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?Ler é sonhar pela mão de outrem?

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

A frase acima é do poeta e filósofo português Fernando Antônio Nogueira Pessoa ? cuja morte, aos 47 anos, completará oito décadas em 30 de novembro de 2015. Se vivo estivesse, Pessoa até poderia ser acionado para responder sobre algo menos simples do que parece: as pessoas estão lendo mais ou menos atualmente?

Ao que parece, do ponto de vista quantitativo, estão lendo bem mais. As pesquisas mostram, por exemplo, um gradativo aumento no número de pessoas que leem um mesmo exemplar de jornal. Também se encontram mais leitores, de livros e jornais e afins, nas plataformas digitais. A questão (dúvida), portanto, parece estar mais ligada ao aspecto qualitativo. E, em particular, à qualidade do que os mais jovens procuram. É uma boa semana para se pensar nisso já que, na gloriosa terça-feira, começa a 15ª Feira do Livro Infantil em Bauru ? ali no Centro Cultural da Nações. Vale a pena prestigiar até dia 12, próximo domingo.

Com apoio do JC e do projeto JC na Escola, o evento é um celeiro de possibilidades para pais e filhos. E um lado bem legal é a contação de histórias. Onde mais seria possível reunir imageticamente, num mesmo espaço, tartarugas, caracóis, baús, leões, sapos e rouxinóis, vilões e princesas, brinquedos e desenhos?...

O Dia Internacional do Livro Infantil foi em 2 de abril (homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen), mas é possível entender o mês todo como referência no segmento. Até porque, em 18 de abril, será o Dia Nacional do Livro Infantil (reconhecimento ao taubateense José Bento Monteiro Lobato). Em 2013, o JC publicou que a emblemática coleção Vaga-Lume, da editora Ática, teria alguns títulos relançados, mas não havia prazo. Agora, sabe-se que até agosto de 2015 alguns livros ganharão nova edição, como "O Escaravelho do Diabo" ? cujo filme está em plena produção e pode ser lançado ainda neste ano.

Como se vê (e se lê), não faltam motivos para levar novas gerações ao caminho suave dos livros. Se é verdade que a última frase escrita por Fernando Pessoa foi "eu não sei o que o amanhã trará" também é possível arriscar que, entre tantas coisas, trará mais e mais livros. Que seja uma história sem fim.

O autor é editor executivo do JC

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