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Universidade de São Paulo tenta contornar a crise |
A Universidade de São Paulo (USP) em Bauru terá, em sua folha de pagamento, exatos 72 servidores a menos. A redução de 6,6% do quadro de funcionários não docentes, que teve início em fevereiro e atinge tanto setores da prefeitura do câmpus quanto da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e Centrinho, parte do Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), implantado no final de 2014 pela própria USP, como forma de tentar driblar a pior crise financeira de toda a sua história.
As direções das duas unidades da instituição, que realizam atendimento à população na cidade, FOB e Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, garantem, no entanto, que a alteração não causou grande impacto nas atividades até o momento e que os atendimentos também não foram reduzidos.
A realidade é confirmada pelo Sindicato dos trabalhadores da USP (Sintusp).
A entidade, contudo, critica outros improvisos de pessoal, que estariam sendo realizados no setor de esterilização de materiais odontológicos da FOB, onde uma auxiliar geral realizaria o trabalho sem supervisão técnica. Já o hospital, segundo o sindicato, estaria há vários meses sem médico infectologista (leia mais abaixo).
Corte
Vale lembrar que o PIDV é destinado apenas aos servidores técnico-administrativos da universidade. Na unidade de Bauru, os desligamentos ocorrem em três etapas. Em fevereiro deste ano, 50% do quadro de inscritos no PIDV, principalmente os ligados à funções administrativas, foram desligados.
A segunda leva de demissões deve ocorrer até o dia 31 de março e contemplará outros 25% do quadro de inscritos. A terceira e última etapa do programa de demissões ocorrerá até 30 de abril. No Centrinho, essa última etapa será destinada especificamente aos funcionários da área de assistência à saúde, como médicos, enfermeiros, dentistas, fonoaudiólogos e assistentes sociais e psicólogos.
No total, as demissões voluntárias resultaram em 12 desligamentos na prefeitura do câmpus, que possui um quadro total de 123 funcionários; 14 desligamentos na FOB, que possui 247 servidores; e 46 no Centrinho, que possui 708 funcionários.
Evitar impactos
A divisão em etapas foi feita justamente para evitar transtornos nos atendimentos das clínicas e hospitais, conforme explica a superintendente do Centrinho, Regina Célia Bortoleto Amantini. “Estamos reestruturando e remanejando o pessoal. Qualquer impacto só será percebido em maio”, comenta Regina.
Apesar disso, a superintendente admite que o PIDV resultou na saída do único neurologista do hospital e que a demanda clínica tem sido encaminhada para a rede de atenção básica. “Ele prestava um atendimento complementar. Nosso neurocirurgião continua aqui e ainda temos um quadro grande de médicos”, ameniza.
Quatro pediatras e um geneticista também deixaram a USP nos últimos meses.
Readequar
Quanto aos improvisos na faculdade e no Centrinho denunciados pela representante do Sintusp em Bauru, Claudia Carrer, a diretora da FOB, Maria Aparecida Machado, disse que uma técnica de enfermagem do Centrinho tem supervisionado o trabalho no local. “Com o PIDV, estamos readequando os setores e estudamos centralizar a esterilização”, detalha Maria.
Já a superintendente do Centrinho, Regina Amantini, diz que a comissão de controle de infecção hospitalar tem trabalhado sob a orientação online de uma infectologista do Estado. “O pedido de comissionamento de uma outra médica para atuar aqui vinte horas semanais está em trâmite na reitoria”, finaliza.