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Open bar, a nova forma de roleta russa

José Manoel Bertolote
| Tempo de leitura: 2 min

O último fim-de-semana de fevereiro trouxe para toda a comunidade unespiana - e para a sociedade brasileira - a triste notícia de que seis estudantes do câmpus da Unesp em Bauru, que participavam de uma festa do tipo open bar, receberam atendimento devido a um quadro de coma alcoólico. Infelizmente, um desses jovens morreu em coma alcoólico e outros cinco sobreviveram, felizmente, apesar de internados em coma alcoólico e com possíveis sequelas. Um em seis, como nas probabilidades da roleta russa.

A dose média letal de álcool no sangue é de 0,40%, que é seis vezes o nível de uma embriaguez comum (o popular pileque), porém, a partir de doses bem mais baixas já existem danos cerebrais irreversíveis, e todo pileque já provoca a destruição de milhares de neurônios, que nunca mais serão regenerados.

Na prática, para uma pessoa de cerca de 80 kg, atinge-se o nível letal com aproximadamente 1 litro de uma bebida destilada (pinga ou cachaça, vodca, conhaque etc), ingerido em breve espaço de tempo. Em termos de doses (usando-se o dosadores usados em bares, com capacidade de 30 ml) a partir de 30 doses já nos aproximamos da dose letal; entretanto, os copinhos de café têm capacidade para 50 ml, e vinte deles cheios de uma bebida destilada já atingem a dose letal. No caso infeliz de Bauru, a vítima fatal havia ingerido 25 copinhos de vodca, o que significa 1.250 ml dessa bebida (um litro e um quarto), acima da dose letal conhecida.

A questão que fica é: como tudo isso pode acontecer num ambiente de estudantes de uma das melhores universidades do país? Ignorância, má-fé, cupidez financeira, tédio com a vida, falta de perspectivas melhores? A direção da Unesp, uma instituição também de pesquisa, vai se debruçar para entender melhor essa questão e desenvolver programas preventivos eficientes. A Polícia e a Justiça vão investigar as responsabilidades cíveis e criminais do caso.

O autor é professor voluntário do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp.

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