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Projeto do viaduto da Comendador fica mais longe de sair do papel

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

 João Rosan

Segundo Sidnei Rodrigues, obras só começam quando houver recursos para interligar vias no entorno

As obras do viaduto que irá transpor a linha férrea sobre a avenida Comendador da José da Silva Martha estão mais distantes de saírem do papel. Devido às restrições orçamentárias impostas pelo governo federal para controlar as contas públicas e à extinção da “pressa” para que a construção ficasse pronta em dois anos, não há previsão para que o projeto comece a se tornar realidade.


Segundo informações prestadas pela Secretaria Municipal de Obras e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a expectativa de ampliação do tráfego de trens em 2.700% no trecho, a partir de 2017, deixou de existir. O aumento decorreria da exploração de minério de ferro, que seria transportado de Corumbá (MS) até o Porto de Santos, mas a empresa chinesa interessada em importar o produto desistiu do negócio.


“Esse aumento de fluxo ocorreria somente por conta deste contrato, que acabou não sendo formalizado”, comenta o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.


Em reunião realizada ontem com representantes do Dnit, a pasta concordou com a execução do viaduto inicialmente projetado pelo departamento. Por contar com estrutura de terra armada, que demanda aterramento e construção de dois grandes muros paralelos sobre a avenida, a intervenção sofreu grande rejeição de entidades vinculadas às áreas de engenharia, arquitetura e urbanismo, bem como da própria prefeitura. O equipamento chegou a ser apelidado de “monstrengo”.


Sem que soluções fossem encontradas devido aos altos custos envolvidos para qualquer adaptação  significativa, agora a administração municipal decidiu aceitar a proposta inicial, desde que as obras sejam executadas com recursos federais. “Tínhamos pedido uma passagem sob o viaduto para garantir o acesso de um lado a outro, mas aquela região alaga com chuvas, além de ser parque ambiental. Então, achamos melhor manter o que foi proposto inicialmente”, pontua Rodrigues.


Sem recursos


Orçado em R$ 11 milhões, o projeto prevê que o viaduto sobre os trilhos da zona sul - assim como um outro sobre a linha férrea que passa pela rua Waldemar Pereira da Silva, no Distrito Industrial - seja custeado pelo Dnit. Mas obras complementares, como a interligação da avenida Vicente Aiello e da rua Benevenuto Tiritan à rotatória que será construída na Comendador Martha, são estimadas em mais R$ 8 milhões e teriam de ser contratadas pela prefeitura.


Na reunião de quinta-feira (19), que contou com a presença do chefe de engenharia da Superintendência do Dnit em São Paulo, Marco Antonio Blotta, a Secretaria de Obras se comprometeu a enviar um relatório ao departamento federal para detalhar quais investimentos seriam necessários para permitir o pleno funcionamento do elevado.


“Sem recursos para esta complementação, não há como começar nada, até porque temos de criar desvios para não travar o trânsito durante as obras, que devem durar dois anos. Iremos aguardar, até porque, por enquanto, não há previsão para liberação de dinheiro nem mesmo para a construção do viaduto”, frisa.


O relatório servirá para solicitar ao departamento o custeio da interligação do elevado com o sistema viário no entorno, embora, nos bastidores, a concretização deste convênio seja considerada improvável. Uma alternativa será recorrer ao Ministério das Cidades, que, ao menos neste ano, também não deverá oferecer qualquer “ajuda” financeira para esta finalidade.

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