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Transparência

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 3 min

Os homens de bem, almas preocupadas com o bem-estar coletivo, possuem dentro do seu rol de virtudes uma que, sinceramente, considero a mais bela de todas: transparência. Exatamente, os homens de bem são transparentes em suas atitudes, em suas palavras e na forma de proceder perante a vida. Se dizem sim é porque estão gostando, se falam não é pela razão de que não gostaram. Com eles não há costuras, dissimulações, fingimentos e teatro. Quando estão na tarefa de liderar uma equipe, ganham seus coordenados pela honestidade de suas ações e conseguem atrair para si até aqueles que não comungam de suas ideias, mas que, pelo exemplo, são forçados a respeitar. Imagino a revolução quando estivermos vivendo em um mundo repleto de homens transparentes.

Políticos não enganarão. Maridos e esposas jamais trairão, porquanto ao findarem-se os sentimentos serão transparentes uns com os outros. Empresários deixarão de sonegar impostos e maquiar preços. Trabalhadores jamais dirão que fazem o que nunca fizeram. Especuladores perderão a sua vez. Enfim, se queremos realmente um mundo melhor se faz preciso um mergulho íntimo e uma mudança de nossas atitudes que, adianto, não virão sem as dores iniciais da mudança porque, convenhamos, mudar dói. E por falar em dores... Recordo-me de marido que, cansado de ser infiel, decidiu jogar limpo com a esposa. Quando ela perguntou-lhe onde estava, respondeu sem pestanejar: com outra mulher! Nem é preciso dizer que ele perdeu a esposa, contudo, ganhou paz de consciência, pois ter que representar o estava deixando cansado.

Aqueles que decidirem ser transparentes em suas relações, sejam amorosas, de amizade ou familiar poderão experimentar alguns embaraços no começo, no entanto, passado o trabalho inicial terão consigo uma vida mais leve e sem ter a preocupação de representar. Ganharão em qualidade de vida e certamente terão uma fonte de estresse a menos. Arrisco a dizer que a crise econômica que estamos mergulhados tem muito a ver com a falta de transparência dos políticos e também da população. Políticos. para perpetuarem-se no poder. andam de mãos dadas com a falta de transparência. Afinal, como eleger-se abrindo o jogo do que realmente se passa para a população?

A população, porém, tem também sua parcela de responsabilidade ao querer passar aos outros uma vida nada transparente e que, não raro, inflaciona o mercado por conta das extravagâncias de quem quer mostrar-se como não é. Quantas vezes inflacionamos o preço de determinado bem que não é necessário para nós? E muitas vezes nem termos grana para comprá-lo, todavia gastamos o que não temos apenas para mostrar um poder de consumo que, não raro, arrebenta nossa conta bancária.

Quem não quer apresentar uma vida de fachada, por exemplo, não gasta em demasia, não se endivida para andar com o carro da moda, não se empolga com as aparências... Vive de forma transparente, sem representações monetárias... Enfim, buscamos saídas fora quando, em realidade, a chave que abre as portas do sucesso está em nossa mente. Basta girarmos o cérebro e iniciarmos o processo de reflexão que nos levará a compreender que é bem melhor ser transparente para evitar depois o que chamamos de retrabalho, ou seja, fazer de novo as lições da vida que não foram bem realizadas. Caso não compreendamos isso, as situações de nossa vida irão se repetir até o dia em que aprenderemos a trabalharmos em nós a transparência, essa virtude tão presente nos homens de bem e tão ausente na sociedade hodierna.

O autor é colaborador de Opinião

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