Política e Religião são manifestações inerentes exclusivamente da natureza humana. Podemos dizer que são comuns afirmações no sentido de que não são miscíveis, ou seja, não se misturam. Neste texto, tentaremos identificar relações existentes entre ambas para confirmar ou descontruir esse conceito de que estas não convivem em harmonia. Inicialmente, definiremos Política como todo e qualquer jogo de influência dentro das relações humanas que, se incorporada dos partidos (esfera do poder), sua ordem subjacente, implica numa importante ação social de relação associativa, planejada para determinado fim. Política é Poder!
Já Religião pode significar "religare" (ligar, reatar), "relegere" (cuidar, reler) ou "re-eligere" (re-escolher): é a linguagem com a qual uma coletividade fala de Deus, fala com Deus, recebe a fala de Deus e a fala de fé dos outros, podendo se manifestar na escolha dos símbolos, nos ritos, na organização religiosa da comunidade, nas normas éticas, nas leis, nas celebrações, na definição do que é sagrado etc.
Vale ressaltar que a experiência religiosa em si é impenetrável por ser única, pessoal, uma maneira de o indivíduo se transcender, alcançando o Deus, o divino. Esse sentir é inenarrável. A vivência de uma religião implica também a aceitação de um universo cultural, um modo particular de perceber, situar e nomear o sagrado e o divino. Religião é Fé!
Como ficou evidenciado, tanto a Política quanto a Religião, partes essenciais da sociedade, constituem linguagens, canais de ligação na busca do bem: - aquela (Política) nas relações humanas e esta (Religião) nas relações com Deus.
Mas são apenas instrumentos. Quem dá sentido ou essência a ambas é a pessoa humana, ou seja, se utilizamos o amor, na Política ou na Religião, falaremos de bem, dialogaremos com Deus, fortaleceremos a fraternidade do Bem, como nos ensina a Campanha da Fraternidade 2015 - "Eu vim para servir" (Mc 10,45).
O autor é presidente do Instituto Yauaretê