Cultura

Elis Regina faria 70 anos hoje e ganha site, livros e filmes

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 4 min

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Um ponto positivo é que a família de Elis deu total liberdade para o autor contar a história mais próxima possível da realidade

Os fãs seguem sonhando os sonhos mais lindos. Tanto que, em que pese a tragédia da ausência, nesta terça-feira (17) é dia de comemorar, em verso e prosa, a vida da “pimentinha” Elis Regina. “Pimentinha” foi apelido dado a ela por Vinicius de Moraes. Outros presentes ela ganha pelos 70 anos que completaria: um site, livros, filme, além de homenagens.


Hoje, portanto, será oficialmente aberto o site https://www.elisregina.com.br. Ali, ficarão hospedados discos, fotos e vídeos da artista. Elis também inspirou uma nova e elogiada obra: “Elis Regina – Nada Será Como Antes” (Master Books), de Julio Maria, a partir de 130 entrevistas.


Um ponto positivo é que a família de Elis deu total liberdade para o autor contar a história mais próxima possível da realidade. Inclusive cravando que foi álcool (apesar de haver cocaína por perto) a causa da morte, num quarto, ocorrida quando Elis tinha 36 anos, em 19 de janeiro de 1982, em São Paulo. Julio Maria recuperou o inquérito policial da época para fazer tal constatação ao mesmo tempo em que afasta hipótese de suicídio.


Para quem gosta de comparações, já havia no mercado o livro “Furacão Elis”, de Regina Echeverria, originalmente lançado em 1985 e relançado em 2012. Na obra, há uma citação do diretor de TV, Fernando Faro: “Elis morreu de inocência”.


Estrela inteira


Nascida em Porto Alegre em 16 de março de 1945, ano em que o também gaúcho Getúlio Vargas foi deposto e as mulheres pela primeira vez votaram para presidente (vencedor foi Eurico Gaspar Dutra), Elis rapidamente brilhou nos palcos e estúdios. Ela e Jair Rodrigues fizeram, ainda, muito sucesso com o programa “O Fino da Bossa”, da Record.


Elis, que não era compositora, notabilizou-se em gêneros distintos e consagrou autores com sua voz pungente. Sucessos da “estrela da vida inteira”, como já foi chamada, são dezenas: “Arrastão” (vencedor, com ela, do  1º Festival da Música Popular Brasileira, da TV Excelsior ), “Upa Neguinho”, “Me Deixas Louca”, “Aprendendo a Jogar”, “Como Nossos Pais”, “Fascinação, “Madalena”, “Dois Pra lá, Dois pra Cá”, “Nada Será como Antes”, etc.


O dueto de Elis com Tom Jobim em “Águas de Março”, em 1974, é considerado perfeito. E, em 2009, graças à tecnologia, Milton Nascimento “cantou” com Elis “Golden Slumbers/ Carry That Weight”, dos Beatles. A primorosa versão está disponível no YouTube.


Mas não acabou: no segundo semestre deste ano deve ser relançado “Elis” (álbum de 1972), que tem “Casa no Campo”. Paralelamente, um longa sobre a artista começará a ser rodado – com direito a Nelson Motta no roteiro. Também uma biografia musical está a caminho.


Lembrando que, em 2013, o espetáculo “Elis, A Musical” emocionou gerações nos teatros, também com texto de Motta (setentão como seria Elis). E ainda teve Maria Rita cantando obras eternas da mãe em concorrido show no ano passado.


Maria Rita chegou a dizer que, por fazer canções consagradas por Elis, passou a brincar mais com a própria voz e a “ir além”. Pelo jeito, Elis (tema do Carnaval vencedor da Vai Vai) está longe de ser esquecida. Artística e afetivamente, nem um pouco morta: vai além disso tudo.

Uma Elis Regina de Bauru

Malavolta Jr.

Elis Regina de Paula ganhou o nome por causa da tia, fã de Elis

“Eu nasci no dia 17 de julho de 1967. Naquela época, não se sabia o sexo dos bebês até que eles viessem ao mundo. Quando a minha mãe estava grávida, a irmã dela (já falecida) queria porque queria que ela me chamasse de Elis Regina, caso nascesse uma menina. Minha mãe acabou cedendo, já que minha tia não podia ter filhos.


Tanto a minha mãe quanto a irmã dela eram fãs de Elis Regina, mas a minha tia gostava muito mais. Quando eu fiquei um pouco mais velha, as duas me explicaram que o meu nome era uma homenagem à cantora. Aí eu comecei a pegar gosto pelas músicas que ela cantava e a minha preferida é ‘Alô, Alô, Marciano’, porque sinto uma paz enorme quando ouço.

No entanto, não sou muito parecida com a Elis original. Muitas pessoas aqui em Bauru dizem que tenho a simpatia dela, mas só isso mesmo. E cantar, só no banho.”


Elis Regina de Paula, 47 anos, auxiliar de serviços gerais, em depoimento à repórter Cinthia Milanez

‘Uvardente’


“...Saliente, a língua lava os lábios

da uvardente dos barris

Pungente, a voz, me lembra Elis...

Fermenta, uvinha... ferve pimentinha...

Boca no teu buquê,

tua prenda minha desarrolha o meu prazer...”


Trecho da música “Uvardente”, de Taiguara

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