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Entrevista da semana: Alaíde Aparecida Rosseto da Silva

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Douglas Reis

Alaíde escreveu o livro “Um Sonho Possível”, em que conta boa parte de sua vida pessoal e profissional

As lágrimas inevitavelmente brotam quando ela lembra do primeiro mostruário, confeccionado pelas próprias mãos e usado para vender meia dúzia de pulseirinhas. “Meia dúzia de pulseiras folheadas. Foi assim que tudo começou. E eu só tinha dinheiro para comprar seis itens para a revenda”, conta a entrevistada deste domingo (12), Alaíde Aparecida Rosseto da Silva, sobre sua história de vida e o nascimento da tradicional rede joalheira Gold Silver.


Nascida em uma família simples de São José do Rio Preto, ela cresceu na zona rural. Costurou, fez cabelos e, aos 14 ou 15 anos se mudou com a família para Auriflama, onde se apaixonou pelo marido Luciano (falecido há 10 anos). Ao lado dele e dos três filhos - Alessandro, Luciana e Carolina -, Alaíde construiu um império de sete lojas, que vendem produtos como joias, semijoias, relógios, óculos de sol e de grau.


Aos 67 anos, essa corajosa mulher decidiu publicar um livro, “Um Sonho Possível”, em que conta essas histórias e muito mais. Leia os principais trechos da entrevista a seguir.

Douglas Reis

Com filhos, genros, nora e netos: Alessandro, Pedro, José Roberto, Luciana, Alaíde, Fabiana, Letícia, João, Carolina

e Felipe

Jornal da Cidade - Como nasceu a Gold Silver?

Alaíde Aparecida Rosseto da Silva - Antes de nascer a primeira loja, em 1992, percorremos uma longa jornada. Eu costurava para fora, mas estava um pouco cansada de tanta costura e queria fazer alguma coisa diferente, pensei principalmente em vendas, mas não tinha estudos. Como faria as contas, por exemplo? Mas a vontade era tanta que eu enfrentei. Já tinha meus três filhos. Fui com eles e meu marido para Itanhaém, onde minha cunhada morava e vendia joias e folheados. Fiquei com vontade de também vender. Mas não tínhamos dinheiro, nem no banco. Comprei o que deu para comprar: meia dúzia de pulseirinhas.


JC - A rede de joalheria Gold Silver começou com meia dúzia de pulseirinhas?

Alaíde - Podemos dizer que sim. Eu não tinha dinheiro para comprar um mostruário. Como eu costurava, fabriquei um. Coloquei as pulseiras e vendi para as minhas clientes da costura. Não deu nem para o cheiro. Meu cunhado, que vivia em São Paulo, passou a comprar pulseirinhas e a me mandar pelos Correios. Mas começaram a sumir no percurso. Foi quando uma das clientes me indicou uma fábrica de folheados de Bauru. Bom, fui à fábrica e não consegui comprar porque só vendiam em grande quantidade. Eu não tinha dinheiro para isso. Mas foi bacana porque me indicaram um revendedor deles, que por coincidência era meu vizinho. Eu não tinha dinheiro suficiente para comprar dele também. Tinha a metade, mais ou menos. Perguntei se poderia pagar o restante no mês seguinte. Ele me disse que viu honestidade em meus olhos e fez o acordo.   


JC - E a senhora passou a vender os folheados de porta em porta?

Alaíde - Sim. Mas antes disso, saímos de férias para Auriflama, onde nossas duas famílias moravam, além de nossos amigos. Vendi tudo lá (risos). Cheguei, paguei o que devia e comecei a comprar mais. Consegui comprar o meu primeiro mostruário dessa forma. Fui comprando e as vendas foram aumentando. Quando eu já estava com uma clientela boa, meu marido recebeu uma promoção e foi transferido para São Paulo. Ele trabalhava para o grupo Pão de Açúcar, na parte de eletrodomésticos. Lá fiz minha clientela. Morava em Guarulhos. Três anos depois, ele foi transferido para Botucatu. Voltamos, fiz minha clientela outra vez. Nunca desisti.


JC - Esse foi o segredo?

Alaíde - Eu nunca pensei em ter uma loja. Gostava de vender e de ver minhas clientes contentes. Ponto. Eu conquistava minhas clientes porque dava atenção a elas. Atendia bem e levava para o conserto as peças quebradas, peças antigas delas. Também corria atrás das encomendas que elas faziam. Só ficava tranquila quando encontrava (risos). Mas eu sempre digo que é preciso ter perseverança e insistir no que você deseja. Comecei vendendo folheados em Bauru, mas a primeira loja foi montada em Botucatu, quando meu marido se aposentou e “comprou” o meu sonho. Montamos a Gold Silver em Botucatu, em 1992.


