Diego Santos/Bariri Rádio Clube/Divulgação |
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Polícia Científica esteve no local do crime; vítima foi morta com diversas facadas no pescoço |
Uma mulher de 35 anos foi morta a facadas pelo companheiro em Bariri (56 quilômetros de Bauru) e o caso foi registrado como feminicídio, o segundo da região em apenas três dias. O primeiro ocorreu em Macatuba na quinta-feira (12).
A morte de Ângela Aparecida de Carvalho ocorreu após discussão entre o casal por causa de drogas. Ela investiu no parceiro com uma faca dizendo que ele havia consumido a sua porção de cocaína. Anderson Alexandre da Silva, 21 anos, conseguiu desarmá-la e cometeu o assassinato. No dia seguinte, ele se entregou à polícia e disse estar arrependido.
O crime ocorreu por volta das 20h de anteontem, na residência dos dois, localizada na rua Alaíde Orsolano Cardoso, Núcleo Domingos Aquilante. De acordo com o chefe do setor de investigação da Polícia Civil de Bariri, José Da Dalto, o casal estaria sob efeito de entorpecente no momento da briga.
“O rapaz contou que comprou duas porções da droga e, de repente, a mulher o acusou de ter consumido parte da cocaína que era dela. Por isso, se descontrolou, pegou uma faca na cozinha e partiu pra cima dele”, explicou Da Dalto.
Ainda segundo ele, Anderson chegou a ser atingido na mão direita, mas conseguiu tomar a faca da companheira. “Ela correu para sala, onde foi esfaqueada pelo parceiro com vários golpes no pescoço”, acrescentou. Ângela não resistiu aos ferimentos e morreu na local.
‘Chorando’
No dia seguinte ao crime, por volta das 9h, Anderson foi até a delegacia da cidade para se entregar. “Ele chegou chorando, visivelmente abalado, e contou que teria matado a companheira a facadas e que o corpo dela estava na sala da casa. Disse estar arrependido”, relatou Da Dalto.
Equipes das Polícias Civil e Científica foram até a residência e encontraram a vítima já sem vida. “Tinha muito sangue e diversos ferimentos no pescoço”, acrescentou o policial. Após o trabalho de perícia técnica, o corpo de Ângela foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Jaú.
Feminicídio
Segundo informou a Polícia Civil, o caso foi registrado pelo delegado Marcílio César Frederici como homicídio qualificado por motivo fútil e violência doméstica, com agravante de feminicídio. A pena, com base na nova lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira passada (9), pode saltar de 12 e 20 para até 30 anos de reclusão.
Anderson teve a prisão preventiva decretada no final da tarde de ontem e seria encaminhado para a Cadeia Pública de Barra Bonita, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Outro caso
Conforme o Jornal da Cidade publicou, o primeiro caso de feminicídio registrado na área do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), que abrange 89 cidades da região, ocorreu na quinta-feira (12), em Macatuba. Luciana Aparecida dos Reis, 23 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido, Fábio Pereira Sander, 28 anos. Ela foi agredida na frente do filho do casal, de apenas um ano e meio. O acusado tentou impedir o socorro da vítima e vizinhos precisaram intervir. Luciana foi levada com vida ao hospital, mas não resistiu. Em depoimento à polícia, Fábio não demonstrou arrependimento e chegou a declarar que a intenção era matar a ex-mulher e o atual namorado dela, que conseguiu escapar sem ferimentos.
Lei nova
O crime de feminicídio passou a ser considerado hediondo após a presidente Dilma Rousseff sancionar, há uma semana, a lei 8.305/14, que modifica o Código Penal e inclui o crime entre os tipos de homicídio qualificado.
O texto prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos 3 meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou adulto acima de 60 anos ou, ainda, contra pessoa com deficiência. A pena é agravada também quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima.
