Malavolta Jr. |
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Rodrigo Agostinho afirma nunca ter estado em situação confortável durante estes seis anos |
Quioshi Goto |
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Para o vereador Arildo Lima Júnior, a administração municipal está abatida |
Há um bom tempo o cenário político de Bauru não iniciava uma semana tão tensa quanto a atual. Um conjunto de circunstâncias contribuiu para tanto nervosismo. A greve dos servidores públicos municipais, prevista para ser iniciada amanhã, conturbou um contexto já complicado para o governo municipal. Ainda mais agora que os vereadores decidiram revogar seu próprio reajuste, alegando falta de transparência do governo local com as finanças. O Poder Executivo ainda tem sido alvo de contundentes críticas por insistir no aterro sanitário, já dado como “morto”.
Também tem sido, e será questionado nesta segunda-feira (23), em relação à gestão da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), cuja auditoria independente apontou uma situação que pode comprometer sua continuidade operacional. Até mesmo a divisão no Legislativo tem sido imputada ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Em muitas situações, oposição e situação assumem posturas uma da outra, em uma Casa com características de desorientação. O problema fica ainda mais denso por conta da insatisfação generalizada decorrente dos escândalos nacionais, que ajudaram a transformar 2015 em um ano de arrocho, aperto também sentido nos cofres municipais.
“Minha vida na prefeitura durante estes seis anos nunca foi fácil. A política em Bauru não é fácil. Não tem uma semana que eu tenha estado em uma situação confortável. Se existe desafio, temos de enfrentá-lo”, comentou ontem o chefe do Executivo. Sua postura frente às dificuldades da cidade deverá ser novamente atacada hoje, durante a sessão legislativa, sem pautas aparentemente polêmicas (leia mais abaixo).
Sessão
Nestes casos, os discursos políticos na tribuna ditam o tom do encontro. “Tem uma fragilidade por parte governo municipal. O que se vê é um governo muito abatido. A crise política acaba agravando a econômica porque ele não consegue reagir, não consegue atrair forças para ajudar (na resolução dos problemas)”, comenta o líder da oposição do Legislativo, Arildo Lima Júnior (PSDB).
Para o parlamentar, Rodrigo não tem obtido sucesso, por exemplo, em convencer o servidor público de suas alegações. Já o prefeito mantém esperanças de que a greve não seja deflagrada amanhã, embora acredite ser mais provável que algumas paralisações sejam sentidas nesta terça-feira.
“Passei seis anos sem ter problema com o funcionalismo. Época de negociação é sempre mais complicada. Eu fiz a minha parte no que diz respeito à valorização do servidor. É um ano difícil, temos de ter juízo”, destaca o chefe do Executivo.
Ele aposta, porém, na capacidade de negociação com os servidores. Disse que também pretende dialogar com a Câmara, inclusive hoje, quando se encontrará pela manhã com o líder do governo na Casa, Markinho da Diversidade (PMDB). Na sexta-feira, também estiveram juntos discutindo os problemas de Bauru por algumas horas, explica Rodrigo.
Em relação aos planos relativos ao aterro sanitário, pretende tirar as dúvidas dos parlamentares na próxima quarta-feira, na audiência pública prevista para começar às 17h. “Mas o maior desafio desta semana é a questão do funcionalismo. Eu particularmente acredito muito na possibilidade de diálogo”, conclui.
Prefeito diz não ter medo de tomar medidas amargas se for necessário
Em ano de arrocho, se for necessário, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) tomará medidas amargas. Disse ter coragem suficiente para tomar atitudes duras. No ano passado, por exemplo, já pediu o corte de horas extras, medida que provocou insatisfações em alguns setores da administração pública, cujas reclamações chegaram, inclusive, ao Jornal da Cidade.
“Mas ao mesmo tempo, estamos buscando aumentar a arrecadação do município. Todos os anos temos feito medidas neste sentido”, afirma ao apontar as mais recentes – a Nota Fiscal Bauruense e o recadastramento imobiliário que deve impactar no IPTU. “Com dinheiro todo mundo é gestor. O dinheiro esconde a incapacidade. O problema é se mostrar gestor na escassez”, pondera o vereador Arildo Lima Júnior (PSDB).
Concorda com ele o próprio chefe do Executivo, segundo quem a crise econômica está ainda mais intensa até em cidades maiores e mais ricas do que Bauru. “Eu tenho a sorte de ter um secretário de finanças que eu possa confiar e está fazendo o trabalho dele. Em ano de crise, é hora de apertar o cinto mesmo. Tivemos anos que pudemos investir bastante na cidade”, garante.
Apesar do discurso politicamente correto, para Arildo, as palavras do prefeito têm perdido credibilidade para muita gente. “Isso é muito ruim”, finaliza o tucano.
Pauta desta segunda
O projeto de lei de autoria do Executivo que estabelece percentual mínimo de cargos em comissão a serem preenchidos por servidores efetivos volta a sessão de hoje. Se for aprovado, 30% deles terão ocupados por nomes concursados.
Conforme o Jornal da Cidade divulgou, a fixação de um número mínimo é prevista por uma emenda à Constituição Federal e era cobrada em ação declaratória de inconstitucionalidade por omissão pelo procurador-geral de Justiça Márcio Fernando Elias Rosa. O Ministério Público do Estado de São Paulo não estabelece percentuais, mas menciona o quadro de cargos de direção e assessoramento superiores do governo federal.
Na União, apenas 26,4% dos cargos de livre nomeação são ocupados por funcionários sem vínculos estatutários com a administração pública. O vereador Moisés Rossi (PPS) propôs que o percentual aumentasse para 40% em Bauru, mas sua emenda foi compreendida como inconstitucional por 15 colegas.
“Nós estamos discutindo, mais uma vez, um projeto sem análise criteriosa. Como chegaram a esses 30%? É só para regulamentar uma situação porque o MP está pedindo. Não houve estudo no organograma da prefeitura. Não tem aprofundamento. O que me incomoda é que está se preservando apenas a imagem pessoal, não estão preocupados com a dinâmica do desenvolvimento da cidade”, critica novamente o vereador Arildo Lima Júnior.