JC - De Botucatu para Bauru...

Alaíde - Antes da primeira loja, já aposentado, o Luciano sugeriu que eu parasse com as vendas para vivermos nossa “vidinha” tranquilos. Dois filhos já eram praticamente adultos e a mais nova começando a adolescência. Mas eu não quis. Não conseguia ficar parada, somente cuidando da casa. Então montamos a loja. Fizemos tudo sozinhos, desde a pintura da lojinha até a decoração. E os filhos ajudando em tudo. A segunda loja foi aberta também em Botucatu, em 1996. Mas o sonho dele era abrir em Bauru. O que aconteceu três anos depois. Viemos decidir se abriríamos a loja em Bauru e ele pegou na minha mão e me disse: “Meu bem, como diz o ditado, por trás das conquistas de um homem há sempre uma grande mulher”. Eu me emociono quando lembro disso. Parece que foi ontem. Hoje nossos filhos tocam as lojas, com muita garra e dedicação.


JC - Mas quando foi que vocês se conheceram?

Alaíde - Tudo começou em Auriflama. Quando eu ainda era criança, minha família se mudou de São José do Rio Preto para lá. Sempre moramos no sítio. Bem, quando eu tinha uns 14 anos de idade, fui com uma vizinha comprar tecidos na cidade, e ele era o balconista. Nossos olhares se cruzaram, mas eu tinha um namoradinho. Entretanto, minha vizinha me disse que ele não tirava os olhos de mim. Não o vi depois disso. Era difícil sair do sítio. Até que um dia minha mãe recebeu uma pequena herança e meus pais compraram uma casinha na cidade, vizinha com a dele. Na mudança, minha vizinha o avistou. E ele começou a passar em frente de casa. Ele passava olhando e eu corria na janela para vê-lo. Minha mãe chegou a dizer que ele estava com torcicolo de tanto olhar para a nossa casa (risos). Começamos a namorar.


JC - O casamento veio logo?

Alaíde - Eu cresci no sítio e vivi na roça até uns 15 anos de idade. Eu fiz um curso de corte e costura. Minha mãe vendia galinhas para pagar meu curso. Também aprendi a fazer cabelo. Trabalhei de graça para aprender. Atendia clientes em casa, mas em Auriflama não havia emprego. Fui embora com uma irmã para São Paulo. Trabalhei em uma alfaiataria chiquérrima. Costurei camisas para o cantor Wanderley Cardoso. Bom, o Luciano ficou em Auriflama e escrevia sobre a saudade. Até que foi transferido para São Paulo. Moramos juntos na casa da minha irmã por um tempo e nos casamos.  


JC - Por que escrever um livro?

Alaíde - Quando o Luciano faleceu, há 10 anos, eu comecei a sentir o desejo de escrever um livro, cujo título é “Um Sonho Possível”. Fiz com muita dificuldade, porque não estudei. O livro conta um pouco da minha história no sítio e na cidade. Também fala sobre minhas dificuldades por não saber ler e escrever direito, além, é claro, da história da Gold Silver. Sempre escrevi e li com muita dificuldade. Isso é algo que sempre me deixou triste. Um vazio nunca preenchido. Já adulta, fiz um ano de Mobral. Hoje, aos 67 anos, decidi aprender de verdade, desde a cartilha, como se diz. Uma amiga, professora aposentada, está me ensinando na casa dela, onde vou uma ou duas vezes por semana. O aprender a ler e a escrever corretamente é algo para o meu ego, um sonho pessoal que estou realizando.

Perfil

Nome: Alaide Aparecida Rosseto da Silva

Idade: 67 anos

Signo: Áries

Local de Nascimento: São José do Rio Preto/SP

Marido: Luciano (já falecido) 

Filhos: Alessandro, Luciana e Carolina 

Hobby: Sair e jogar baralho com as amigas, pilates e artesanato 

Filme preferido: Gosto de romances 

Estilo musical predileto: Música romântica e sertanejo raiz

Time de futebol: Santos

Para quem dá nota 10: Para o amor

Para quem dá nota 0: Para a violência

E-mail: https://larosseto@hotmail.com


 

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