Foi marcada por protestos a sétima sessão ordinária do ano na Câmara Municipal de Bauru, nesta segunda-feira (16). Apesar de não subirem à tribuna, servidores municipais utilizaram cartazes e faixas para expressar ao Legislativo o descontentamento da categoria frente à possibilidade de reajuste zero, aventada na última semana pelo secretário municipal de Finanças, Marcos Garcia, por conta da arrecadação estagnada no cofre municipal.
Uma assembleia marcada para esta quinta-feira (19), às 18h, na sede do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), decidirá se a categoria irá ou não deflagrar greve a partir da próxima segunda-feira (23).
Além de 10% de aumento real acrescido por mais 7,2% referente à inflação, os servidores protestam contra a ação movida pelo próprio município, com base em súmula do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o benefício do vale-compras dos aposentados e pensionistas, nas últimas semanas.
Propostas
Representante do prefeito no Legislativo, o vereador Markinho da Diversidade (PMDB) usou quase que a totalidade do seu discurso na tribuna para dizer que Rodrigo Agostinho, juntamente com o secretário, conversará pessoalmente com os manifestantes nesta quarta-feira, um dia antes da assembleia da categoria, para apresentar uma proposta e pedir mais tempo aos servidores, no intuito de evitar a greve.
Segundo Markinho, o Executivo irá propor na reunião a substituição do valor do vale-compras por um abono não incorporável aos salários para os funcionários que ganham até R$ 2.300,00. Essa mesma proposta já havia sido antecipada pelo secretário de Finanças em entrevista ao JC, nos últimos dias.
“Em relação ao aumento salarial, o prefeito pedirá que os servidores aguardem o fechamento do primeiro quadrimestre de 2015 para a negociação de porcentagens”, completa o vereador.
A diretoria do Simserm, no entanto, antecipa que a categoria já rechaçou a possibilidade de espera até o final de abril para obtenção de uma resposta por parte do Executivo, assim como também a proposta do reajuste zero neste ano.
A expectativa do Sinserm é de que ao menos a correção da inflação seja oferecida durante a reunião desta quarta (18). Ainda durante a sessão da Câmara desta segunda-feira (16), vereadores como Carlão do Gás (PR), Moisés Rossi (PPS), Artemio Filho (PMDB) e Telma Gobbi (PMDB) mostraram-se solidários às reivindicações dos servidores em seus discursos.
Paralisações
O Sinserm alerta ainda para o início das paralisações, que devem ocorrer a partir desta terça-feira (17) em alguns serviços e podem durar de uma a até três horas.
“Teremos nesta terça-feira um ato a partir das 8h em frente à prefeitura, do qual devem participar o pessoal do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e o pessoal do DAE (Departamento de Água e Esgoto). O outro está marcado para quarta-feira, no mesmo lugar e horário, e reunirá os coletores”, afirma Sônia Carvalho, diretora do Sinserm.
Na quinta-feira, haverá ainda um outro ato em frente ao almoxarifado central da prefeitura, no Jardim Redentor, organizado pelas merendeiras escolares.
“Não temos mais o que aguardar, o prefeito teve doze meses para pensar e evitar transtornos para o município. Pelo que sabemos, não há uma perspectiva de aumento e o pessoal não quer esperar. Mas, por enquanto, haverá apenas atraso, não a suspensão dos serviços”, pontua Valdecir Rosa, que também é um dos 30 diretores do Sinserm em Bauru.
Rosa frisa que o sindicato aponta como saída ao Executivo, como forma de atender à reivindicação dos quase sete mil servidores, a venda do prédio da antiga estação, o fechamento da Cohab, a dispensa de funcionários contratados por apadrinhamento político e a suspensão de obras como a revitalização da praça Rui Barbosa.
Repercussão do 15 de março
As falas na tribuna ao longo da sessão na Câmara, na segunda (16), também foram tomadas por elogios aos protestos contra a corrupção e o governo federal, que tomaram as ruas de Bauru e do país, no último domingo.
Paulo Eduardo Souza (PSB) e Fernando Mantovani (PSDB) foram os que teceram as críticas mais contundentes ao governo federal.
Também elogiaram os protestos Telma Gobbi, Arildo Lima Júnior (PSDB), Artemio Caetano, Raul Gonçalves de Paula (PV) e Roberval Sakai (PP).