Geral

Entrevista da Semana: José Francisco dos Santos (Chico)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Quioshi Goto

"O trabalho. Muito trabalho faz um técnico campeão. Desde os 8/9 anos de idade eu já queria ser técnico"

Em Bauru desde agosto de 2014, José Francisco dos Santos, o técnico Chico do vôlei, já brilhou nos aplausos dos bauruenses ao conquistar com o Concilig/Bauru a Superliga B de Vôlei Feminino. “O desafio agora é montar uma equipe ainda mais forte para tentar chegar às oito melhores equipes do Brasil no ano que vem”, garante.


E experiência é o que não falta para o filho da cidade de Pará de Minas (Minas Gerais). Já se somam 36 vitoriosos anos como técnico de vôlei, uma história que começou em Piracicaba e rodou o mundo. Quer enumerar?


Com a Seleção Brasileira, onde trabalhou durante 15 anos, inclusive com o técnico Bernardinho, Chicão foi campeão olímpico, bicampeão mundial, vice-campeão olímpico, terceiro colocado com a seleção feminina nas Olimpíadas de Sidney, ganhou sete Ligas Mundiais, quatro Sul-Americanos, três Pan-Americanos e três Copas América. Isso sem contar as vitórias como técnico de clubes. “Dos técnicos de voleibol na ativa, sou o mais antigo”, acrescenta.


Fora do Brasil, ele trabalhou na Espanha, Portugal, Grécia, Peru e Japão. E o que faz um técnico campeão? “O trabalho. Muito trabalho! Eu comecei com o vôlei em uma cidade do interior e, quando vi, estava trabalhando com a Seleção Brasileira”. Leia mais, a seguir.

Jornal da Cidade - Depois da conquista do Concilig/Bauru na Série B da Superliga, qual é o próximo desafio?

José Francisco dos Santos - O desafio agora é montar uma equipe ainda mais forte para tentar chegar às oito melhores equipes do Brasil no ano que vem. Esta é a meta maior. O time já está sendo montado e vamos trabalhar bastante para isso.


JC - Ser técnico esportivo sempre foi uma meta?

Chico - O esporte entrou na minha vida ainda na infância, quando eu era apaixonado por futebol. Eu criei um time na minha rua. Fizemos camisas, uniformes e eu já era o técnico (risos). Dois anos depois, também criei um time de basquete. E também fui o técnico. Mais dois anos e montei um time de vôlei para ser o técnico também. Desde os 8/9 anos de idade eu já queria ser técnico (risos).


JC - Como chegou ao vôlei profissional?

Chico - Eu comecei em Piracicaba em 1979, trabalhando na categoria infanto-juvenil. Eu jogava nessa época. Em 1980, meu técnico pediu para eu ser o seu assistente. No ano seguinte, ele saiu e pediram para eu ser o técnico de Piracicaba na categoria adulto masculino e feminino e juvenil feminino e masculino. Tudo ao mesmo tempo. Fiquei em Piracicaba até 1984. De lá fui para Santos (Santos Futebol Clube) e, de Santos, para o mundo. E lá se vão 36 anos de experiência como técnico de voleibol. Dos técnicos de volei na ativa, sou o mais antigo.   


JC - Trabalhou em quais países?

Chico - Espanha, Portugal, Grécia, Peru e Japão.  Bom, eu conversei com minha família e decidi que não sairia mais do Brasil para trabalhar. Quando meus filhos eram pequenos, minha família me acompanhava, mas depois não deu mais por causa dos estudos, e tudo mais. Foi quando surgiu o convite para trabalhar em Bauru. Gostei muito do projeto e aqui estou.


JC - Sobre ser técnico no Brasil e no Exterior...

