Malavolta Jr. |
|
|
Manhã ensolarada reuniu artistas e bauruenses solidários à causa, na avenida Getúlio Vargas |
Pelo menos 120 pessoas, durante a manhã de ontem, passaram pela Praça da Copaíba, na avenida Getúlio Vargas, onde mais um ato marcado por diversas manifestações artísticas repudiou o fechamento da Oficina Cultural de Bauru, “Glauco Pinto de Moraes”. Na semana passada, o governo do Estado confirmou a medida, que atinge outras oito regiões, motivada por cortes de 30% nos repasses à Organização Social Poiesis, que gerenciava o projeto, até então, em 27 municípios.
Além de artistas, produtores, militantes e estudantes, o protesto atraiu o público que costuma passear e praticar esportes na recreovia da avenida Getúlio Vargas. Crianças e adultos se encantaram e se “arriscaram” nos tecidos acrobáticos pendurados na árvore-símbolo da cidade.
A oficina foi oferecida pela artista circense Tatiane Santiago, do projeto Casa do Circo. “Pessoas de todas as idades podem participar. É uma forma de retribuir a importância da Oficina Cultural na minha vida. Comecei a trabalhar na cidade lá e, a partir disso, muitos caminhos se abriram”, conta.
O ato contou ainda com diversas atrações musicais, mas a que reuniu o maior número de participantes foi a dança circular, proposta pela atriz Elisabete Benetti, coordenadora do projeto Gente Legal, do Grupo Ato.
“Nossa roda busca a educação amorosa, livre, artística e pacífica e trabalha no encontro para o melhor do ser humano, que também é artístico e poético. Ela também faz a analogia com o momento em que vivemos. Não consigo acreditar no fim do fechamento da nossa oficina, que sempre foi tão parceira. Esse movimento não pode parar. A roda não pode parar porque envolve um número muito grande de pessoas atendidas por atividades tão importantes”, explica Elisabete.
INTERNACIONAL
Trabalhando há quatro anos na Holanda, a bailarina Márcia Nuriah chegou em Bauru neste fim de semana e fez questão de participar do movimento em prol da manutenção da Oficina Cultural.
“Trabalhei muito com esse projeto, que sempre garantiu importante apoio institucional e oportunidades de trabalho para tanta gente. A oficina formou artistas e abriu caminhos para ações não só em Bauru, mas em toda a região. O Núcleo de Dança Árabe em Arealva é um desses exemplos. Ela sempre foi um espaço democrático para a difusão cultural”, avalia.
Nuriah pontua que a oficina também exerce papel essencial para a capacitação de artistas, que, nem sempre, conhecem os trâmites burocráticos para obterem acesso a recursos provenientes de leis de incentivo. “Muita gente tem a concepção do projeto, mas não consegue formatá-la do jeito adequado no papel. E muita capacitação já foi oferecida nesse sentido”.
A bailarina conta que recebeu a notícia do fechamento com surpresa, mesmo já notando, ao longo dos anos, o sucateamento das políticas culturais.
TEM MAIS
Às 14h de hoje, dirigentes culturais de toda a região se reunirão na Secretaria Municipal de Cultura para discutir estratégias e os próximos passos da mobilização contra o fechamento da “Glauco Pinto de Moraes”. No mesmo horário, outro grupo de artistas promoverá um ato nas galerias da Câmara Municipal de Bauru, durante a sessão legislativa.
Antes, no período da manhã, uma comissão se reunirá com o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que já se colocou à disposição da luta contra o fim da Oficinal Cultural de Bauru.
Entenda
A justificativa principal para o fechamento da Oficinal Cultural de Bauru, fundada em 1990, é o corte de recursos para a Secretaria do Estado de Cultural em 2015, por conta da queda de arrecadação devido à crise econômica do País. Com a medida, as atividades na região passariam a ser coordenadas pela unidade de Marília, a 100 quilômetros de distância.
A decisão implica na demissão de quatro dos cinco funcionários contratados pela Poiesis, entidade responsável por esses projetos no Estado.
Um dos argumentos do governo para justificar a inclusão de Bauru no rol de nove das 27 oficinas fechadas é o fato de que o funcionamento da unidade na cidade exige, atualmente, a locação de um imóvel.
O fato, por outro lado, gera estranhamento, já que a sede original da oficina, desde fevereiro de 2014, passa por uma reforma no valor de R$ 3,7 milhões.
As atividades até então desenvolvidas pelo projeto abrangiam 45 municípios da região de Bauru.
