Dez em cada dez agentes econômicos estão apreensivos com o momento da economia nacional. A maioria reclama do baixo nível de atividade econômica. As vendas estão baixas, as margens de lucro em queda livre, os custos se elevando em função de uma série de reajustes de preços em insumos importantes, os juros elevados afugentando ainda mais o consumidor e naturalmente que o emprego está ameaço (e muitos já perderam seus postos de trabalho).
É possível observar esta letargia no movimento do comércio. Muitos atendentes ociosos. Estacionamentos de estabelecimentos comerciais que antes eram concorridos, atualmente operam com vagas sobrando. Corretores de imóveis sem fechar negócios há meses. Bares e restaurantes com baixo movimento. Escritórios de contabilidade sendo pressionados a reduzirem seus honorários e ainda convivendo com inadimplência. As empresas de uma forma geral estão reduzindo seus orçamentos, cortando gastos, adiando investimentos, enfim, fazendo mais com menos. Observei até mesmo queda no movimento em supermercados, que normalmente ficam fora de qualquer crise mais acentuada.
É evidente que parte da sociedade tem renda garantida. Aposentados, pensionistas, funcionários públicos, entre outros, não sofrem diretamente impacto do cenário econômico ruim. Indiretamente sentem no bolso em função da elevada inflação e até mesmo porque acabam bancando um eventual desemprego de alguém da família. Têm ainda algumas profissões que possuem sua própria dinâmica e o por mais que o mercado esteja debilitado acabam ficando a margem dos problemas, como são os da área da saúde, por exemplo. Independentemente da situação financeira de cada um, as palavras austeridade e determinação devem fazer parte de nossa prática diária.
A austeridade é necessária à medida que o momento econômico exige pulso firme na condução dos negócios, da carreira e das finanças do lar. Ser austero indica cautela nas decisões financeiras. É ter um olhar seletivo, focando somente nas prioridades, naquilo que efetivamente é inadiável. E tudo isso tem que ser efetuado em conjunto. Nas empresas toda a equipe de profissionais deve estar na mesma pauta. Cada um em sua área deve auxiliar na busca de economizar, cortando custos e ajudando a trazer receita. Em casa é preciso reunir a família. Não haverá resultados concretos se o comportamento austero for somente de uma pessoa. Todos os membros da família devem saber das dificuldades presentes, principalmente aqueles que não possuem renda própria, pois não estão no mercado de trabalho, não sentindo na pele os problemas econômicos existentes.
A determinação também é necessária para levar em frente os planos de cortes de gastos e enfrentar as adversidades presentes. Ter foco em resultados, estimular a criatividade, manter a equipe motivada são questões fundamentais nas organizações. No lar é criar um ambiente de cumplicidade. Um problema financeiro compartilhado pode ser um elo para trazer para si a solidariedade de todos os membros da família.
Não é hora de pessimismo, mas sim de um choque de realidade. O país passa por um momento delicado, e todos nós teremos que enfrentá-lo. Isso já ocorreu em outras oportunidades e o brasileiro soube superar essas fases ruins com muito trabalho. E é isso que devemos ter em mente: trabalhar forte para garantir o menor impacto possível em tudo que conquistamos a duras penas. Austeridade e determinação são indicativos fortes neste momento. Pratiquemos.
O autor é economista e articulista do JC