João Rosan |
|
|
A universitária Mariana Dias com o aluno Arthur Bento e Souza |
Entender os benefícios da instituição de atividades lúdicas no aprendizado de quem tem síndrome de Down. Este é o objetivo de uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Mariana Aparecida Campos Dias, aluna do terceiro ano do curso de pedagogia, desenvolve seu Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) para ajudar quem tem a síndrome, cujo Dia Internacional é comemorado neste sábado (21).
Durante estágio curricular realizado na escola particular Alfa, Mariana conheceu o estudante com síndrome de Down Arthur Bento e Souza, atualmente com 11 anos, bem como as formas utilizadas em seu processo de escolarização.
Envolvida com a história do aluno, ela resolveu desenvolver seu TCC tendo como objeto o estudo de caso da criança. Mariana explica que, diante desta experiência e por se sentir muito motivada ao trabalho com atividades lúdicas - como jogos e brincadeiras -, resolveu unir as dificuldades observadas no estágio com o tema ludicidade. “A ideia foi desenvolver um projeto de intervenção sistematizado, visando verificar e descrever o resultado do trabalho desenvolvido, considerando a aprendizagem do estudante”, conta.
O objetivo da pesquisa é avaliar quais são os efeitos das atividades pedagógicas, organizadas de maneira lúdica, na aprendizagem dos alunos com síndrome de Down. Para Mariana, o aluno acometido pela alteração genética aprende com mais lentidão e, por isso, é importante iniciar o processo a partir do que a criança já sabe.
“Ela pode se desenvolver por meio das atividades que chamem sua atenção, inserindo nesse universo o trabalho lúdico”, diz. Com relação ao trabalho do professor, o planejamento das aulas na rede regular de ensino não deve ser diferenciado, já que deve atender a todos.
É importante, contudo, que professores e alunos se adaptem ao meio em que a criança inclusa está inserida. “Sabemos das dificuldades encontradas, portanto, é necessário que o professor faça um trabalho diferenciado com esse educando. Todo o trabalho deve ser desenvolvido aos poucos, não existe uma receita para isso. Devemos saber de todas as dificuldades que iremos encontrar”, reforça.
Para tanto, o trabalho deve ser conjunto, com apoio de profissionais que acompanham o aluno, como terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, entre outros profissionais.
Possibilidades
Para a orientadora do projeto, a professora Vera Lúcia Messias Fialho Capellini, coordenadora do curso de especialização em educação especial do Núcleo de Educação a Distância (NEaD) da Unesp, a importância do trabalho de Mariana se dá, primeiramente, devido à articulação entre teoria e prática que a aluna pode promover em sua formação inicial. Mas tem relevância, também, pela oportunidade de desenvolver um estudo que permitirá uma compreensão do ser humano a partir de suas possibilidades e não de suas limitações.
Professora da Faculdade de Ciências de Bauru, Vera Lúcia reforça que é preciso superar o senso comum de que, por exemplo, um aluno com síndrome de Down vai à escola apenas para se socializar. “Isto ocorre, sim, mas é papel da escola permitir que todos os alunos se apropriem do conhecimento produzido. A literatura aponta que uma prática pedagógica permeada pelo lúdico favorece este processo. O contexto da classe comum sempre será de heterogeneidade, assim, este projeto, sem dúvida, terá sua contribuição acadêmica e social”, finaliza.
Dedicado a um tema pouco estudado, o trabalho de Mariana tem como objetivo servir de referência para novas pesquisas, além de ser um apoio a professores e alunos no cotidiano escolar de alunos com síndrome de Down. A pesquisa da estudante ainda não foi concluída e tem previsão para ser entregue em dezembro deste ano.
21/3
A data de 21 de março como Dia Internacional da Síndrome de Down foi escolhida pela Associação Internacional da Síndrome de Down (Down Syndrome International) em alusão aos três cromossomos presentes no par de número 21 (21/3) que as pessoas com síndrome de Down possuem.
