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A Banda de Dois Córregos já conseguiu o 2º lugar no Campeonato Estadual de Bandas |
A música é antes de tudo a arte de se exprimir por meio de sons. Toca as pessoas mais sensíveis e agrada o coração. Na região de Bauru vários maestros estão desenvolvendo um trabalho que beneficia os moradores na idade infantil. Através dessa forma de linguagem, eles estão transformando a realidade de muitas crianças e adolescentes de baixa renda. Por exigência do estudo musical, os participantes aprendem a ter disciplina, concentração e a trabalhar em grupo.
As crianças aprendem todos os ritmos e o repertório prioriza a música de qualidade, brasileira e internacional. Os ensinamentos têm causado estranheza para os alunos que mal conheciam Pixinguinha, Tom Jobim, Bach, Beethoven, frisa o maestro João Ferrari Neto, de Pederneiras. “Eles perguntam quem é o cara? Aqui eles conhecem os compositores e música de qualidade.”
A música também é matemática, na opinião do maestro Antonio César Tek de Agudos. “A música faz com que a criança mude de comportamento. Seja disciplinada e exercite a concentração. Música é matemática. Ela ajuda em todas as demais disciplinas da escola.”
O maestro Denis Rodrigues, de Dois Córregos, acredita que a música é essencial para a vida do ser humano. O projeto que ele desenvolve na cidade é um verdadeiro celeiro de novos talentos. “Os alunos ganham vale-refeição para participar. Quando eles atingem um bom nível musical, vão para a banda.”
O projeto de Agudos atende 50 crianças com idade média de 11 anos e faz parte das disciplinas da escola integral. A banda infantil não está formada e gera integrantes para a banda sênior da cidade. As aulas ocorrem no horário contrário ao da escola.
Em Pederneiras, os alunos escolhem o instrumento musical que quer estudar. Alguns, no decorrer do curso, mudam. Passam a usar o instrumento que mais se adaptam. Os instrutores orientam os alunos na escolha.
O maestro Tek de Agudos enfatiza que, para fazer os alunos a se ‘simpatizarem’ com a música clássica, ele relembra as propagandas de televisão. “Eles lembram na hora, porque muitas delas usam como pano de fundo músicas clássicas. Quando eles conhecem, ficam entusiasmados para aprender a tocar.”
Segundo ele, a sociedade não ajuda o público infantil a gostar de música de qualidade, porque curtem as músicas comerciais. “Na casa deles, na televisão e nas rádios, eles ouvem apenas as músicas comerciais que não acrescentam muito.”
As bandas musicais participam de festivais estaduais e já se destacam com algumas premiações. A banda de Dois Córregos participa há dois anos do Campeonato Estadual de Bandas e Fanfarras do Estado de São Paulo. Em 2013 foi classificada em 2º lugar e no ano passado, em 3º.
Pederneiras tem ‘ninho’ de novos músicos
Projeto Pró-Banda/Divulgação |
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Pró-Banda tem espaço próprio onde os alunos ensaiam |
Na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) existe uma orquestra e, para formar novos músicos, um projeto foi buscar nos quatro ‘cantos’ da cidade, crianças que gostam de música para aprender um instrumento e depois integrar a orquestra, um verdadeiro ‘ninho’ de novos talentos.
“Sentimos a necessidade de formar mais músicos para integrar a orquestra. A gente sabe que música é fundamental na formação do indivíduo, além das bandas ter a função de entretenimento, elas são carregadas de cultura. Este projeto é importante na formação da criança e adolescente, até porque elas deixam a ociosidade no período que não estão na escola. Os alunos têm aulas três vezes por semana”, explica o coordenador do curso, maestro João Ferrari Neto.
A primeira turma da escola já participa dos ensaios da orquestra que acontece num espaço próprio do Pró-Banda. “Esse projeto tem três anos. A primeira turma está tocando com a orquestra. As bandas de sopro são manifestações culturais muito antigas do nosso País. Todos podem notar que, na maioria das cidades existe um coreto, porque tem uma banda. É uma tradição brasileira, não podemos deixar isso desaparecer.”
O projeto é aberto a toda população. Foi divulgado em toda a cidade através da rádio local e nas escolas para que todas as crianças que gostam de música tenham a oportunidade, avisa o maestro. “Os alunos têm aula de teoria musical , individualmente, com professor especializado naquele instrumento. E depois eles têm a prática de orquestra. Aprendem a história da música, estruturação musical, notação musical, divisão. Tudo o que é ensinado em uma escola convencional de música.”
Neto enfatiza que eles recebem estímulo desde a infância. “E, tem a chance de fazer da música uma profissão, eu acredito. A gente nunca sabe a profissão que irão escolher, é uma caixa de surpresa. O que sabemos é que eles são crianças que gostam muito de música. Temos alunos de baixa renda que jamais teriam condições de aprender um instrumento de sopro, primeiro por conta do custo e depois pelo valor dos instrumentos que em sua maioria são caros. Aqui eles têm os cursos e o instrumento é cedido enquanto eles estiverem aqui. As aulas são com um profissional qualificado, isso é importante.”
O repertório é bem variado. No início, as músicas são mais fáceis de executar, um verdadeiro exercício. No decorrer do curso, eles têm contato com música erudita e popular. A primeira turma, tem muitos que tocam Bach e também Dorival Caymi, Tom Jobim, jazz. De acordo com o nível que eles atingem, eles avançam no repertório.”
Os integrantes da segunda e terceira turmas estão em processo de preparação e aprendizado. “Todos os alunos começaram do zero. Eles têm idades de 7 aos 17 anos. Eles também participam das apresentações, obedecendo o nível individual. Aqueles que estão no aprendizado há mais tempo, conhecem o repertório da orquestra. Depois das aulas eles se juntam para a prática de orquestra. Tem como referência a orquestra municipal”, explica o maestro.
