Cultura

Bauruense se destaca na cena da música eletrônica


| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Lucas Fernandes Produtor e DJ: ‘Experimento com praticamente todos os gêneros que chegam a mim’

O bauruense Lucas Fernandes (foto) é um produtor e DJ de 23 anos que tem conquistado proeminência no meio da música eletrônica experimental. Seu projeto principal, chamado “akaaka”, que vem de “aka”, termo em inglês que significa “as know as” (ou ”conhecido como” em português), é usado para descrever pseudônimos.


Fernandes também mantém o projeto paralelo “Harshdüst”, que é mais concentrado em gêneros musicais como drone, noise e alguns outros tipos de experimentais eletrônicos. Fernandes divulga seu trabalho, principalmente, através de amigos e pela Internet.


Em entrevista ao JC Cultura, ela fala do momento que está vivendo na cena eletrônica brasileira.


- Qual foi seu primeiro contato com a música eletrônica?

Meu primeiro contato e interesse foi no começo de minha adolescência. Sempre fui fã de rock progressivo, me interessei por teclados e sintetizadores, que são elementos essenciais na música eletrônica. Ouvindo artistas como “Aphex Twin” e “Boards of Canada”, percebi o quão profundo e expressivo o gênero poderia ser e me encontrei com outras diversas e inúmeras ramificações que possuem cada qual, sua característica, público e filosofia própria, e então me apaixonei por cada uma delas, sem preconceitos e julgamentos.


- Quando você começou a se apresentar profissionalmente?

Já tocava em festas particulares e eventos fechados, de conhecidos e pessoas que acompanhavam meu trabalho, mas depois do lançamento de meu primeiro álbum,  “21ug”, no começo de 2014 pela gravadora alemã “Low Kick High Punch”, fui convidado a me apresentar na Virada Cultural de 2014, pelo coletivo “Metanol”. Foi lá que toquei da forma que costumo hoje e concretizei a apresentação ao vivo do projeto  “akaaka”. A partir dai fui convidado para diversos outros eventos e festas, ganhando reconhecimento estadual e nacional, por apresentar um trabalho autoral e diferenciado no meio.


- Como você descreveria o tipo de música que produz e quais gêneros musicais abrangem seu trabalho?

Eu chamo de música eletrônica experimental. Pois experimento com praticamente todos os gêneros que vêm à minha mente no que se diz respeito à produção de minhas faixas e tento criar uma ligação com todas as formas de eletrônica sem fazer distinção enquanto estou tocando meus sets. Gêneros que se destacam dentre o que toco no meu projeto são Drum and Bass, Trap Music, Garage, House Music, Hip Hop e Juke ou Footwork. Talvez a influência mais distante seja o Trance, no qual uso poucos elementos e tento flertar muito pouco, pois acho que não se encaixa muito na proposta do projeto.


- Você teve alguma dificuldade em trabalhar com esse tipo de música em Bauru? A recepção regional é boa?

Bauru é uma cidade repleta de pessoas com boas intenções, talento e material pra se apresentar. Mas há muito pouco reconhecimento, principalmente do trabalho autoral e pouco incentivo para se apresentar na própria cidade, o que ela tem para oferecer para seu público (que não é pequeno) de música eletrônica.


Não são poucos os colegas e amigos que trabalham sério e se esforçam há mais de anos criando e inovando com música eletrônica na cidade que acabam ganhando reconhecimento somente quando partem para fora ou possuem a oportunidade de sair daqui. Então, eu acho que faltam muitas coisas para chegarmos a um nível onde os artistas podem se dedicar exclusivamente a produzir música eletrônica e viverem disso, morando aqui. O público é muito bom, mas falta incentivo para se ter um lugar legal para apresentar tudo que temos para este público.

Comentários

Comentários