Douglas Reis |
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Integrantes do movimento ficaram no prédio até início da tarde |
Pela 4.ª vez neste ano, o Instituto Biosistêmico (IBS), contratado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para atender assentamentos do órgão na região de Bauru, foi ocupado. Na manhã dessa terça-feira (7), cerca de 45 pessoas do acampamento Terra Sonho Meu, em Guaianás (15 quilômetros de Bauru), tomaram conta da instituição, localizada no Jardim América, sob a exigência de agilidade na regularização das terras.
Neste ano, o IBS já foi ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em 14 de janeiro. Seis dias depois, integrantes do Movimento Irmã Dorothy, Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), Movimento Pacífico Sem-Terra (MPST), acampamento Bandeirantes e Movimento Quilombolas tomaram conta do instituto. No último dia 30, mais uma ocupação. Desta vez, por parte das famílias da fazenda Maraci 2, em Agudos (13 quilômetros de Bauru).
Nessa terça, sem-terra que se intitulam bandeira branca, mas são vinculados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ocuparam o IBS. Wilson Pereira da Silva, líder do grupo, exige agilidade na regularização das terras onde vivem 150 famílias desde 2014. “Queremos garantir que as terras sejam nossas, porque enfrentamos conflitos diários junto a uma empresa terceirizada que fornece cana para uma usina. Eles também usam o espaço”, pontua.
Para validar a reivindicação, Ricardo Rodrigues, coordenador geral do acampamento, foi até São Paulo para se reunir com a superintendência do Incra. “Ficou acordado que o instituto faria uma vistoria nas terras depois do Carnaval. Só vamos sair quando tivermos um retorno positivo da Capital quanto à regularização das terras e, por enquanto, não pretendemos fazer manifestações pelas ruas”, acrescentou Wilson Pereira da Silva, ainda pela manhã.
No entanto, no início da tarde de ontem, os acampados deixaram o escritório do instituto sob a afirmação de que um representante do grupo firmou acordo junto aos gestores do Incra na Capital. Na quarta-feira que vem, em horário a ser definido, funcionários da instituição teriam assumido o compromisso de ir até Guaianás para conversar com os sem-terra. “Esperamos uma notícia boa”, finaliza Silva.
Outro lado
Em nota, a assessoria de imprensa da Superintendência Regional do Incra informou que representantes das famílias foram recebidos por gestores do órgão na Capital. Quanto às terras reivindicadas, o Incra afirma que está na fase de estudos preliminares, mas segue aberto ao diálogo com todos os movimentos sociais.
Além disso, a assessoria esclarece que ainda será necessário identificar a real situação das terras na Secretaria do Patrimônio da União para que, comprovando propriedade da União, seja possível a transferência ao Incra por meio de cessão de uso.
