A presidente Dilma Rousseff está empenhada em priorizar a solução da crise política com o Congresso, mas isso não envolve a substituição do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, como alguns aliados têm pedido, e nem uma reforma ministerial ampla, disse à reportagem uma fonte do Palácio do Planalto ontem.
Apesar de rejeitar a hipótese de substituir Mercadante, apontado por aliados, em especial peemedebistas, como responsável pelo agravamento das relações com a base governista no Congresso, Dilma tem promovido uma variação na articulação política, o que na prática esvazia um pouco o poder do ministro.
“Não há nenhuma orientação explícita da presidente para que o Mercadante não negocie com os aliados, o que há é uma diluição da articulação política com mais ministros de partidos aliados ajudando com o Congresso”, disse a fonte, sob condição de anonimato.
Sobre possibilidade de Mercadante ser substituído ou transferido para o Ministério da Educação, a fonte disse para “esquecer” essas alternativas.
A prioridade do governo neste momento, ainda segundo essa fonte, é “voltar a ter estabilidade no Congresso”, mas não por meio de uma reforma ministerial.
A estabilidade com a base governista é essencial para Dilma conseguir aprovar um conjunto de medidas necessárias para o ajuste fiscal que está sendo promovido pela equipe econômica. Além disso, há interesse em passar o pacote de medidas para endurecer o combate à corrupção, que daria um respaldo ao discurso de Dilma para enfrentar as crescentes manifestações populares contra seu governo.
EXIGÊNCIAS
Para uma fonte do PMDB, porém, a melhora da relação com o Congresso e com o partido passa necessariamente pela saída de Mercadante da Casa Civil e outras mudanças na articulação política. O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, também alvo de críticas pela falta de “habilidade para negociar.”
Esse peemedebista, que falou sob condição de anonimato, usou o exemplo da saída de Cid Gomes do Ministério da Educação após entrar em atrito com os aliados na Câmara dos Deputados. Segundo a fonte, isso mostra como a base considera que tem força para pressionar a presidente a fazer mudanças no ministério.
Cid pediu demissão depois que foi convocado à comissão geral na Câmara na quarta-feira da semana passada para explicar a declaração de que havia 300 a 400 “achacadores” na Casa, em referência a deputados da base. O ex-ministro reafirmou o que tinha dito, e o PMDB pediu sua cabeça para continuar apoiando o governo. O pedido foi atendido por Dilma no mesmo dia.
“O Congresso está com sangue na boca. Eles não vão parar de pressionar e exigir mais do Executivo, estão sentindo a fraqueza do governo”, avaliou esse peemedebista.
Segundo ele, as baterias dos aliados estão direcionadas para Mercadante principalmente por causa do tratamento dispensado pelo ministro nas reuniões com líderes e demais parlamentares.
Esse diagnóstico, porém, não é compartilhado pela presidente, segundo a fonte do Palácio do Planalto.