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Bauru teve 15 casos graves de dengue neste ano

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Incidência preocupa Cristiane Silva, da Vigilância Epidemiológica de Bauru.

Levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde dá conta de que, a cada 129 casos de pessoas com dengue, um é grave. Os dados mostram que foram 15 registros de gravidade neste ano. Embora o número pareça baixo em relação ao total de ocorrências em Bauru, o órgão pontua que o ideal seria que nenhuma delas apresentasse complicações. Diante disso, as unidades de saúde públicas e privadas são orientadas a prestar atenção nos sinais de alerta para evitar óbitos.


De acordo com a médica sanitarista e chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município, Cristiane Rosevelte e Silva, cada epidemia se comporta de uma forma e, portanto, não dá para avaliar se o número de casos graves é preocupante. “O importante é que, quando existe um caso grave, a gente saiba conduzir para que ele não vire óbito”, acrescenta a médica.


Para evitar que o pior aconteça, Cristiane revela que as unidades de saúde têm de seguir um protocolo de atendimento, que vale para qualquer lugar do País. “Os profissionais têm de ter um olhar diferenciado em relação à dengue, principalmente em pacientes com tendência ao agravamento”, justifica. Muitos deles são internados ou têm de retornar a uma unidade de saúde para acompanhamento médico.


O protocolo de atendimento conta com a prova do laço, um exame que tem de ser feito em todos os casos de dengue. Cristiane explica que, se uma pessoa doente que tenha tendência a sangramento passar pelo procedimento, o resultado será positivo. “Se der negativo, não é porque o paciente não está com dengue. O teste só aponta se há risco de sangramento, um dos agravantes da doença”, afirma.


Em relação aos demais procedimentos, a médica sanitarista informa que os profissionais da área de saúde são orientados a prestar atenção nos sinais de alerta da doença, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e acúmulo de líquido. Dependendo da situação, a internação é certa. Já os pacientes que receberem alta são aconselhados a seguir uma rotina regada a repouso e hidratação.


Prova do laço

Cristiane Rosevelte e Silva explica que a prova do laço começa com a aferição da pressão arterial do paciente. Com o resultado, é feita uma média. O valor é utilizado para insuflar o manguito de pressão e fixá-lo na pele. Se for adulto, o recomendado é esperar por cinco minutos, mas se for uma criança, o tempo é de três minutos. Depois, na região abaixo onde o manguito foi fixado, o médico verifica se houve formação de pontos de sangue.


Se, em um quadrado de 2,5 por 2,5 centímetros, forem encontrados 20 pontos em um adulto e 10 em uma criança, o teste será positivo. Segundo a médica sanitarista, a dengue aumenta a permeabilidade vascular, já que a membrana dos vasos sanguíneos é formada por aberturas. Como eles estão aumentados e frágeis por conta da doença, se rompem durante a prova do laço, sobem até a região da pele e os pontos de sangue vêm a tona.


Vale destacar que a prova do laço somente pode ser feita nas unidades de saúde.

Em uma única rua, pelo menos oito moradores já contraíram a doença


Em uma única rua na região do Jardim Estoril, em Bauru, pelo menos oito moradores pegaram dengue. Uma vizinha que pediu para não ser identificada revela que quatro pessoas ficaram internadas por conta da doença. Os moradores acreditam que existe um foco do Aedes aegypti em uma casa próxima, que está vazia.


Há três semanas, o irmão da moradora teria sido um dos primeiros a contrair dengue. A partir daí, ocorreu uma espécie de efeito “cascata”, já que outros vizinhos também foram acometidos pela doença. “Como meu irmão tem uma filha de quatro meses, fiquei preocupada e pedi para que o dono da casa fizesse a capinação e a limpeza da piscina”, explica.


Segundo informações dos moradores da região, no último fim de semana, o proprietário teria limpado a residência. No entanto, uma equipe da Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, que foi acionada para verificar o imóvel, não teria conseguido entrar, porque não havia ninguém por lá. 


Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru, por meio da Vigilância Ambiental, informa que já realizou vistoria na residência e não encontrou irregularidades. Na ocasião, a piscina estava vazia e, conforme o proprietário afirmou ao órgão, a limpeza é feita regularmente.


Outro caso


Ainda no Jardim Estoril, mas em outra rua, alguns moradores estão preocupados com a sujeira de uma casa que estaria abandonada. Na tarde de ontem, a aflição dos vizinhos ganhou força nas redes sociais. A advogada Mariana Piazentin Corrêa, 26 anos, postou imagens da residência e marcou vereadores e também o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) com o intuito exigir uma providência.


Além de abrigar animais peçonhentos, o mato alto dentro da casa pode ser um possível criadouro do Aedes aegypti. “Pelo menos três moradores contraíram dengue”, reforça a advogada. Diante da repercussão, o vereador Roque Ferreira (PT) postou um comentário e disse que avisaria os órgãos competentes. Já a assessoria de imprensa da prefeitura informa que o município consultará o setor responsável.


Panorama

Os casos mais recentes de dengue em Bauru foram confirmados na última segunda. Na ocasião, foram anunciados mais 93 ocorrências, sendo 91 autóctones e duas importadas. Portanto, desde o início deste ano até o momento, a cidade registra 1.989 casos da doença, sendo 1.941 autóctones, 48 importados e três óbitos.


Das mortes, dois pacientes também apresentaram sangramento e todos entraram para a estatística dos casos graves, que compreende unidades de saúde públicas e privadas.



 

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