Malavolta Jr. |
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Prédio antigo da rua Amazonas está em reforma (foto); atendimento é feito na rua Rio Branco |
Uma reunião na manhã desta quarta-feira (25) decidiu uma série de ações para impedir o fechamento da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, pioneira do Interior de São Paulo.
O encontro reuniu artistas, autoridades e produtores, que não aceitam o encerramento das atividades em Bauru.
O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) repudiou o anunciado fechamento da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes. O anúncio foi recebido com contrariedade pelo parlamentar, ainda mais sabendo que o prédio onde funciona a oficina é de propriedade do Estado e passa atualmente por uma ampla reforma com um investimento em torno de R$ 4 milhões.
Éder Azevedo |
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Pedro Tobias critica anúncio de fechamento da Oficina |
Assim que soube do anúncio do fechamento da Oficina Cultural, o deputado Pedro Tobias encaminhou e-mail ao governador Geraldo Alckmin criticando a decisão tomada pela Organização Social Poiesis (administradora das Oficinas). Ainda se recuperando de cirurgia, o deputado classificou a decisão como “fato lamentável” e pediu sua revogação.
Programação de atividades
Na manhã do próximo sábado, às 9h, artistas devem se concentrar na praça Machado de Melo, em frente à Estação Ferroviária, e fazer intervenções culturais, em cortejo, pelo Calçadão da Batista, até a praça Rui Barbosa, ocupando também o coreto com apresentações.
No dia seguinte, no domingo (29), todas as vertentes artísticas devem se reunir na praça da Copaíba, na quadra 18 da avenida Getúlio Vargas.
Foram às ruas
Marcílio do Nascimento, conhecido por seu trabalho Cowboy Prateado, no Centro de Bauru, se diz “da rua”. O artista não trabalha com a Oficina Cultural, mas participou da reunião e como protesto percorreu as ruas em um caminhão de som com o presidente da Associação de Teatro de Bauru e Região (ATB), Kyn Júnior.
O presidente da ATB alugou o veículo e percorreu as ruas e avenidas das áreas Centro e sul da cidade. “Fui muito bem acolhido pela sociedade, junto com o Marcílio. Muita gente buzinava, acenava e saía dos estabelecimentos”, informa.
Questionado por ter saído durante a reunião, ele cobrou ação da classe. “Não adianta ficar fazendo reunião. O que precisamos é de ação concreta da classe, que deve se unir não só em um processo”, reclama.
Nota oficial do Estado
Devido ao grande número de dúvidas em relação à reestruturação do programa Oficinas Culturais, a assessoria de imprensa do Governo de São Paulo, enviou uma nota oficial ao JCNET.
“esclarecemos que as atividades antes promovidas pela unidade Glauco Pinto de Moraes continuarão sendo realizadas na cidade de Bauru, coordenadas pela sede Tarsila do Amaral, em Marília, na mesma região. O Programa Oficinas Culturais, administrado pela organização Social Poiesis - Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura, será reestruturado a partir do dia 23 deste mês. Nesse novo formato, as atividades antes realizadas pela Oficina Glauco Pinto de Moraes, continuarão a ser desenvolvidas na cidade de Bauru, em outros espaços, em parceria com a Prefeitura e associações culturais, coordenadas pela Oficina Tarsila do Amaral, em Marília. A medida assegura a continuidade das oficinas promovidas na cidade de Bauru e o atendimento da população, sem prejudicar a intensa programação de atividades culturais oferecidas pelo programa. A difusão de atividades para outros municípios da região será mantida, no mesmo modelo de parceria com Prefeituras, que nos últimos anos vem oferecendo múltiplas oportunidades de acesso aos bens culturais para a população do Estado. Só no ano passado o programa Oficinas Culturais, mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, desenvolveu atividades em cerca de 300 municípios paulistas.”
Bauru e região reagem contra o fechamento da Oficina Cultural
Depois de veiculado pelo JC, o fechamento da sede da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, Bauru acordou de maneira diferente. Com um sentimento de angústia, de um modo geral, muita gente começou a se mobilizar para tentar reverter a situação.
Frases de revolta, tristeza, compartilhamentos diversos invadiram outras redes sociais. Afinal, qual será o destino da Oficina, primeira do interior paulista?
