em 2013, depois o segundo título estadual seguido em 2014, e logo em seguida, um feito ainda maior, a Liga Sul-Americana. Pouco depois, o time ainda venceu os Jogos Abertos do Interior em Bauru.
Entrou 2015, e dando sequência à temporada, o time venceu a Copa dos Campeões das Américas (título simbólico dos dois jogos do NBB contra o Flamengo, uma vez que Bauru era o então campeão sul-americano e o Rubro-Negro o campeão das Américas), e no último domingo, um feito que colocou Bauru no topo do continente: a Liga das Américas.
Para dizer que é ‘campeão de tudo’ na temporada, o Dragão terá dois desafios: o próprio NBB, onde está invicto há 20 rodadas, voltando a jogar na sexta-feira, diante do Palmeiras, fora de casa, e em abril a nova edição do Torneio Interligas Brasil-Argentina, que volta após alguns anos sem ocorrer. Desta vez, será em Foz do Iguaçu, no Paraná. O Mundial, que agora se torna mais um alvo dos bauruenses, já será fora da temporada 2014/15, pois vai acontecer em setembro ou outubro contra o campeão europeu. A diretoria de Bauru foi informada pela Fiba que os dois jogos do Mundial serão novamente no Brasil, com possibilidade de ser no Ibirapuera, em São Paulo.
O ala Gui Deodato, único bauruense ‘da gema’ no atual elenco e o único jogador que está desde o primeiro dia do atual projeto, iniciado em fevereiro de 2008, resume o sentimento geral. “Dá para fazer um paralelo com o bordão da cidade, que é o Sem Limites. A gente pode ir muito longe, se pensar que temos só cinco meses de trabalho com essa formação e já alcançamos muita coisa”, definiu.
Trajetória
O ala descreveu ainda brevemente o percurso desde o recomeço do basquete profissional masculino na cidade. “Eu vi o começo de tudo lá em 2008 no ginásio da Luso, a gente treinando no ginásio cheio de andaime porque precisavam reformar tudo a tempo de começar a Supercopa (primeiro campeonato que Bauru disputou ao retomar as atividades, há sete anos), e chegar a um momento como este é algo único”, afirma.
Da casa
Após Gui Deodato, quem mais tempo tem de casa é o armador Larry Taylor. Ele chegou a Bauru em 8 de agosto de 2008, para a disputa do primeiro Campeonato Paulista do Dragão após a retomada do time profissional, sendo apresentado em uma sala ao lado do antigo ginásio da Luso, e praticamente sem arriscar nada do nosso Português. Aos poucos, foi ganhando a simpatia de todos, aprendendo o nosso idioma, até despertar a atenção do técnico da seleção brasileira, Rubén Magnano.
Larry deu entrada no processo de naturalização, que foi concluído em 2012, a tempo de disputar as Olimpíadas de Londres. Ganhou até título de cidadão bauruense. O Alienígena, como é conhecido, falava até 2013 que faltava apenas uma coisa para coroar sua história na equipe: um título expressivo. E ele veio no final daquele ano, com a conquista do Estadual. Depois, as conquistas não pararam. “Esse último ano foi maravilhoso para nós, mas ainda não terminou, tem o NBB pelo frente, que a gente quer ser campeão. Vamos comemorar esse título da Liga das Américas, mas já focar depois no NBB”, comenta.
Fôlego
O técnico Guerrinha foi o comandante de Bauru em todos os seus principais títulos, tanto no atual projeto, como também na era Tilibra/Copimax (campeão paulista de 1999 e brasileiro de 2002). Para ele, não dá para mensurar o quanto um time pode se superar a cada torneio. “A gente tem que lembrar que o ser humano tem sempre aquele segundo fôlego, aquele algo a mais, e pode surpreender sempre, chegar longe. A nossa equipe está se superando a cada campeonato, como agora, que mesmo sem um jogador como o Jefferson, soube atuar contra os adversários. Temos condições de seguir bem no NBB e chegar bem também no Mundial, daqui a alguns meses”, relata. “A cabeça pode estar nas nuvens, mas a gente sempre deve manter os pés no chão”, filosofa o treinador.
Reforço no Mundial
O ala/pivô Jefferson emocionou a todo o elenco ao chegar de surpresa no Rio de Janeiro momentos antes da final da Liga das Américas, no domingo. Mesmo sem poder atuar, por conta de uma lesão no tornozelo direito, o jogador fez questão de estar junto de seus companheiros. “Para mim é um momento difícil também, nunca tive uma lesão grave, ou algo que me deixasse fora de uma final. Mas eu estou junto com o time sempre”, relatou. A cirurgia no tornozelo direito foi bem sucedida, na semana passada. “Deu tudo certo na operação e em 20 dias começo a fisioterapia. Para jogar é um processo longo, mas para o Mundial, em setembro, eu já estarei em condições.”
Tour na NBA?
Durante a final de domingo (15), era forte o rumor de que o Paschoalotto/Bauru será o segundo time brasileiro a ser convidado pela NBA para disputar amistosos de pré-temporada nos Estados Unidos, contra equipes da liga norte-americana. Em 2014, o convidado foi o Flamengo. Recentemente, a Liga Nacional de Basquete (LNB) do Brasil e a NBA firmaram parceria que envolve, entre outros aspectos, ações de marketing e integração das ligas, incluindo algumas partidas amistosas de pré-temporada, sempre entre agosto e setembro.
Os títulos internacionais conquistados de maneira invicta na temporada – Sul-Americana e Liga das Américas – e a grande campanha no Nacional (NBB), onde lidera com 20 jogos de invencibilidade, são fatores favoráveis.
