Alex Mita |
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Youssef Abou Chahin, delegado geral de polícia do Estado |
Em um futuro não muito distante, a Polícia Civil pretende implantar um sistema de inquérito eletrônico, parecido com o que já é feito com os boletins de ocorrência (BOs). O anúncio foi feito pelo delegado geral de polícia do Estado de São Paulo, Youssef Abou Chahin, que assumiu o cargo em janeiro deste ano e veio a Bauru nesta quarta-feira (18) para conhecer os colegas e as instalações, além de traçar as linhas de trabalho.
Para fazer um teste, a partir do mês de abril, duas delegacias da Capital começarão a remeter somente os flagrantes por meio eletrônico. Já a adaptação do sistema no restante do Estado será feita de maneira gradativa, porque o procedimento exige a compra de certificações digitais, que se equivalem às assinaturas dos delegados nos autos. “Em todo o Estado, serão necessárias mais de 12 mil assinaturas. Por enquanto, compraremos 12”, acrescenta Chahin.
O sistema deverá entrar em sintonia com aquele que a Justiça utiliza. Caso contrário, sua existência não faria sentido. Uma questão é o que fazer para evitar falhas, como as registradas recentemente no sistema da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), que abriga os boletins eletrônicos. “Problemas técnicos existem, mas os investimentos estão aí para que isso seja evitado ou a solução seja rápida”, pontua.
Se tudo der certo, o sistema será liberado para as demais delegacias da Capital e depois partirá para o Interior. “Em Bauru, nossa unidade de inteligência artificial está se aperfeiçoando. Por concentrar todas as delegacias em um só lugar, nossa Central de Polícia Judiciária (CPJ) dá condições de implantar esse sistema”, pontua o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4), Marcos Burraj Mourão.
O delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, concorda. “Nas dimensões de Bauru, a CPJ é pioneira no Estado. O movimento por lá é grande, já que são registrados, em média, 80 boletins por dia e a movimentação de 300 inquéritos policiais por mês. Portanto, existe grande possibilidade de que a instituição seja a primeira do Interior a implantar o inquérito eletrônico, fato que proporcionará mais agilidade”, justifica.
Reunião
Durante toda a manhã, Youssef Abou Chahin participou de uma reunião com delegados da região, além de representantes das delegacias seccionais de Assis, Bauru, Jaú, Lins, Marília, Ourinhos e Tupã. O encontro aconteceu no Sest/Senat. Na hora do almoço, Chahin atendeu a imprensa e, na parte da tarde, iria conhecer as instalações da polícia. Depois, retornaria para a Capital.
“O objetivo da visita é passar a filosofia de trabalho da nova direção aos colegas, além de conhecer as instalações da polícia”, explica.
Chahin nasceu, foi criado e se formou na Capital, mas passou um tempo em Santos. Ele dedicou 27 anos à polícia e ficou 17 deles na Delegacia de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Lá, começou como piloto do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e chegou a diretor. Em janeiro deste ano, assumiu como delegado geral de polícia do Estado.
51% não criminal
De acordo com o delegado geral de polícia do Estado, Youssef Abou Chahin, de todos os registros policiais desde janeiro deste ano, quando ele assumiu o cargo, 51% não são criminais. A maioria dos boletins, portanto, trata sobre a preservação de direitos em casos como discussões entre vizinhos ou extravio de documentos pessoais.
Os dados foram levantados para que a polícia tenha uma noção do número exato de casos solucionados e investigados. “Todas as seccionais estão fazendo esse levantamento. A ideia é que, a partir dos dados, possamos aumentar o número de inquéritos criminais solucionados em todo o Estado”, justifica.
Déficit de efetivo policial ainda é o maior problema
Em visita a Bauru, o delegado geral de polícia do Estado, Youssef Abou Chahin, assumiu que o maior problema da Polícia Civil gira em torno do déficit de funcionários. Embora ele tenha anunciado a contratação de 2.281 policiais civis em todo o Estado, sendo 1.364 investigadores, 129 delegados e 788 escrivães, que deverão começar a trabalhar em setembro deste ano, o procedimento só suprirá a falta de servidores em 50%.
“No entanto, pretendo pleitear junto ao governo do Estado a contratação de mais profissionais do que prevê o edital, já que a lei permite. O intuito é chamar também as pessoas que foram aprovadas no concurso, mas não classificadas”, informa o delegado. Apesar de o número de novos servidores parecer grande, Chahin explica que eles terão de atender todo o Estado. “Obviamente, teremos de estudar quais serão os locais com mais necessidade”.
Para evitar desistências, o delegado propõe manter os policiais nas regiões onde construíram a vida. “Não adianta eu pegar um policial de Santos e mandar para Bauru. Ele vai ter de refazer a vida e pode desistir da carreira. Fora que é muito mais prazeroso você proteger a própria comunidade”, defende Youssef Abou Chahin.
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