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Compra do mês já é "passado"; Mercados se adaptam

Thiago Vendrami
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

A atendente Camila se enquadra no consumidor moderno

Reunir a família para fazer a compra única do mês é uma realidade cada vez mais distante. É o que afirma a própria Associação Paulista de Supermercados (Apas). Com isso, os supermercadistas se adaptam à nova realidade de estar onde o consumidor necessita e discutir tendências e inovações para melhor atender a freguesia, além de oferecer um mix de produtos cada vez mais amplo.


E é por isso que a Apas se reúne pela 31.ª vez em congresso a ser realizado entre os dias 5 e 7 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. O tema deste ano da Feira Apas é “Projetos Especiais”, que busca fortalecer a disponibilidade de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC), cervejas artesanais e flores.


A nova realidade de consumo é  uma constatação feita nos últimos cinco anos e os mais afetados são os hipermercados. E, por isso, de grandes lojas com milhares de metros quadrados de área de venda, os grupos passaram a instalar lojas de conveniência de 200 a 1 mil metros quadrados. “Há 15 anos atrás, o hipermercado era moda. As famílias faziam a compra do mês com medo da pressão da inflação e, hoje, o número de pessoas que fazem isso é insignificante”, pontua o presidente da Apas, Pedro Celso Gonçalves.


O comportamento atual, segundo o presidente, é um sinal de que a economia ainda resiste aos tempos difíceis. “O consumidor vai por diversas vezes ao mercado ao longo da semana. É um bom sinal”.


Contudo, alguns produtos sofrem variações consideráveis nos preços e a habilidade do consumidor em encontrar alternativas é explorada no próprio estabelecimento. “Quando o feijão ou a carne sobem muito, o macarrão passa a ser muito mais vendido”, aponta Pedro Celso.


A atendente Camila Vianna de Carvalho, 20 anos, comprova este novo perfil. Semanalmente, ela compra os itens necessários. “Venho, pelo menos, uma vez por semana ao mercado. Moro a uma quadra daqui”, explica.


De todos os produtos consumidos ao longo da semana e que exigem reposição na despensa, a jovem cita, em especial, pães e carnes.


Espalhados


Os consumidores se modernizaram. E tudo precisa ser rápido e prático ao cliente. Para acompanhar essa realidade, grandes nomes do varejo saíram dos quilômetros quadrados de área de vendas em poucas lojas para alguns metros em unidades espalhadas pelas cidades atendidas.


Um exemplo citado pelo presidente da Apas, Pedro Celso, é de uma varejista que, desde 2010, saiu das lojas de 15 mil metros quadrados de área de vendas para outras entre 7 e 8 mil metros quadrados, os chamados ‘hipercompactos’, além de convidar lojas de materiais de construção para parcerias nas ocupações dos espaços


A mesma varejista também abriu, em diversos pontos, lojas de conveniência de 200 a 1 mil metros quadrados, de acordo com a demanda consumidora.


Ainda segundo Pedro Celso, as pessoas se tornam independentes cada vez mais cedo, casam jovens e levam “uma vida corrida”, o que influencia ainda mais no novo perfil.


Tecnologia


Um dos investimentos apontados pelo presidente da Apas como necessário é na área de tecnologia. 

“Precisamos ter equipamentos e softwares que detectem onde os consumidores estão e o que eles querem. Assim, o supermercadista consegue otimizar seu estoque e o cliente nunca deixará de ser atendido”, diz Pedro Celso.


Em um único dia, duas ‘viagens’ ao mercado

Malavolta Jr.

Aos 80 anos, o aposentado Mário Castilho vai ao mercado até mais de uma vez por dia

O aposentado Mário Castilho completou 80 anos na última quarta-feira. Ele conta que, há meio século, se mantém leal ao supermercado que frequenta. “Gosto do ambiente, me localizo fácil e tudo o que minha mulher precisa já saio de casa sabendo onde vou encontrar”, garante.


Mário Castilho vai quase diariamente ao supermercado. Somente ontem, foi duas vezes. “A primeira vim buscar uma carne específica que não tinha, mas o mercado entrou em contato com o fornecedor e, em poucas horas, me ligaram para avisar a disponibilidade do produto”.


Crescimento de vendas deve ser próximo de ‘zero’


O segmento supermercadista teve um crescimento real de 3% em 2014. E se a inflação continuar no mesmo ritmo, o crescimento real em 2015 será de 0%, afirma Pedro Celso. Entretanto, a venda de produtos de Páscoa deve crescer entre 6% e 8%, segundo a Apas. Ainda assim, não anima.


Além dos ovos de chocolate e outras variações, o segmento percebe, nesse período, um aumento nas vendas dos pescados, vinhos, azeites e a Colomba Pascal. Apenas 6,5% dos empresários do segmento estão otimistas em relação ao ambiente econômico atual e futuro, aponta a Pesquisa de Confianças dos Supermercados do Estado de São Paulo (PCS/Apas).


Em comparação com o mesmo período em 2014, os preços dos produtos aumentaram 1,25% e a inflação acumulada é de 7,80%.


Produtividade


Para o presidente da Apas, Pedro Celso, a discussão da Feira Apas deste ano veio em momento correto: produtividade.  Segundo ele, “o supermercado com eficiência e competitividade consegue absorver mais o impacto da inflação, por exemplo, e repassar menos os efeitos ao consumidor”.



 

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