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Entrevista da semana: Ricardo Poletini

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

De jornalista e músico, Ricardo Poletini tem muito. Editor-chefe da equipe de jornalismo da TV Unesp e músico desde a adolescência, ele lembra na entrevista de hoje sua trajetória no cenário da imprensa bauruense desde a década de 90 e as aventuras e delícias já vividas com a música. 

João Rosan

O editor-chefe da equipe de jornalismo da TV Unesp e músico narra sua trajetória em Bauru

“Eu me envolvi com a música ainda na infância. Meu pai começou a tocar violão e me levou”. Mas foi na adolescência que Ricardo se entregou ao som das cordas (violão e guitarra) e montou sua primeira banda. Hoje, ou melhor, há quase 20 anos, sua dedicação musical é voltada em grande parte à Mercado de Peixe, banda formada também pelos músicos Emerson Gomes (percussão), Fernando TRZ (teclados e vocais), Pirão Ulisses (bateria), Juninho Madureira (front man) e Bibi Alcântara (baixo). “Ela nasceu em 1996 e estamos em processo de gravação neste momento”. 

 

Da cidade de Mogi Mirim, o jornalista estudou em Bauru e por aqui fez a sua carreira, passando por veículos como Diário de Bauru, Jornal da Cidade e TV TEM, até chegar à TV Unesp. Há nove meses, Ricardo viu outra paixão nascer: a filha Gabriela. Leia mais a seguir.

 

Jornal da Cidade - A música pode ser considerada hobby e segunda profissão? 

Ricardo Poletini - Sim. É uma segunda profissão, mas faço nas horas vagas. Eu me envolvi com a música ainda da infância. Meu pai começou a tocar violão e me levou. Eu tinha uns 7 anos, mas não segui com as aulas. Continuei brincando com o violão e, com uns 12 anos de idade, eu senti vontade de tocar guitarra. Conheci uns amigos que gostavam e fiz umas aulas. Já adolescente, no colégio, montamos uma banda que foi batizada de “Gasolina Azul”. Tínhamos uma pegada rock/blues. Eu nem tinha instrumento, pegava uma guitarra emprestada (risos).

 

JC - Nessa fase a banda já saía da garagem? 

Ricardo - Não, não. Era só uma brincadeira mesmo. Quando fiz 18 anos eu comprei minha primeira guitarra. Eu estudava em Campinas e, aí sim, tocávamos em bares. Era início da década de 90 e rolava Guns N’ Roses, Faith No More... Eu me caracterizava de roqueiro, tinha o cabelo comprido (risos). Em Mogi, na época de cursinho, participei de uma banda cover do Rush. Fazíamos um rock progressivo. Aprendi bastante sobre música naquela época. 

 

JC - Quando nasce a “Mercado de Peixe”?

Ricardo - Vim para Bauru em 1994 fazer faculdade. E na minha república havia caras ligados à música. Quem toca é igual a quem joga bola. Rola uma identificação, os papos são os mesmos e é muito legal. A música propicia a amizade de pessoas que se juntam para criar arte, o que é muito legal. A Mercado de Peixe é uma das bandas que nós formamos na faculdade. Ela nasceu em 1996 e estamos em processo de gravação, neste momento. Escrevemos um projeto no  Programa de Ação Cultural (Proac), que foi aprovado, e estamos gravando. São músicas autorais, como sempre foram os trabalhos da Mercado de Peixe. Eu mais componho musicalmente. Letra é somente uma ou outra coisa. Sou mais técnico com as palavras. 

 

JC - Qual é a pegada do novo trabalho?

Ricardo - Eu aprendi a tocar com o rock, então levo influências, mas a Mercado de Peixe é feita de música brasileira, principalmente a regional paulista. Eu uso a viola caipira, violão, guitarra, flauta...

 

JC - O violão é o seu instrumento? 

Ricardo - O violão e a guitarra são os meus instrumentos. Mas andei fazendo aulas de flauta, tenho um teclado em que eu estudo bastante. Estou mexendo com produção musical: gravações, trilhas de vinheta para a TV. Posso dizer que estou engatinhando nisso. Incrementando o meu hobby e profissionalizando-o também, adquirindo alguns instrumentos... 

 

JC - Quais foram os frutos colhidos com a banda ao longo da estrada ?