A resposta chegou da assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura e do setor de comunicação do Poiesis - Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura, que administra o Programa Oficinas Culturais em São Paulo.
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Cronologia: no último dia 19 foi comunicado oficialmente pela pasta estadual essa “reestruturação”. De um total de cinco funcionários, apenas o coordenador Paulo Rogério Pereira será absorvido. Ele será remanejado para Marília, cidade que será a nova sede da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes. A cidade já tem a sua própria sede intitulada “Tarsila do Amaral”.
E as atividades? Artistas que ministravam workshops e oficinas gratuitos? E a população beneficiada?
Só em 2014, Bauru - que abrange mais 45 cidades da região - realizou 90 atividades e ofereceu cultura a 3.520 pessoas.
“...as atividades que vinham sendo desenvolvidas em Bauru e demais cidades atendidas por essa unidade serão mantidas (no município) por meio de parcerias com entidades voltadas à cultura e prefeituras”. Essa foi a resposta ao questionamento da reportagem.
‘Reordenamento’
Tudo deve começar a mudar a partir do dia 22 e a expectativa dessa nova programação e locais deve sair nos próximos dias.
Apesar dos números expressivos (veja quadro), a Oficina de Bauru estava no corte junto de unidades similares de Araçatuba, Campinas, Araraquara, São João da Boa Vista e São Paulo.
“O reordenamento imposto por corte no orçamento contribuiu para a decisão de fundir a coordenação das Oficinas com redução de gastos com aluguel, luz, água, pessoal etc., procurando preservar as verbas para a programação cultural. A ideia é, pois, manter as atividades nessas cidades e regiões com o mesmo fluxo de antes”. Esta foi a justificativa opficial para o corte, mesmo a Oficina de Bauru tendo prédio próprio, que só está sendo reformado.
Conforme apurado pelo JC, na Oficina Cultural, o clima é de desconforto. Sem rumo, os funcionários continuam trabalhando e logo devem começar a cumprir seus avisos prévios. Alguns somam mais de 10 anos. Eles, assim como o coordenador, não foram autorizados a fornecer informação.
Vale a pena lembrar que o prédio próprio da Oficina (no cruzamento da rua Amazonas com a avenida Cruzeiro do Sul, Parque Paulistano), que é do Estado, está em reformas desde maio.
A obra custa R$ 3,7 milhões aos cofres públicos e será finalizada em novembro. Seu futuro é incerto. Atualmente, a Oficina funciona em prédio locado, na rua Rio Branco, 18-40, Vila América. Em seus primórdios, funcionou no Centro.
Mobilização
Malavolta Jr. |
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Secretário de Cultura de Bauru, Elson Reis |
O secretário municipal de Cultura, Elson Reis, conta que “levou um susto” quando soube da notícia. Coincidentemente, nesta quarta-feira (25), às 8h30, ele já tinha marcado reunião do Conselho de Política Cultural e convidado os vereadores membros da Comissão de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo. Sensibilizado com a situação da Oficina, Elson resolveu usar o momento também para mobilizar os artistas, as autoridades e a população. “Veio essa surpresa negativa, uma atitude inesperada. Uma péssima notícia. Conversei com o presidente do conselho, a pauta será basicamente essa, para aproveitar a presença dos conselheiros. A reunião (na Oficina Cultural - rua Rio Branco, 18-40) é aberta. Juntos podemos tomar várias ações”, frisou.
Desta reunião pode até sair uma manifestação dos artistas da cidade entre outros profissionais que prestavam seus serviços na Oficina e levavam cultura à população de 46 municípios. “Tem que haver uma mobilização, uma manifestação dos próprios artistas, que já estão se unindo. Amanhã [hoje] será definido esse calendário. Não dá para entender, por exemplo, que Registro, que tem uma Oficina Cultural que atende poucas cidades, não será fechada”. Em outras parte do Estado também há manifestações de contrariedade por fechamentos previstos.
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Prefeitos da região saem em defesa
Na região, a mobilização também foi intensa nas prefeituras, nessa terça-feira (24), já que a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes atende muitas cidades próximas (ao todo, 46). Prefeitos de Piratininga, Agudos, Lençóis Paulista e Pederneiras lamentaram a situação e se preocupam com a prestação de serviço.
