Tribuna do Leitor

Desabafo de um aluno. Pátria educadora?


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Está decepcionante, pelo menos para mim, chegar ao Stela Machado todas as manhãs e me deparar com o calendário de aulas semanal. Das seis aulas que se deveriam ter no dia, se tem somente uma, duas, quando não se têm nenhuma. Porém, a culpa não é dos professores que não estão lá aplicando as aulas, muito menos da diretoria do colégio, que, como as outras escolas estaduais, corre à procura de professores substitutos.

A culpa mais uma vez é de nosso governo (federal e estadual), que na sua geral disposição peca e falha gravemente com a responsabilidade na Educação. Sinceramente, é revoltante saber que recebemos o título de pátria educadora de nossa máxima corte do Poder Executivo. Cansa, realmente cansa, ver os poderosos hipócritas e falsos nos encherem de promessas e no fim das contas a situação sempre vai de mal a pior.


Recebem bilhões e bilhões para investimentos na educação no nosso Estado e o que acontece? Corte de verba... Agora, dinheiro pra construir cadeia é "infinito"... Eles realmente acreditam que um professor tem a capacidade de executar seu trabalho com facilidade e fluidez numa sala com 40, 45 alunos?
Conseguem acreditar que esse professor viverá tranquilamente com um salário miserável, sendo um profissional totalmente desvalorizado e injustiçado
Só pode ser brincadeira com um profissional que cursa o ensino superior para ensinar...


A única saída que eu encontro nesse situação crítica é que na visão de nossos grandes políticos nós, alunos de escola pública, não precisamos de aula, nem de conhecimento, porque no futuro seremos uma mão de obra farta e desqualificada, fácil de ser manipulada e que receberíamos de braço abertos o pão e circo por eles pregados... Esse absurdo seria realmente o plano para o futuro da pátria educadora?
Chega! A educação pública em nosso Estado e também em nosso país está crítica, em níveis alarmantes! Como por exemplo: fica difícil de engolir que para nossos políticos e que para a mídia que lucra com violência e morte é mais fácil construir cadeias, aumentar a violência e até criar projetos sobre reduzir a maioridade penal e etc do que simplesmente investir em educação e cultura.


Não seria mais fácil resolver o problema onde ele começa? Se os jovens estão cometendo crimes, não é mais fácil ir ao berço do problema? Ir às favelas, lutar contra o tráfico e a bandidagem, trabalhar na pacificação verdadeira desses locais, criar escolas que funcionem, dar acesso à cultura, investir realmente na juventude que não tem acesso fácil ao que é necessitada. "Não, de forma alguma", porque na visão de nossos governantes é mais prático diminuir a maioridade penal, porque aí eu vou colocar o jovem na cadeia e ele simplesmente vai parar de cometer crimes... Nossos líderes ou não pensam ou lucram muito, mas muito, com tráfico de drogas, violência e etc.. Na qual a segunda opção é mais fácil de engolir.


Se o jovem vai pra cadeia, a violência e insegurança só aumentam, além de lá ele aprender mais sobre o crime com os mais "experientes" nessa vida, pois agora ele é "maior de idade" e poderá sair de lá até mais "qualificado". E assim se inicia o ciclo da criminalidade, aumentando a violência e colocando cada vez mais gente nas cadeias.

Eu sou a favor de nossos professores, estou do lado deles, porém, se fomos às ruas por impeachment, nós alunos das escolas estaduais também vamos por melhoria aos professores e reforma política no Estado de São Paulo, pois está inaceitável a forma que estão lidando com esses profissionais e com nós mesmos (alunos). Estamos juntos nessa luta. 

Caio Henrique Lima Munhoz, aluno do Stella Machado de Bauru

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