A expressão "otimismo realista" foi pinçada no ano passado no Congresso Regional de Economia, realizado em Araçatuba pelo Conselho Regional de Economia. A leitura da economia brasileira, à época, era a de que o Brasil precisaria enfrentar seus desequilíbrios, fazer a lição de casa, com fortes ajustes, portanto, ser realista ao admitir as fragilidades da economia, e ao mesmo tempo ser otimista à medida que há consenso que o mercado brasileiro é potencialmente enorme, com inúmeras oportunidades para gerar riqueza.
Esta leitura se deu antes da reeleição da presidente Dilma. Após as eleições, eu pessoalmente mantive a leitura do "otimismo realista" à medida que o perfil de Joaquim Levy, que se tornou ministro da Fazenda, e de parte de sua equipe econômica, indicava confiança para conduzir com assertividade os ajustes necessários. Mesmo não concordando com boa parte das medidas no tocante ao ajuste fiscal anunciado pelo próprio Levy, o entendimento é que as medidas precisam ser implementadas. Mas então o que vem mudando o humor do mercado? Por que o controle econômico não é efetivo?
As respostas vêm da revisita ao "otimismo realista". A primeira questão é a morosidade na aprovação das medidas. No final do ano passado não era projetada a dificuldade em aprovar as medidas, como a enfrentada pelo governo. Na verdade, a presidente Dilma errou a mão. A composição de seu Ministério foi questionada e ainda a presidente não soube utilizar-se da base aliada para colocar no comando do Congresso Nacional gente afinada com seu governo. O ajuste não foi aprovado e, o que é pior, a operação Lava Jato, com as denúncias notadamente dos presidentes do Senado e da Câmara de Deputados, distanciou ainda mais o Executivo do legislativo. Há certo revanchismo no ar, gerando mais incertezas.
Então, o que muda? Na prática o tempo para a economia se recuperar. Com maior ou menor dificuldade o ajuste sairá. Se nesta fase os ajustes já estivem em prática, o horizonte para dar início a um novo ciclo na economia, mais próspero, seria menor. Do jeito que as coisas estão, este ano pode ser considerado perdido. A inflação permanecerá elevada, os juros subirão, o câmbio continuará pressionado e o governo tendo que fazer das tripas coração para oferecer ao mercado condições para retomada da confiança.
É para continuar otimista realista? Penso que sim, somente o período é que foi adiado, em vez deste ano, já no segundo semestre, começaremos gradativamente a ter melhores resultados a partir de 2016, consolidando a partir de 2017. Resta saber se teremos fôlego para suportar o que vem pela frente, mas é preciso manter o ânimo, sempre!
O autor é economista e articulista do JC