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Leniência ou má-fé?

Renato Ghilardi
| Tempo de leitura: 2 min

Muito me estranhou na última terça-feira (07/04) passar por frente do escritório do Incra, no Jardim América, em Bauru, e perceber uma intensa movimentação de cerca de 40 pessoas todas uniformizadas com vestimentas da Central Única dos Trabalhadores. Pois bem, pelo que sei, o Incra não é uma ONG e muito menos uma central sindical para receber esse tipo de movimentação. Na verdade, tal autarquia se responsabiliza pelas questões de agricultura, inclusive de reforma agrária.

Nesse sentido, o primeiro pensamento de estranheza passa a indignação, pois imediatamente me recordo das inúmeras "invasões" realizadas por movimentos "sem terra" que ocorreram nesse estabelecimento (sempre vazio) onde a porta sempre se encontrava aberta.


Invasão, por definição, é entrar de forma forçada. Nunca vi uma invasão no ritmo de chá das cinco da tarde como as que acontecem nesse estabelecimento onde, sem sombra de dúvida, quem tem a chave abre.


Pois bem, após passar pela estranheza e pela indignação, passo pelo estágio do inconformismo por acharem que a população não percebe que tais atos são estranhos e não comuns. Numa rápida procura por saber quem comanda aquele quinhão de terra, percebo que há muita nebulosidade, pois até um escritório do Instituto BioSistêmico, que é uma organização empresarial (?), é cadastrado como atuante por ali. Pois então, isso tudo não pode ser visto como um perfeito caso de adequação ao capítulo II da Lei Federal No. 8.429, de 2 de junho de 1992 que fala sobre Atos de Improbidade Administrativa?

E se cair, de quem, vias de fato, é a responsabilidade desse escritório? É federal, estadual ou municipal? É tamanho o nó górdio formado que é impossível se ler nas entrelinhas do funcionamento administrativo desse e de várias outras secretarias existentes em nosso país. E todos sabemos que o diabo mora nas entrelinhas.

O autor é professor da Unesp

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