Éder Azevedo |
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Piratininga - “Lamentamos a situação da Oficina Glauco Pinto de Moraes que sempre oferece atividades gratuitas à nossa população e ajuda, inclusive, nas festas de aniversário da cidade. Creio que prefeituras beneficiadas têm que se unir e tentar impedir que a Oficina acabe”. Carlos Alessandro Franco Borro Matos (Sandro Bola) |
Quioshi Goto |
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Lençóis Paulista - “A gente tem o nosso trabalho [próprio, desenvolvido nas cidades], mas as oficinas são mesmo muito importantes. Sempre queremos mais e não desejamos perder um serviço como este. Não sei o que está por trás, se é uma otimização de recursos...”Bel Lorenzetti |
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João Rosan |
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Agudos - “A Oficina era muito presente aqui em Agudos com oficinas de quadrinhos, de material reciclável, de teatro. Para nós, se forem encerradas as atividades, será um prejuízo considerável. A área de Cultura demanda cada vez mais investimentos e todos sabemos que é uma alternativa para melhorar a sociedade” Everton Octaviani |
Quioshi Goto |
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Pederneiras - “Acho que já estavam prevendo essa mudança porque nem mandaram fichas de cursos e oficinas para preenchermos. Será uma perda! Sempre tínhamos muitas pessoas que participavam aqui dos eventos e que, inclusive, já tinham até procurado a Secretaria de Cultura para saber sobre os eventos” Daniel Camargo |
Oficina: comunidade cultural reage
‘Absurdo’, ‘luto’ e ‘retrocesso’ são definições de bauruenses sobre fechamento de unidade; petição virtual recolhe adesões contra a desativação
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Arquivo/Luis Cardoso/02-12-1998 |
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1998: exposição e música ao vivo na Oficina de Bauru |
A notícia do fechamento de oficinas culturais no Estado, em especial a de Bauru, revoltou a comunidade mais ligada a eventos do gênero na cidade.
A sensação é de perda e atraso – assim como ocorreu em Araçatuba, Capital e outras que também repercutiram informações desencontradas sobre o assunto nas últimas 48 horas. Confira algumas reações.
Éder Azevedo |
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Madê Corrêa - Atriz e diretora da companhia de artes “Celeiro das Artes”, que postou mensagem de “Luto” em seu Facebook - Veja ao lado |
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“Estamos em luto. Fechar uma oficina que está em plena atividade, dando empregos a tantos artistas e ensinando arte e cultura à população? Isso sem dizer no dinheirão que estão gastando para a reforma que é feita no prédio da rua Amazonas... Todos estávamos ansiosos para podermos participar de novas oficinas. O espaço estava ficando lindo. Todas as associações artísticas da cidade devem se unir nesse momento.” Madê Corrêa - Atriz e diretora da companhia de artes “Celeiro das Artes”.
Reprodução |
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“Estou sem entender até agora. Isso nos pegou de surpresa. O absurdo é tamanho na medida em que se desconhecem que a nossa Oficina Cultural é histórica. É a prova de que o secretário (Marcelo Mattos Araújo) não conhece o potencial cultural e aglutinador de Bauru, nunca veio aqui, ao contrário do governador que sabe da importância da cidade. É um retrocesso.” Kyn Júnior - Agente cultural e presidente da Associação de Teatro de Bauru (ATB) e Região |
Quioshi Goto |
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“A Oficina Cultural era um dos poucos espaços de exercício cultural cidadão na cidade como equipamento público. Um projeto de reflexão da cultura, um dos poucos espaços que temos... É um absurdo se isso [o fechamento] se concretizar. A gente já atuou na formação de professores na oficina, tínhamos outros projetos para desenvolver em parceria ainda neste 2015. Além do que quem perde é a comunidade mais vulnerável.” Juarez Xavier - Professor do curso de comunicação social da Unesp Bauru e consultor de gestão de projetos culturais |
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Petição pró-Oficina Cultural Interessados em assinar virtualmente uma petição pró-Oficina Cultural podem acessar o endereço https://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR80616 e participar. O ex-secretário municipal de Cultura, José Vinagre, é um dos que divulgam o abaixo-assinado em seu Face. |





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