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A crise nacional, a Prefeitura de Bauru e o reajuste de salários dos servidores

Marcos Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Asituação econômica e política no Brasil é extremamente delicada. Um governo federal recém-empossado que enfrenta o protesto de milhares de brasileiros e ao mesmo tempo se demonstra apático, sem reação. Uma crise que exige uma série de ajustes, sobretudo na área econômica. Tais fatos descontentam, inclusive, aqueles que votaram na candidata Dilma, uma vez que a alta da inflação e a recessão já interferem a vida de muitos brasileiros.

A crise abraça a todos, e ninguém arrisca dizer quando ela acabará. Os governos estaduais e municipais também já sentem dificuldades financeiras com a queda das suas receitas, exigindo severos ajustes. Entretanto, o processo inflacionário, muito conhecido pelos brasileiros, desestrutura a economia rapidamente. Os agentes econômicos, na busca de se defender da inflação, lutam para manter seu poder de compra no mesmo patamar.

Neste cenário de inflação e recessão, os empresários repassam aos preços o aumento nas suas despesas o quanto podem, mas acabam vendo seus lucros diminuídos. Por outro lado, os empregados pressionam junto aos seus empregadores aumento de salários, mas muitos acabam se confrontando com perdas salariais e até mesmo com o desemprego. Quando o empregador é o governo, praticamente não é possível a demissão de empregados, daí a necessidade de cortes maiores em outras despesas.

No caso da Prefeitura de Bauru, desde o início de março, após o fechamento do primeiro bimestre, acenderam-se as luzes vermelhas. Verificou-se que as receitas estão com os mesmos valores nominais ao do ano passado. Ou seja, houve uma perda real na ordem de 7,0%. O fato do sindicato ou os servidores municipais brigarem para repor seus salários, sem dúvida alguma é um pleito mais do que justo, mas diante do cenário atual não há condições para que todos possam ter seus salários reajustados pela inflação.

Com os parcos recursos a serem desembolsados nos aumentos salariais dos servidores municipais, a quem devemos dar preferência? Aos que ganham menos? Ou tratarmos todos de forma igual? Nesta questão, fatalmente, não teremos unanimidade nas opiniões. Pessoalmente, creio que o mais plausível é defender os trabalhadores que estejam numa condição salarial mais difícil, pois esses, em geral, gastam seus proventos, tão somente, com produtos de primeira necessidade, por isso necessitam mais do que todos manter seu poder de compra. A proposta apresentada pela Prefeitura de Bauru para reposição salarial foi no valor de até R$ 80,00, mais aumentos nos vale-compras e vale-refeição, o que representa a reposição integral da inflação anual para aqueles que recebem em torno de R$ 1.200,00. Desta maneira, diante de todo o cenário antagônico, observa-se que o governo municipal fez o melhor que pode ao apresentar a presente proposta. Aguardemos!

O autor é secretário de Economia e Finanças da Prefeitura de Bauru.

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