|
Quem nunca recebeu uma mensagem via SMS ou e-mail informando um valioso prêmio, porém, para resgatá-lo, seria preciso fazer um investimento? Esta é só uma das diversas modalidades do crime de estelionato, famoso artigo 171 do Código Penal Brasileiro. E a lábia dos criminosos aliada à ganância das vítimas é a fórmula perfeita para um grande número de ocorrências. Segundo a Polícia Militar (PM) em Bauru, há dias que a corporação recebe até dez ligações diárias de pessoas que caíram nos golpes ou que escaparam por muito pouco.
Tal estimativa de ligações feitas ao 190 é feita pelo tenente Bruno de Oliveira, comandante da Base Centro da PM de Bauru. A região central da cidade é exatamente a mais visada para os golpes cometidos pessoalmente, pois concentra as principais agências bancárias e possui grande área comercial, visitada por pessoas que têm o perfil visado pelos criminosos.
A modalidade que mais cresce em Bauru, segundo o tenente, não é nova, mas continua fazendo vítimas: o falso sequestro. As ligações são feitas diretamente de penitenciárias e os valores variam. Contudo, segundo o comandante, R$ 800,00 tem sido o valor mais cobrado como “resgate”.
Recentemente, uma ação conjunta da PM evitou que um casal caísse no golpe. O próprio tenente Bruno e seu parceiro de viatura foram ao Hospital de Base, onde uma mulher dizia que sua filha teria sido sequestrada. O valor negociado pela libertação era justamente os R$ 800,00.
“Na hora que ela falou a quantia, já informei que se tratava de um golpe e perguntei onde o marido estaria fazendo o saque. Uma equipe que estava nas proximidades do caixa eletrônico informado localizou o homem e, no instante em que ele foi abordado, o bandido entrou em contato e policial atendeu. Acabou o golpe”.
Mas por que R$ 800,00 levanta suspeitas? “É o limite padrão de saque em terminais de autoatendimento. Assim, não dá tempo de a vítima pensar ou questionar, ela só vai sacar e depositar”, explica o tenente.
Na semana passada, uma assessora comercial só não caiu no golpe porque, durante o diálogo com o suposto sequestrador, houve um erro de informação. “Eu sei que o senhor é mecânico”, teria dito o bandido. Mas o homem é funileiro. Então, a mentira já foi descoberta.
Um outro golpe bastante antigo, mas ainda muito comum na cidade é o do bilhete premiado (estelionatário diz ter ganho uma quantia e pede ajuda da vítima, com a promessa de repartir o prêmio). Nesse caso, a vítima geralmente é alguém de idade mais avançada.
Em desuso
Alguns golpes que fizeram muitas vítimas nos últimos anos, mas que estão sendo pouco registrados ultimamente são os empregados dentro dos terminais de autoatendimento, como o “chupa-cabra”.
Neste caso, o cliente deve sempre ficar atento ao local de saída das cédulas. Se nos demais caixas eletrônicos a saída for de uma cor diferente, o cliente deve desconfiar e acionar a polícia ou algum responsável pela agência.
Recente
No último domingo, um cobrador de 19 anos registrou BO após ter realizado cinco depósitos no valor total de R$ 2.693,96 na esperança de receber um prêmio de R$ 25 mil, seguindo orientações de uma mensagem de texto enviada à sua linha móvel.
A linha de onde partiu a mensagem é de uma cidade do interior do Estado do Ceará, cujo DDD é 88.
Subnotificação
“O estelionatário usa a ganância da vítima, que deixa de registrar boletim de ocorrência (BO) devido a tanta vergonha”. A afirmação do delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, dá a dimensão que o problema é muito maior do que os registrados.
Por conta das subnotificações, não é possível saber o número real de casos. Entretanto, quando a denúncia é feita, a Polícia Civil investiga o estelionato, que é tentar enganar alguém para tirar vantagem. “Emitir cheque sem fundo é estelionato. Você comprou algo consciente que não teria como pagar, induziu a pessoa que vendeu ao erro”, explica o delegado.
Nova modalidade fez 4 vítimas em março
De acordo com informações do tenente Bruno de Oliveira, uma nova modalidade tem chamado a atenção da polícia e é aplicada onde há concentração de agências bancárias. E também visa, principalmente, os idosos.
O golpe é simples e rápido: a vítima saca uma quantia na “boca” do caixa e, em seguida, sai da agência.
Alguns metros adiante, uma pessoa bem vestida faz uma abordagem. Ela se apresenta como funcionário do banco e diz algo como: “O meu gerente pediu para vir atrás do senhor (ou da senhora) e pedir desculpas porque te entregaram dinheiro a menos, mas já vou acertar. O senhor (ou a senhora) chegou a conferir? Não? Então aguarde um instante que vou corrigir esse equívoco”.
Boa ação?
Neste momento, a vítima, acreditando que o banco fez uma boa ação, entrega o dinheiro ao “falso funcionário” e, quando se cansa de esperar e vai procurar a pessoa, não a encontra mais. Somente em março, segundo o JC apurou, pelo menos quatro pessoas teriam caído nesse golpe.
