A Prefeitura de Bauru vai pagar R$ 100 mil para dois laboratórios particulares da cidade realizarem exames para sorologia de dengue. O procedimento já foi adotado na administração do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) em outras epidemias, como em 2011 e 2013 – esta última a maior da história do Município, com mais de 7.500 casos.
A partir do momento em que uma cidade registra mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes, o governo estadual deixa de coletar exame de sangue nos novos pacientes com suspeita da doença, adotando-se critério clínico-epidemiológico, ou seja, qualquer pessoa com febre e mais um ou dois sintomas característicos de dengue, como dor no corpo, dor de cabeça, dor nos olhos ou náusea, passam a ser consideradas automaticamente com a moléstia – e nem sempre estão infectadas pelo vírus da dengue, mas sim com outra doença.
Nesta situação, em que o Instituto Adolfo Lutz deixa de fazer o exame para o município, cabe a cada prefeitura decidir se vai contratar ou não laboratórios privados para manter a confirmação através de sorologia. “A gente entende que temos que suprir esses exames. Isso não altera nada do ponto de vista do tratamento da doença, porque a coleta é feita a partir do quinto dia, quando a dengue já evoluiu, na maioria das vezes com melhora no quadro do paciente.
Mas é importante para o próprio paciente saber se realmente teve dengue, e para a Secretaria de Saúde ter uma real dimensão do número de casos e sua distribuição pela cidade”, argumenta o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. “Não há nenhuma novidade nisso, realizamos este procedimentos em outros anos com epidemia”, afirma.
Aditivo
São dois laboratórios que farão os exames: o Laboratório Bauru e a Fundação Veritas. Ambos já possuem contrato vigente com o Município para a realização de outros tipos de exame, e o que a prefeitura fez foi um aditivo de R$ 50 mil com cada um deles para suprir a demanda de sorologia para dengue. A quantidade exata de exames não está especificada, dependendo da demanda.
Tanto o Laboratório Bauru como a Fundação Veritas receberiam R$ 533 mil cada uma neste ano para fazer diversos exames para a prefeitura, e com o aditivo, passarão a receber R$ 583 mil cada em 2015. “Optamos por fazer o aditivo até para não prejudicar os demais exames. Assim, não precisamos mexer na verba destinada a eles. Os exames para a dengue são sazonais, apenas em época de epidemia que cresce a demanda”, destaca Monti.
Os dois termos de aditivo de contrato, um para cada laboratório, já foram publicados no Diário Oficial, e começarão a ser usados assim que o Estado suspender de vez os exames para Bauru. Até quarta-feira (1), a cidade já havia registrado 1.545 casso de dengue, sendo 1.511 autóctones (contraídos no município) e outros 34 importados, com três óbitos confirmados.
Se aplicado o índice de 300 casos por 100 mil habitantes, Bauru já ultrapassou a marca no mês de março, ao atingir 1.092 casos. Portanto, a suspensão dos exames através do Estado, no Instituto Adolfo Lutz, pode ocorrer a qualquer momento.
Sem esquema emergencial
O titular da Saúde, Fernando Monti, descarta montar uma unidade provisória ou mesmo transformar alguma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade em polo exclusivo de atendimento a casos suspeitos e confirmados de dengue, como fizeram Marília e Catanduva. “Não detectamos esta necessidade. As unidades estão conseguindo atender bem a demanda e a grande questão de se fazer uma tenda nem é a estrutura da tenda, mas a mão de obra necessária, deslocar médicos, enfermeiros, funcionários. No momento, não vejo a necessidade de se recorrer a isso”, enfatiza.
“E analisando Bauru em comparação com as cidades da região e outras do interior paulista, o número de casos está mais controlado. Estamos sim em epidemia, mas cidades como Marília, por exemplo, vivem situação muito mais delicada ”, reitera o secretário. Monti revela ainda que nas últimas semanas, o maior aumento de atendimento foi nas UPAs do Geisel/Redentor e Mary Dota, com aumento médio de 30% nos atendimentos, em função da epidemia.
3 mil casos
Fernando Monti, que é também médico infectologista e professor do curso de Medicina na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), projeta um cenário com crescimento de casos de dengue em Bauru por mais dois meses. “A redução do número de casos depende diretamente do clima. Até maio, a tendência é a manutenção da curva crescente, com um declínio a partir de junho, quando começa um período mais frio e com pouca chuva, dificultando a reprodução do mosquito Aedes aegypti”, comenta.
Para o secretário e médico, o número de casos que a cidade deve registrar nesta epidemia ainda é incerto. “Mas tudo leva a crer que teremos pelo menos 3 mil casos neste período epidêmico. Vamos acompanhar a evolução e seguir realizando ações nos bairros, para reduzir o índice de infestação do mosquito transmissor e diminuir o ritmo de transmissão da doença”, conclui.