Chico - Quando você trabalha na Europa ou Japão, financeiramente a diferença é absurda. Se você ganha um no Brasil, no Japão você ganha quinze. Embora eu ache que o Brasil está melhorando nisso e os técnicos estejam sendo mais valorizados, ainda estamos longe do ideal. Por outro lado, nossa torcida é a melhor. Nesse último jogo, por exemplo, tinha cerca de duas mil pessoas no Ginásio Panela de Pressão, mas parecia ter 30 mil. Eles vibraram, torceram, foram o sétimo jogador em quadra. Deram uma força muito grande. Lá fora, alguns países têm essa torcida, mas não é tão vibrante.


JC - Na Seleção Brasileira, você trabalhou com o técnico Bernardinho. Na Superliga, provavelmente você irá enfrentá-lo, já que ele treina a Unilever Rio.

Chico - Ele é um cara muito dedicado. Tanto que minha “nota 10” vai para ele. Na época em que fui técnico de vôlei no Minas Tênis Clube, eu joguei uma semifinal contra ele. O que acontece é que ele conhece muito bem o meu trabalho e eu conheço muito bem o trabalho dele. Então sempre é um jogo de muito estudo. 

JC - Quais são as suas grandes conquistas com o vôlei?

Chico - Com a Seleção Brasileira fui campeão olímpico, bicampeão mundial, vice-campeão olímpico, terceiro colocado com a seleção feminina nas Olimpíadas de Sidney, ganhei sete Ligas Mundiais, quatro Sul-Americanos, três Pan-Americanos e três Copas América. Como técnico de clube fui campeão brasileiro, campeão da Copa do Brasil três vezes, campeão sul-americano três vezes, sou tricampeão paulista, ganhei uns seis Jogos Abertos e uns dez Regionais.      


JC - E o que falta nesse imenso quadro de medalhas?

Chico - A próxima vitória. Para um técnico, é sempre a próxima etapa. No nosso caso, a próxima vitória será os Jogos Regionais, depois o Campeonato Paulista e, na sequência, a Superliga.  

 

JC - Todas as viagens e estadias fora do Brasil devem ter rendido ótimas histórias...

Chico - Tem muitas, sim. Com a Seleção eu devo ter dado umas oito voltas ao mundo. Mas, para você ter ideia, fui para a França umas 14 vezes, mas só conheci a Torre Eiffel na 12ª viagem. Eu e o Bernardinho ficávamos o tempo todo estudando os times. A comissão técnica só ia conhecer alguma coisa quando acabava tudo. Quando conheci a torre, foi porque o voo atrasou e o Giba pegou no meu braço e disse: agora você vai sair, vai conhecer a Torre Eiffel (risos). Essa é outra coisa bacana. O vôlei me proporcionou muitas amizades. A maioria dos meus amigos é do meio esportivo.


JC - O que faz um técnico campeão?

Chico - O trabalho. Muito trabalho! Eu comecei com o vôlei em uma cidade do Interior e, quando vi, estava trabalhando com a Seleção Brasileira e fiquei com a equipe por 15 anos. Isso tudo por causa do trabalho e dedicação.

Perfil

Nome: José Francisco dos Santos

Idade: 55 anos

Signo: Peixes

Local de Nascimento: Pará de Minas/MG

Esposa: Vanda

Filhos: Gabriela, Rafael e Camila, além do neto Henrique  

Hobby: Meu pai era pescador e fez com que toda a família gostasse de pescar. Eu pesco, mas não é nada fenomenal (risos). Também gosto muito de ler

Livro de cabeceira: Não tenho um, mas estou sempre lendo

Filme preferido: Gosto de romance

Estilo musical predileto: MPB

Time de futebol: Santos

Para quem dá nota 10: Para o técnico Bernardinho, com quem eu trabalhei durante 15 anos   

Para quem dá nota 0: Para o escândalo na Confederação Brasileira de Voleibol, ocorrido há três ou quatro meses  

E-mail: https://chico.santos.volei@hotmail.com

Malavolta Jr.

“Havia duas mil pessoas no Panela de Pressão, mas parecia ter 30 mil. Eles vibraram, torceram, foram o sétimo jogador em quadra”, Chico, sobre o apoio da torcida na conquista da Série B da Superliga

 

Comentários

Comentários