Ricardo - A Mercado de Peixe vai fazer 20 anos e já tocamos nas principais cidade de São Paulo e em quase todas as unidades do Sesc. Estamos no nosso quinto trabalho autoral e todos os nossos CD’s foram independentes. Gravávamos em estúdios caseiros. Por volta de 2003, um dos caras da banda, o produtor, podemos assim chamar o Fernando, chegou a produzir com grupos de hip hop, seresta, com índios de Avaí... Fazíamos umas coisas diferentes. Nesse período, também gravamos um disco para a gravadora Atração.   

 

JC - A estrada deve ter rendido outra coleção de histórias, não é mesmo? 

Ricardo - Ah, sim. Em 1998, por exemplo, ganhamos o Skol Rock, em Bauru. Fomos disputar o nacional em Curitiba, onde ficamos em terceiro lugar. Uma de nossas histórias clássicas vem desse festival. Havia muitas bandas concorrendo e a atração principal era o Iron Maiden. Viajamos a madrugada toda. Todo mundo estudante e sem grana. O Skol Rock bancou o hotel, mas a comida era por nossa conta. Nos bastidores do show, os caras estavam montando o banquete do Iron Maiden e a gente lá, com fome (risos). Uns três caras da banda acabaram fazendo amizade com os seguranças para comer. E eles deixaram. Isso foi muito engraçado (risos). 

 

JC - Quais são as influências da banda?

Ricardo - A gente mistura muito o pop com a música regional. Rolava muito Chico Science, influência do Mangue Beat. E até hoje é isso. O Nação Zumbi também é influência.  

 

JC - Hoje você é o editor-chefe da equipe de jornalismo da TV Unesp. Fale sobre sua trajetória profissional na imprensa bauruense.

Ricardo - Antes de me formar, eu trabalhei no Canal da Cidade, que hoje é a NET. Com um amigo, eu fiz um programa de TV para o trabalho de conclusão de curso. Era um programa para a moçadinha. O nome era Atitude e durou 12 edições, uma por mês. Íamos a baladas, fazíamos trilhas de bicicleta com a moçada. Bancávamos o programa com a venda de comercial. Foi bacana. Depois da formatura, em 1998, fui trabalhar no Diário de Bauru. Fiquei lá por quatro meses e fui contratado pelo Jornal da Cidade.  

 

JC - No Jornal da Cidade você cuidou da editoria de Cultura, certo? 

Ricardo - Sim. Já entrei no JC Cultura e fiquei quatro anos no jornal. Foi muito legal, até porque eu trabalhava com a arte, algo que eu me identifico muito. No JC, eu comecei a virar bauruense. Digo isso porque eu conheci muita gente. Foi um período em que aprendi muita coisa. Acho que posso dizer que foi a época em que eu mais convivi com a cidade. Do jornal fui para a TV TEM, fiquei mais sete anos e vim para a TV Unesp em 2009. 

 

JC - Quais são os seus novos desafios profissionais?

Ricardo - Estamos aperfeiçoando a questão da interatividade no jornalismo. Eu acho que estamos cumprindo um papel bacana no telejornal da cidade, porque somos o único veículo exclusivamente local. Então preenchemos algumas lacunas. Eu considero Bauru uma boa cidade para quem trabalha com comunicação e cultura. Há uma tradição de imprensa. No meio deste ano vamos lançar um programa infantil. Eu fiz a trilha de abertura, a vinheta, e cada episódio terá um tema educativo/explicativo: fases da lua, fases da água... Dois personagens explicarão para as crianças. Minha filha tem sido minha inspiração para compor as músicas para o programa (risos). 

 

Perfil

Nome: Ricardo Poletini  

Idade: 41 anos 

Local de Nascimento: Mogi Mirim/SP  

Signo: Gêmeos 

Esposa: Márcia Negrisoli

Filhos: Gabriela  

Livro de cabeceira: Estou lendo “O Som e o Sentido”, de José Miguel Wisnik 

Hobby: Música 

Filme preferido: “Death Proof”, gosto muito dos  filmes do diretor Quentin Tarantino

Estilo musical predileto: Rock  

Para quem dá nota 10: Misturar arte e educação

Para quem dá nota 0: Misturar política e religião

E-mail: ricardopoletini@hotmail.com e www.facebook.com/bandamercadodepeixe

 

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