Quem estuda música em Dois Córregos ganha até vale-refeição
A banda foi classificada em dois concursos estaduais
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Banda Municipal de Dois Córregos tem 52 integrantes com idades variadas e experiência em concursos estaduais |
A música é tão importante para a formação do indivíduo que em Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru) os alunos que estudam música recebem um incentivo, um vale-refeição mensal no valor de R$ 160,00. “Além dos instrumentos e da oportunidade de tocar na banda”, informa o maestro Denis Rodrigues.
A banda começou em 2008 e atualmente conta com 52 integrantes com idades variadas. Nem todos os integrantes têm o mesmo perfil socioeconômico. “Temos adolescentes de baixa renda e um pessoal de classe média que se encontram com o mesmo objetivo: aprender música.”
Os ensaios acontecem todos os sábado pela manhã e as apresentações ocorrem no município em certas ocasiões e na região, especialmente nos aniversários da cidade. “Geralmente, as cidades vizinhas convidam para exibição nos festejos. Eles oferecem o transporte e o lanche. Para nós é importante ter público para as apresentações.”
Na cidade tem uma escola de preparação. “Muitos perguntam se somente quem conhece música pode participar? Nós temos vários exemplos de pessoas que nunca pegaram num instrumentos, que nunca tiveram contato com música que começaram com a gente e aos poucos foram descobrindo que tinham talento. Muitas vezes a gente acaba ajudando a criança, adolescente e o jovem a descobrir que ele tem uma vocação. Um talento musical que estava escondido e nem ele sabia.”
Os talentos que vão surgindo na escola de preparação e no Projeto Guri são encaminhados para a banda. “A escola é coordenada pelo Nelson Graeel, auxiliar técnico. A escola é aberta ao público. Tem vários cursos, dos instrumentos que tem na banda e daqueles que não temos na banda como violão e contrabaixo. Tendo vaga a pessoa se inscreve, se ela tiver algum interesse em entrar na banda a gente vai puxando. É uma forma de entrar na banda. Temos integrantes que estão há sete anos. Os mais novos estão a pouco mais de um ano.”
A banda participou de dois concursos estaduais nos dois últimos anos. “Do Campeonato Estadual de Bandas e Fanfarras do Estado de São Paulo, que é promovido pela Federação de Fanfarras e Bandas do Estado de São Paulo. No nosso primeiro ano, em 2013, fomos classificados em 2º lugar no Estado, na categoria de bandas musicais, porque tem bandas marciais e fanfarras. No ano passado, 2014, ficamos na 3ª colocação.”
Música faz parte de disciplina da escola integral de Agudos
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Projeto incentiva o ensino de música nas escolas de Agudos |
Um projeto que vem sendo desenvolvido em Agudos faz parte das disciplinas da escola integral. A banda infantil que ainda será formada vai gerar integrantes para a banda sênior da cidade.
O trabalho começou este ano com 50 crianças com idade média de 11 anos. Eles frequentam as aulas de música no horário contrário a da escola. “Vamos montar uma banda com eles. Aqueles que forem se destacando irão para a banda sênior. Será gerador de novos talentos”, avisa o maestro Antônio César Tek.
Na avaliação do maestro, com um ano de curso, os alunos já estarão tocando algumas músicas. “Quando eles entravam com 15 ou 16 anos aproveitavam menos porque aos 18 anos saíam para trabalhar. Então optamos por ensinar as crianças para que eles aprendam e aproveitem mais. Começando aos 11 anos, quando eles tiverem 15 ou 16 estarão bem formados musicalmente.”
Os ensaios são realizados na sala da Corporação Musical maestro João Andreotti, todas as quintas-feiras. “Temos turmas de manhã e a tarde. Eles estão aprendendo o básico da música/teoria musical. Na sequência, os alunos vão conhecer os instrumentos. Num primeiro momento, vamos mostrar os instrumentos e eles escolhem aqueles que lhes agrada.”
Numa fase posterior, os alunos de música vão ser instruídos para optarem por algum instrumento. “Nós vamos instruí-los. Temos que formar uma banda. Num primeiro momento, todos pendem para um único instrumento. Por isso, temos que influenciá-los a optarem por aquele que ele mais se adapta.”
Tek ressalta que as crianças aprendem todo tipo de música. “Eles aprendem tudo. Eles não vão deixar de tocar um show das Poderosas, porque faz parte da nossa cultura. Mas ao mesmo tempo, eles vão ver que tem outro lado musical, muito mais interessante, vamos descobrindo juntos a beleza da música e de outros ritmos, o clássico, o pop, anos 80, rock.”
Ele lembra que as músicas clássicas, normalmente desconhecidas das crianças de baixa renda, são lembradas através de propagandas de televisão que elas conhecem. “Algumas propagandas usavam e usam músicas clássicas como fundo musical. Então, nós atraímos as crianças para elas usando uma mensagem que elas conhecem. Quando apresentamos a música, muitos lembram e o ensinamento é absorvido.”
A influência da sociedade e da família é muito forte sobre a criança, ressalta o maestro. “Depende muito dos pais, mas uma parte deles escuta rap e músicas comerciais, como a sociedade em geral. Aqui a criança tem a oportunidade de conhecer outro tipo de música.”
Os instrumentos usados pela escola de música vão ser direcionados pela banda sênior. “A ideia é trocarmos esses instrumentos que tem mais uso e ir passando para os alunos. A escola tem instrumentos que a banda não tem, como flauta, clarinete etc. Temos aulas de música de corda onde se aprende violino. Estamos estudando uma forma de agregar esse projeto junto ao nosso.”



