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Protesto tumultuado "fecha" rodovia Marechal Rondon

Bruno Freitas e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Éder Azevedo

Éder Azevedo

Éder Azevedo

Professores bloquearam eu em frente a Diretoria de Ensino, na Vila Falcão

Malavolta Jr.

Cerca de 100 manifestantes bloquearam parcialmente a Bauru-Ipaussu por quase uma hora

Malavolta Jr.

Suzi Silva, diretora da Apeoesp, quase foi presa, o que acirrou os ânimos dos manifestantes

Professores da rede estadual de ensino que aderiram à greve, que já está no 35.º dia, bloquearam parcialmente a rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, nessa quinta-feira (16). O ato foi tumultuado, já que alguns manifestantes enfrentaram a polícia e hostilizaram a imprensa. Um repórter cinematográfico chegou a ser agredido e ter o equipamento danificado (leia mais abaixo).


Por volta das 14h, cerca de 100 pessoas estiveram concentradas em um posto de combustíveis, localizado às margens da Marechal Rondon (SP-300), em Bauru. Conforme já divulgado pelo JC, os manifestantes ligados ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) prometeram bloquear a via. No entanto, a concessionária que a administra conseguiu uma liminar que proibiu a interdição.


Diante disso, os professores tiveram de mudar de estratégia, já que o descumprimento da decisão, segundo a Apeoesp, acarretaria em multa diária de R$ 20 mil, além da prisão da diretora estadual do sindicato, Suzi Silva. Com placas em punho, os manifestantes caminharam pela marginal da Rondon rumo à Bauru-Ipaussu. Porém, parte do grupo se dispersou até a Rondon.


Para cumprir a liminar, a policiais rodoviários tentaram prender a diretora do sindicato. “Não descumprimos ordem judicial. O grupo tentou entrar, mas não temos o controle sobre cada um”, refuta Suzi. Foi aí que pessoas se exaltaram e enfrentaram os militares.


Com o intuito de garantir a segurança dos envolvidos, a Polícia Militar Rodoviária optou apenas por acalmá-los e orientá-los. Além disso, os grevistas saíram da Rondon à pedido da própria diretora do sindicato e seguiram a pé rumo à saída 235 da Bauru-Ipaussu, nas proximidades do trevo da Eny. Lá, por cerca de uma hora, eles interditaram parcialmente os dois lados da pista. O congestionamento nos dois sentidos, segundo a polícia, atingiu cerca de 1 quilômetro.


Questionada sobre a liminar que proibiu a interdição da Rondon, a assessoria de imprensa da ViaRondon, que administra a via, não retornou até o final dessa quinta. Já a Concessionária Raposo Tavares (Cart), responsável pelo trecho da Bauru-Ipaussu onde os manifestantes fizeram a interdição, informa que orientadores de tráfego da empresa estiveram no local e os serviços de atendimento e suporte permaneceram à disposição dos usuários.


Pauta


De acordo com a coordenadora da Apeoesp de Bauru, Idenilde de Almeida Conceição, a pauta de reivindicações é extensa, mas a categoria pede, principalmente, 75% de aumento salarial, melhores condições de trabalho, menos alunos nas salas de aula, reabertura de salas que foram fechadas e mais repasses para as escolas. “Em algumas escolas, os professores têm de ‘tirar do bolso’ para comprar materiais”, denuncia.


Questionada sobre as reivindicações, em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informa que o órgão continua disposto a negociar com o sindicato e lamenta a insistência da entidade em uma “greve partidária, desnecessária e com baixa adesão”. Além disso, a secretaria afirma que não pode compactuar com o movimento do sindicato, que estaria incitando os pais a não levarem os filhos à escola.


Segundo a assessoria da pasta, ao contrário do que a entidade prega enganosamente, a valorização dos professores tem sido foco da atual gestão. Os docentes garantiram, ao longo de quatro anos, um aumento salarial de 45%, sendo que o último reajuste foi há oito meses. Além disso, o órgão pontua que, apenas em 2015, pagará R$ 1 bilhão em bônus por mérito. Na última semana, a secretaria também anunciou a evolução na carreira de 10,7 mil professores.


Sobre o fechamento de salas, a pasta argumenta que desconhece e ressalta que, neste ano, foram abertas 1.123 novas classes em todo o Estado.


“Os dados oficiais, baseados no cadastro funcional e não em estimativas do sindicato, apontam que o índice de comparecimento [dos professores] na região de Bauru é de 98%”, finaliza a assessoria.


Um dia, dois protestos


Para chamar a atenção da população e pressionar o governo a abrir negociação, a categoria realiza interrupção nas rodovias em todo o Estado. Além da interdição da Bauru-Ipaussu, cerca de 30 professores da rede estadual de ensino participaram de outro protesto, na manhã de ontem, e bloquearam por cerca de meia hora a quadra 9 da rua Campos Sales, na Vila Falcão, em frente à DRE de Bauru.


Manifestante agride repórter cinematográfico

Malavolta Jr.

Bruno Rosolem (com a placa) quebrou a câmera de Rafael (à dir.)

O começo da manifestação foi marcado por tumulto, mais especificamente depois que a polícia tentou prender a diretora estadual da Apeoesp, Suzi Silva. Um manifestante enfrentou os policiais e pediu para não ser filmado ou fotografado pela imprensa.


O repórter cinematográfico do SBT, Paulo Rafael Fidêncio, foi agredido com uma placa utilizada no protesto. Ele não ficou ferido com gravidade, mas o equipamento de trabalho foi danificado. “Ele pediu para não fazer imagens, mas eu disse que estava em via pública”, conta. Neste momento, outro manifestante colocou uma placa na frente da câmera. Ele tentou retirá-la, mas sofreu uma pancada na cabeça.


O autor da agressão foi qualificado como Bruno Juliano Rosolem, 25 anos, que optou por não conceder entrevista. “Se o cinegrafista representar contra o responsável, ele poderá ser indiciado por agressão. Só não o prendemos para não inflamar a massa e garantir a segurança dos demais envolvidos”, explica o capitão João Carlos Lemes, comandante da 1.ª Companhia de Policiamento Rodoviário de Bauru.


Rafael fez BO contra Bruno e também contra a diretora da Apeosp por lesão corporal, ameaça, dano e desacato. Questionada sobre a agressão, Suzi não soube informar se o responsável era professor. “Na manifestação, conseguimos reunir pessoas de Bauru, Marília, Lins e outras cidades. Não conhecemos todo mundo”, justifica. De qualquer maneira, Suzi elogia o trabalho da imprensa e condena a atitude do manifestante. “Nós somos educadores e valorizamos a educação, não a agressão”, acrescenta.


Em nota, o editor-chefe do SBT Central, Amarildo de Oliveira, lamentou o ocorrido. “O repórter cinematográfico Paulo Rafael Fidêncio foi covardemente ameaçado e agredido no exercício de sua função. Nós repudiamos ameaças e agressões contra nossa equipe de jornalismo”, revela. Diante disso, a empresa pretende levar a questão à Justiça.

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