Alex Mita |
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Na primeira ação da força-tarefa, os fiscais Carlos da Silva e Fabiana Figueiredo vistoriaram terrenos no Santa Edwirges |
Em meio a uma epidemia de dengue em Bauru, a Divisão de Vigilância Ambiental detectou 296 terrenos com irregularidades, como lixo e mato alto, dos 591 locais vistoriados no Jardim Redentor, Jardim Carolina, Parque Santa Edwiges e Parque Jaraguá.
O mutirão, conforme o JC noticiou com exclusividade, teve início no último dia 7 e mapeou as regiões com maior número de casos da doença. No total, a cidade já registra 1.453 ocorrências, sendo 1.419 autóctones, 34 importadas e o mais preocupante: três óbitos.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti, o resultado da força-tarefa mostra que as pessoas precisam ter mais cuidado, mas adverte que os terrenos com mato alto não determina a transmissão da dengue. O problema é o lixo que se deposita neles. “Nós vamos avaliar o impacto do mutirão e, se surtiu os efeitos esperados, daremos continuidade à iniciativa nos demais bairros da cidade”, acrescenta.
Além disso, o secretário adianta que a prefeitura estuda duas medidas para agilizar o processo de fiscalização e a limpeza propriamente dita dos terrenos irregulares. “Dentro de um mês, queremos que uma única pasta fique responsável pelas calçadas e áreas com irregularidades, por exemplo. Outra medida é que a prefeitura faça a limpeza daqueles locais mais críticos e cobre [do proprietário] 5% do valor venal dos imóveis, já que a legislação permite”, revela.
Monti afirma ainda que essa não é a única iniciativa da prefeitura no combate à dengue. Os trabalhos de identificação dos focos da doença estão a todo o vapor. Inclusive, a prefeitura encerrou ontem a Semana Estadual de Mobilização Social para o Controle da Dengue e, no mesmo dia, os prédios públicos municipais foram vistoriados. A iniciativa partiu da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Regiões
O titular da Secretaria Municipal de Saúde explica que as quatro regiões escolhidas para o mutirão de fiscalização dos terrenos irregulares têm mais casos de dengue por conta da maior infestação do mosquito transmissor da doença por lá, além do fato de haver muitas pessoas suscetíveis ao sorotipo 1, que é o predominante atualmente na cidade. “Os terrenos foram fiscalizados, mas 80% dos criadouros ainda estão ligados aos domicílios”, acrescenta Fernando Monti.
Depois do trabalho de identificação dos responsáveis pelas áreas irregulares, a Divisão de Vigilância Ambiental iniciará as autuações, ou seja, as notificações dos proprietários. Eles terão um prazo de 15 dias para providenciar a limpeza dos locais. Caso contrário, ficarão sujeitos a uma multa que varia de R$ 121,11 a R$ 4.602,00, dependendo da gravidade da situação encontrada.
Para realizar a capinação dos terrenos irregulares, a Vigilância Ambiental alerta que é necessário retirar todo o material, porque a permanência de mato e lixo pode provocar o aparecimento das larvas do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Ele consegue se reproduzir até em recipientes menores com armazenamento de água, como tampinhas de garrafa.
Por conta própria
No Residencial Samambaia, na zona sul de Bauru, a administração do condomínio resolveu “tomar as rédeas” da situação. Na sexta-feira retrasada, os moradores receberam orientações sobre as formas de prevenção da dengue, sob a supervisão de um servidor da Divisão de Vigilância Ambiental. Em cinco dias, foram encontrados 15 criadouros do mosquito transmissor da doença em 300 casas. Eles se concentravam em piscinas mal conservadas e também em caixas d’água.
De acordo com a síndica Zilá Seucheff, a decisão de vistoriar as residências partiu do temor diante da possibilidade de outra explosão de casos por lá, como ocorreu em 2011. Não bastando isso, anteontem à tarde, foi feita a nebulização do condomínio. “Contratamos uma empresa, que entrou com a equipe, e a prefeitura entrou com o veneno. Agora, estamos mais tranquilos, mas não vamos parar de orientar os moradores”, finaliza.
